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A delícia de viver o carnaval do Rio de Janeiro, na rua ou na Sapucaí. Por Bernardo Pilotto.

Jun 5, 2020, 12 tweets

20 ANOS SEM JOÃO NOGUEIRA

Há exatos 20 anos, aos 58 anos, falecia João Nogueira, devido a um infarte. Cantor e compositor, autor de grandes sucessos da música brasileira como “Espelho”, “As Forças da Natureza”, “Minha Missão” e “Poder da Criação”, João morreu em 05/06/2000.

Nascido no Meier, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em 1941, João teve contato logo cedo com a música, a partir de seu pai João Batista Nogueira e de sua irmã, Gisa Nogueira. Aos 15 anos, já compunha músicas para o bloco Labareda, que agitava as ruas do bairro.

Sua carreira profissional começou a deslanchar quando Elizeth Cardoso gravou “Corrente de Aço” em 1969.

Nos anos 1970 encontrou seu principal parceiro, Paulo César Pinheiro. Com ele, compôs alguns de seus maiores sucessos.

Nessa década e na seguinte João também consolidou sua carreira como cantor, gravando 15 álbuns entre 72 e 88. Entre esses, destacam-se “Espelho”, “Boca do Povo” e “Wilson, Geraldo, Noel”.

Com uma forma própria de frasear as músicas, João era craque em cantar sambas sincopados.

Além da sua contribuição como cantor e compositor, João também foi um combatente a favor da cultura popular e das causas democráticas. Em 1979, fundou o Clube do Samba, um espaço de valorização do gênero, que naquele momento era deixado de lado em troca da música pop/dance.

O Clube começou a funcionar em sua casa e depois foi se expandindo. Posteriormente, virou um bloco de carnaval, que até hoje faz seus desfiles.

A partir daí, conectado com as lutas democráticas que sacudiam o país, João lançou uma série de músicas que abordavam estes temas.

Além da sua participação no Labareda e na transformação do Clube do Samba em bloco de carnaval, João também teve intensa relação com as escolas de samba. Em 1972, foi admitido na Ala de Compositores da Portela (para tal, apresentou o samba “Sonho de Bamba”).

João ficou na Portela até 1984, quando fez parte do grupo que saiu da escola para criar a Tradição.

Nos primeiros anos da nova escola, João foi fundamental. Ele é um dos autores dos 5 primeiros sambas-enredo da escola, momento que a agremiação subiu da 4ª até a 1ª divisão.

O primeiro samba-enredo, “Xingu”, de 1985, se insere no contexto das lutas democráticas daqueles anos.

Além da sua participação na Portela e na Tradição, João também desfilou em outras escolas, como a Mangueira, quando esta homenageou o amigo Chico Buarque, em 1998.

Nos anos 1990, João seguiu gravando álbuns e compondo, ainda que já com alguns problemas mais sérios de saúde e num momento que as gravadoras andavam desprezando o samba mais até do que em outros momentos.

Nos anos 1990, tivemos os excelentes álbuns “Parceria – João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro” e “Chico Buarque, Letra & Música”.

Ao falecer, João deixou um grande legado, nos seus álbuns e nas suas ações concretas. Segue vivo, pois é sempre lembrado nas rodas de samba e nos carnavais.

Texto disponível no @esquerdaonline: esquerdaonline.com.br/2020/06/05/sam…

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