Aos Fatos Profile picture
Valorize o que é real.

Aug 27, 2019, 25 tweets

NO AR. No Roda Viva, Salles distorce fatos sobre queimadas e acusações de Bolsonaro a ONGs. aosfatos.org/noticias/no-ro…

FALSO. "O presidente determinou que se investigue [a causa das queimadas], sem assumir de antemão que pode ser o caminho A, B ou C", disse o ministro @rsallesmma no @rodaviva. Antes de ordenar investigação sobre as queimadas, o presidente culpou ONGs pelos incêndios, sem provas.

@rsallesmma @rodaviva Diferente do que disse Salles, antes do anúncio de qualquer tipo de investigação de incêndios na Amazônia, o presidente @jairbolsonaro já havia atribuído publicamente, sem provas, e em mais de uma ocasião, as queimadas a uma suposta atividade criminosa de ONGs na floresta.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro Em discurso no Congresso do Aço no dia 21 de agosto, o presidente afirmou que o avanço do fogo devia-se ao corte de 40% no repasse de verbas do Fundo Amazônia às ONGs da região. As queimadas seriam, nesse caso, uma espécie de ato de vingança perpetrado pelos ambientalistas.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro No dia seguinte, na quinta-feira (22), ele reforçou a hipótese de que membros das organizações seriam os grandes culpados. Mais tarde, em entrevista a jornalistas, Bolsonaro suavizou as declarações e disse que aquele era o seu “sentimento”.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro Na noite da última quinta-feira (22), em transmissão ao vivo no Facebook, o presidente ainda atribuiu parte da suspeita de culpa aos fazendeiros e indígenas da região, mas não deixou de citar a possível responsabilidade de ONGs.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro Foi somente nesta segunda-feira (26) que a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o chamado “Dia do Fogo”, suposta ação de fazendeiros e grileiros da região de Altamira (PA). Esta é a primeira investigação aberta pelo governo para apurar as causas das queimadas.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro FALSO. "[O ano] 2016 tem um volume de queimadas muito parecido com (...) 2019. [Em] 2016 [teve] mais queimadas, 2017 e 2018 [teve] mais chuva e, portanto, menos queimada, e 2019 mais queimadas", disse @rsallesmma, usando dados verdadeiros para apresentar uma conclusão enganosa.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro Nesse trecho da entrevista ao Roda Viva, o ministro usou um argumento verdadeiro – de que períodos de seca costumam registrar mais incêndios florestais – para chegar a uma conclusão falsa: de que a estiagem seria a razão por trás da evolução do fogo na Amazônia neste ano.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro Este raciocínio de Salles é refutado por uma nota técnica do @IPAM_Amazonia (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), ONG que atua na região. O documento diz que 2019 teve menos dias de estiagem que a média de 2016 a 2018, mas registra número maior de incêndios na floresta.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia Uma comparação do Ipam entre seis estados da Amazônia Legal também mostra que 2019 é um ano menos seco que os anteriores, inclusive 2016, apesar de registrar mais queimadas. Quanto mais vermelha a barra, mais dias sem chuva. Quanto mais alta, mais incêndios registrados.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia No gráfico anterior, é possível observar que, em cinco estados, 2019 teve menos estiagem (está mais azul) que os anos anteriores, mas seu número de queimadas é sempre maior.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia O estudo do Ipam também mostrou que não foram nos municípios amazônicos com menos chuva que mais incêndios ocorreram. Para os técnicos, a provável causa do aumento de queimadas foi, na verdade, a explosão do desmatamento na região. Pesquisador da Nasa corrobora esta hipótese.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia Além disso, a comparação entre 2016 e 2019, feita por Salles, é imprecisa. No bioma Amazônia, foram registrados 33.639 focos de janeiro a agosto de 2016 ante 42.719 ocorrências no mesmo período deste ano (+27%). Esta diferença cai para 2,94% se considerada só a Amazônia Legal.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia CONTRADITÓRIO. "Não é verdade que a gente não quer receber [ajuda financeira de outros países]", disse @rsallesmma, mas integrantes do governo, o presidente Bolsonaro incluído, têm apresentado opiniões distintas das do ministro do Meio Ambiente.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia Se, de um lado, o presidente @jairbolsonaro e o ministro da Casa Civil, @onyxlorenzoni, já deram declarações que indicam uma recusa dos R$ 83 milhões oferecidos pelo G7, o próprio Ricardo Salles se manifestou a favor da doação, ainda que com ressalvas.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni Em outras ocasiões, o presidente Bolsonaro também menosprezou a ajuda internacional, como quando a Noruega e a Alemanha anunciaram que deixariam de contribuir com o Fundo Amazônia, criado em 2007 para ajudar a custear projetos de preservação da floresta.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni IMPRECISO. "Não havia nenhuma determinação nossa, como de fato não há, para não fazer qualquer operação de fiscalização ou atenuar o rigor da lei. Não há nenhuma determinação nesse sentido. Nós não mudamos nenhum regramento, nenhuma norma nem nada", disse @rsallesmma.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni De fato, não houve alteração formal em políticas de fiscalização e na aplicação de multas por parte do @brasil_IBAMA e do @ICMBio. Mas o governo Bolsonaro tem exibido um posicionamento crítico a esses procedimentos e interfere sistematicamente nos quadros dessas instituições.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni @brasil_IBAMA @ICMBio Também já se observa uma queda no número de autuações por parte do Ibama: de janeiro a 23 de agosto, foram aplicadas 6.895 multas, um número 29,4% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni @brasil_IBAMA @ICMBio VERDADEIRO. "[Historicamente,] O percentual de multas que chega ao final é muito pequeno", disse o ministro @rsallesmma. De fato, apenas uma pequena parcela das multas aplicadas pelo Ibama são pagas, cerca de 5%, segundo o último dado disponível, de 2017.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni @brasil_IBAMA @ICMBio VERDADEIRO. "O Ministério do Meio Ambiente, em especial, não foi sequer do grupo dos ministérios que sofreu mais com os cortes", disse @rsalllesmma ao @rodaviva. O contingenciamento na pasta está, de fato, abaixo da média dos cortes no governo federal.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni @brasil_IBAMA @ICMBio Sob Bolsonaro, o Orçamento sofreu cortes de cerca de R$ 35 bilhões (27,1%) dos R$ 129,4 bilhões em despesas discricionárias (não obrigatórias) previstas para 2019. Já a verba para o @mmeioambiente foi cortada R$ 199,3 milhões (24,1%), de R$ 824,8 milhões para R$ 625,5 milhões.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni @brasil_IBAMA @ICMBio @mmeioambiente Com tais números, a pasta comandada por Salles ocupa a 13ª posição na lista dos ministérios que mais sofreram cortes. Minas e Energia (81,4%), Turismo (51,2%) e Defesa (43,8%) foram os que, proporcionalmente, mais tiveram seu orçamento contingenciado.

@rsallesmma @rodaviva @jairbolsonaro @IPAM_Amazonia @onyxlorenzoni @brasil_IBAMA @ICMBio @mmeioambiente Procuramos o ministro Ricardo Salles para comentar o resultado das checagens, mas ele não respondeu até a publicação da reportagem, na tarde desta terça-feira (27).

Share this Scrolly Tale with your friends.

A Scrolly Tale is a new way to read Twitter threads with a more visually immersive experience.
Discover more beautiful Scrolly Tales like this.

Keep scrolling