A resposta é simples. O FGTS foi criado na ditadura com o objetivo velado de ser poupança forçada para financiar infraestrutura, especialmente saneamento básico e habitação popular. No governo Lula se expandiu a carteira do FGTS, mas eles precisavam de recursos.
Uma das fontes de recursos é o FGTS. Existem duas formas diretas pelas quais o BNDES pegou recursos do FGTS, uma foi uma operação do FI-FGTS que atualmente está em 822 milhões de reais. Foi uma emissão de debêntures com remuneração de 6% a.a. e vencimento em outubro de 2029.
A outra é um empréstimo via títulos com atualização pela Taxa Referencial (TR), taxa de juros de 4,8628% a.a. (ou seja, bem abaixo da taxa de juros básica) e vencimento em dezembro de 2026. Atualmente está em R$ 1,6 bilhão o débito com o fundo. Soma-se assim, com o FAT, a forma
que o BNDES usa os recursos dos trabalhadores. Mas no caso do FGTS há um problema adicional, pois o BNDES paga abaixo da inflação e abaixo da taxa de juros básica, ou seja, o trabalhador perde dinheiro emprestando ao BNDES.
Por que isso é importante?
Pra isso vamos ter que ver quem é Luiz Marinho. Marinho é um petista raiz, foi um dos sucessores de Lula no sindicato dos metalúrgicos e é uma força dentro da CUT, da qual já foi presidente. Além disso foi ministro no primeiro governo Lula e foi prefeito de São Bernardo do Campo.
Por que isso importa? Porque ele segue a ala mais antiga do PT que ficou meio perdida e hoje se apega a Gleisi e Mercadante. Mercadante está na presidência do BNDES e não esconde seu desejo de expandir o banco, mas para expandir o banco ele precisa de recursos, se impedirem o
saque aniversário do FGTS, à revelia do trabalhador, sobra mais recursos para o BNDES captar e transformar em crédito barato para empresas, mesmo porque ele paga menos que a taxa de juros básica ao FGTS, aumentando o balanço do banco.
Inclusive, não é por acaso que a FIESP está pulando de alegria. Se a FIESP e o Ministro do Trabalho concordam com algo é porque tem algo errado na história
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Vamos ver se eu consigo ajudar uma galera aqui. A grande questão da briga da taxa de juros e autonomia do Banco Central tem a ver com as disputas internas do Partido dos Trabalhadores. E tem a ver com o inimigo número 1 do Eduardo Suplicy, o dr. Aloizio Mercadante.
Mercadante foi peça chave na campanha de Lula à presidência, mas foi escanteado. Considera sua indicação à presidência do BNDES uma ofensa porque se considera isolado no Rio, longe do centro de poder em Brasília. Além disso, o BNDES desde o governo Temer vem perdendo espaço como
hub político, voltando ao papel de banco de desenvolvimento.
Do outro lado temos o nosso queridinho guitarrista Fernando Haddad. O título de "o mais tucano dos petistas" não é por acaso, Haddad é, e sempre foi, contrário à agenda econômica do governo Dilma. Que foi tocada
Se você compra HOJE, se você comprou no passado, digamos, qualquer dia de janeiro de 2017 para cá, que é justamente quando começa o ponto de referência do nosso piccolo bambino do apoia-se, você PERDE dinheiro a não ser que segure o título até 2026-2030.
E mesmo assim, aumentar a taxa de juros é pior para qualquer asset ou fundo, porque aí o beta sharpe ou o alfa de jansen cresce, isso é, o número de ativos que bate a cota do DI para cumprir o mandato diminui muito, o que amarra os gestores.
De novo, matemática financeira 101.
Aí o @demori vai aparecer dando uma tiradinha sarcástica sobre algo que ele não entende, então eu já vou adiantando o porquê se perde dinheiro: custo de oportunidade.
Se você comprou ontem por um preço x e juros y, mas o Banco Central aumenta hoje a taxa de juros, os títulos +
Recebi o print no zap. Acertem qual o nome do Zé Pandinha oculto.
Tem gente que tem orgulho de ser estúpido até o talo.
EXTRA EXTRA: Professor da UERJ que não sabe o básico de economia afirma que Plano Real foi golpe contra a economia nacional. Depois dizem que eu sou chato por falar mal desse jumento.
Inclusive esse argumento nem faz sentido. Basta ver a composição das carteiras pré hiperinflação.
Eu vou expor aqui o porquê de eu discordar dessa thread do Jorge. Em primeiro lugar, a defesa de um Banco Central autônomo surge, explicitamente, porque a economia não é apenas técnica e porque há política na política econômica. Se a economia fosse puramente técnica, não haveria
necessidade de um Banco Central autônomo uma vez que ela seria conduzida de forma ótima, afinal, é puramente técnica. Não, a gênese da defesa de um Banco Central autônomo de forma séria está no surgimento da Nova Economia Política nos anos 70 em que fundamenta economicamente a
atuação política. É importante notar que boa parte da ciência política é herdeira deste fenômeno. Se alguém quiser saber a sequência, se dá pela compreensão do papel das expectativas e dos estudos de ciclos político-econômicos. Mas, é importante ressaltar que eu aqui falei da
É importante ressaltar que esse seminário -que sim, está errado, não é papel do BNDES propor visão de agenda fiscal- é só a ponta do iceberg. Mercadante está nitidamente magoado que Haddad foi pra Fazenda e tenta se soltar das amarras de uma agenda positiva que, naturalmente, vai
manter o BNDES no seu lugar, como banco de desenvolvimento e não como hub de ajuda a amigos e distribuidor de ativos políticos.
É dele que vem a pressão por ataques ao Banco Central. É dele também que vem as falas do ministro do trabalho Marinho para uma maior retenção do FGTS.
E é simples, com taxa de juros menor e artificial, a carteira do BNDES incha, à revelia do trabalhador. Com menos possibilidade de resgate do FGTS, o BNDES pode tomar mais crédito com o governo federal para emprestar.
Não. O que faz criança ir para a rua é inflação alta e crise econômica mesmo. Não é por acaso que houve ampla redução da pobreza e trabalho infantil nos governos Lula e FHC, mas aumento no Dilma. Estabilidade monetária é bom para política social, juros artificialmente baixos só
é bom para o presidente da FIESP se reeleger. Quanto à causa da inflação, o BCB e a maior parte dos economistas sérios estão colocando seus modelos e dados na mesa. Eu gostaria de ver um bom modelo econométrico que não mostrasse risco na demanda e risco fiscal, mas ninguém
apresenta. Só ficam esbravejando. É um pedido honesto, eu adoraria ver como comprovam esse argumento.