Manoel Carlos Pires Profile picture
Pesquisador da FGV/IBRE e da UnB. Professor da FGV/EPPG em Brasília e Coordenador do Observatório de Política Fiscal. Interesse: política econômica.

Sep 8, 2019, 11 tweets

Em um debate, existem argumentos bons e ruins. O @FelipeSalto
escreveu um artigo defendendo o teto com argumentos que devem ser debatidos. Esse aqui faz o mesmo com evidencias esdrúxulas.
Análise: Por que o governo deve cortar gastos para o Brasil crescer? www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/0…

@FelipeSalto Sobre evidências esdrúxulas, o fio: Quem discute a política fiscal de 2015 não argumenta que o multiplicador é 4. O faz reconhecendo que esse foi um elemento como também foi a queda de commodities, aumento de juros, dentre vários outros. Criaram (mais) um espantalho.

@FelipeSalto Sobre a expansão fiscal de 2016: o impulso fiscal se deu no último trimestre do ano. Os efeitos só poderiam ser sentidos em 2017. Correlacionar o impulso fiscal de 2016 com o PIB de 2016 induz a erro em um ano de forte carregamento estatístico.

@FelipeSalto Ninguém vai argumentar que a expansão fiscal de 2016 também foi o único vetor de crescimento. Tivemos redução de juros, safar agrícola, mudança de metodologia do PIB e cenário internacional melhor com aumento de commodities. Essa argumentação só induz a um raciocínio errado.

@FelipeSalto Sobre multiplicadores fiscais: quando se conjuga a evidência de dívidas elevadas com países em recessão e política monetária mais flexível, os limites de dívida que tornam a política fiscal ineficaz são mais elevados.

@FelipeSalto Para países emergentes, há que considerar que a política fiscal tende a ser pró-cíclica (viés do multiplicador para baixo) e a gestão como dívida a vencer no curto prazo e percentual de dívida externa. No geral isso não é feito e são fatores que abrandam a restrição fiscal.

@FelipeSalto Mas a questão principal: é possível defender a reforma da previdência, administrativa, tributária, como faço o tempo todo e mesmo, o teto de gastos, sem forçar tanto a barra. Depois de ver esses três argumentos simplesmente desisti de ler o resto do artigo, uma perda de tempo.

@FelipeSalto As referências para os interessados: Austerity, do Alesina e outros que compila seus resultados. Fiz uma resenha aqui dos consensos e dissensos:
…ervatorio-politica-fiscal.ibre.fgv.br/posts/austerid…

amazon.com.br/s?k=austerity&…

@FelipeSalto Sobre multiplicadores e nível de endividamento e recessão:
econstor.eu/bitstream/1041…

@FelipeSalto Sobre efeitos macroeconômicos de gestão da dívida, uma referência antiga mas que ainda segue sendo a bíblia:
amazon.com.br/Does-Managemen…

@FelipeSalto Conclusão: em economia fraca e dívida elevada, as evidências recomendam preservar gastos produtivos, reformar o longo prazo (previdência e administrativa). Na tributação, focar em isenções tributárias e progressividade com pequeno sobre atividade. Difícil, mas é o correto.

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