#60Jogos60Copas: a história de 60 partidas marcantes da Libertadores no ano da sua 60ª edição. Nos últimos dias, dois aniversários vascaínos: o do próprio clube, dia 21, e o da sua Copa vencida em 98, celebrado hoje. Só resta, pois, recordar seu grande jogo. O do gol monumental.
O #60Jogos60Copas recorda, em threads por aqui e textos lá no @punterobr, 60 partidas marcantes da nossa Libertadores - que não tenham sido finais. Hoje, vamos de River 1x1 Vasco em 1998, mas já tivemos 27 outras partidas antes. Todas aqui:
@punterobr Estamos em 98 e a Libertadores celebra aquela que é sua maior edição em todos os tempos, até ali. Fosse por número de participantes ou de países representados, é a primeira vez que 23 clubes e 11 nações disputam a taça. Este é, afinal, o ano em que os mexicanos fazem sua estreia.
@punterobr A presença mexicana não é nota de rodapé nessa história porque a trajetória do Vasco campeão da América começa, exatamente, com jogos contra eles: em outros anos, seu grupo seria um passeio com dois venezuelanos, além do outro brasileiro - na ocasião, o Grêmio -, mas não em 98...
@punterobr Em 1998, ainda sem definir a melhor fórmula para a Libertadores ampliada, a Conmebol colocou os times do país de pior performance (a Venezuela) a disputar uma liguilla prévia com os mexicanos. Os venezuelanos não deram nem pro começo e os dois norte-americanos entraram na chave.
@punterobr Uma chave que, nessas condições, começa dura para o Vasco: após abrir levando 1x0 do Grêmio em Porto Alegre, os cruzmaltinos seguem mal quando vão ao México: perdem para o Chivas de Guadalajara e só empatam com o América. Viram o turno com apenas 1 ponto.
@punterobr O que era esse Vasco, questiona o nobre leitor já colocado de supetão na narrativa da Libertadores de 1998 mas sem nem entender como esse time chegou lá, especialmente se for um jovem imberbe com pouca memória daqueles loucos dias de fins de anos 90.
Pois bem.
@punterobr O Vasco era, em 98, o flamante campeão brasileiro. Um time que havia encantado o país sob a batuta de Edmundo, que jogou tanta bola em 1997 que muitos clamavam por seu nome no topo da lista dos melhores do planeta - algo, você sabe, quase impossível quando se joga em Sudamérica.
@punterobr Mas o Vasco também era, em 98, o time já órfão do próprio Edmundo, que foi à Europa (e, de lá, à Copa do Mundo), e também já sem o outro nome da ofensiva que venceu o Brasileirão - Evair.
De certa forma, um time que precisou se remontar, pelo menos na linha de frente.
@punterobr Remontar-se foi, então, o que o Vasco fez, construindo imediatamente uma outra dupla que faria história: para 98, vieram Donizete Pantera e Luizão, o homem que se aposentaria como maior artilheiro brasileiro na história da Libertadores, com 29 gols - 8 deles pelo Vasco.
@punterobr Nada disso adiantou muito no primeiro turno da fase de grupos, mas o Vasco reagiu. Fez 3x0 no Grêmio para abrir o returno, depois superou o Chivas, empatou novamente com o América, quando viu estava nos mata-matas e nos mata-matas resolveu aniquilar os últimos campeões, um a um.
@punterobr Como a Libertadores da época exigia que os clubes de um mesmo país se eliminassem uns aos outros antes das semis, o Vasco foi às oitavas pegar o Cruzeiro, campeão de 97. Venceu. Voltou a enfrentar o Grêmio, campeão de 95, nas quartas. Venceu.
Mas faltava o campeão de 1996.
@punterobr O campeão de 1996 era ninguém menos que o River Plate, o grande time argentino da metade final dos anos 90: um clube que, entre 96 e 2000, acumularia, além da Libertadores, cinco títulos argentinos e uma Supercopa Sul-Americana.
E que achava uma Libertadores só muito pouco.
@punterobr Nesse continente em que os vizinhos costumam ser desprezados, o Vasco x River das semifinais surgia como uma autêntica final antecipada...
@punterobr ... afinal, os melhores de Argentina e Brasil duelavam para ver quem enfrentaria um azarão: do outro lado, estavam Barcelona de Guayaquil e Cerro Porteño, duelo épico por outras razões, e que merecerá capítulo especial em outro momento
Hoje, porém, é de Vasco x River que se fala
@punterobr Na ida, Donizete colocou o Vasco em vantagem aos 10 minutos. O placar, porém, não saiu disso. Um a zero magro em qualquer circunstância, mais ainda numa época em que a Libertadores não tinha gol qualificado. Qualquer erro na volta poderia ser fatal.
@punterobr Em 22 de julho de 1998, no Monumental de Núñez que sonhava com uma nova final de Libertadores, boa parte das esperanças do River concentravam-se num camisa 10 chamado... Marcelo Gallardo. O mesmo que hoje segue fazendo os millonarios sonharem.
@punterobr O River fardou com Burgos, Hernán Díaz, Celso Ayala, Berizzo e Sorín; Escudero, Astrada, Santiago Solari e Gallardo; Pizzi e Juan Paglo Ángel.
O Vasco foi de Carlos Germano, Válber, Odvan, Mauro Galvão, Felipe, Luizinho, Nasa, Ramon, Pedrinho, Donizete e Luizão.
@punterobr Pois sim: na noite em que se fez eterno, Juninho começou no banco.
@punterobr Do banco, viu o Vasco começar em cima e, logo de cara, reclamar de um pênalti não marcado sobre Luizão.
Seria um daqueles infames jogos contra doze?
@punterobr (a mesma recomendação de sempre nessas threads: o vídeo linkado pode ser o mesmo, mas em cada tweet estará marcado no tempo do lance mencionado)
@punterobr Do banco, também viu Luizão perder uma boa oportunidade com o placar ainda zerado, após falha da zaga argentina.
@punterobr Mas, pouco a pouco, o River foi equilibrando as ações. Com Gallardo, foi crescendo no jogo, incomodando, e logo chegou ao gol que igualava a eliminatória: aos 22 minutos, Nasa dá uma atorada na lateral da área. Falta.
@punterobr Que Gallardo cobra para Sorín fazer 1x0.
@punterobr A vantagem é dinamitada bem cedo no jogo.
O River gosta.
O River se adona do jogo.
E Gallardo, sempre ele, começa um festival de tudo o que poderia ter sido e não foi.
@punterobr Porque nessa noite, diferente de outras tantas, o Muñeco não vê as coisas terem um final muito feliz após o lance do gol.
@punterobr Ele até tenta e tenta, mas a bola não entra mais.
@punterobr Não entra nunca mais.
@punterobr A manutenção do 1x0 a favor do River significa pênaltis, e pênaltis significam ninguém sabe muito bem o quê.
Mas, enquanto tudo isso acontece, o Vasco tira Luizão de campo.
E coloca seu número 19, um certo Juninho Pernambucano.
@punterobr Juninho, quando entra, está a vinte minutos da história. Num jogo que, ainda, parece querer dizer que a Copa acabará indo a Buenos Aires.
@punterobr Mas não. A Copa irá ao Rio de Janeiro.
Porque, aos 37 minutos do segundo tempo, Juninho faz um gol que até hoje é cantado e comemorado onde haja uma aglomeração de cruzmaltinos, em qualquer lugar do mundo.
Lá do meio da rua, de falta. Como Juninho.
@punterobr Contra o River Plate, sensacional
Gol do Juninho, (no) Monumental
@punterobr A memória coletiva costuma decretar que após o gol do Juninho não houve mais nada, não houve nem mesmo uma final, que a Libertadores 98 se decidiu naquele momento.
Em retrospectiva, e na lenda, talvez tenha sido assim mesmo.
Depois daquilo, a Copa tinha que ir a São Januário.
@punterobr Claro que, enquanto tudo acontecia, não foi bem assim: aos 44 do 2º tempo, o River esteve a ponto de obrigar o jogo a ir aos pênaltis, quando Solari acertou a trave de Carlos Germano.
@punterobr E o River seguiria tentando o 2x1 da sobrevida até o suspiro final.
@punterobr O próprio Juninho, aliás, discorda que seu gol - ou aquele jogo - tenha encerrado aquela Libertadores. "Não concordo que aquele tenha sido o gol do título", disse em 2008, nos dez anos da conquista. "O Barcelona era um rival muito complicado". extra.globo.com/esporte/gol-mo…
@punterobr Certo é que o Barcelona acabou dando bem menos trabalho que o River Plate, como seria de se esperar. O Vasco seria o campeão da Libertadores de 1998 vencendo a ida e a volta da final, e seriam as semifinais que ficariam mais marcadas na memória, com a patada de Juninho.
@punterobr Em 1998, o Vasco também completava seu centenário de fundação. Tornou-se o primeiro clube a vencer uma Libertadores justamente na temporada em que celebrava 100 anos - e só um outro juntou-se ao clube desde lá, o Olimpia paraguaio, em 2002.
@punterobr Aquele título também deu ao Vasco uma condição única: como a Conmebol reconhece o Sul-Americano de 1948 como um torneio no mesmo patamar da Libertadores (embora diferente), é o único clube que pode se dizer bicampeão da América sem que todos os títulos sejam da Libertadores.
@punterobr O reconhecimento já tinha vindo, aliás, ANTES mesmo de o Vasco vencer a Libertadores, quando a Conmebol permitiu que o clube jogasse a Supercopa em 1997, graças ao título de 1948.
@punterobr De todo modo, isso já são outras histórias para outros momentos. O #60Jogos60Copas de hoje, com o drama do Monumental e o gol mágico de Juninho, fica por aqui.
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