Quem tem berço no Brasil?
Ontem não consegui postar o video sobre os casos dos 2 Matheus. Não consigo lidar com mais “casos isolados” de racismo. Esses acontecimentos são exemplo das feridas sociais e do não tratamento das feridas históricas do racismo e da escravização.
Nesse contexto de pandemia, em que temos que lidar com perdas diárias e desgoverno, o racismo não descansa.
Matheus são jovens que, como tantos outros, tem buscado alternativas de sobrevivência na ausência de política pública de emprego para os jovens periféricos e negros.
Jovens que, numa relação de trabalho de superexploração, passam cotidianamente pela impossibilidade de ter o direito de isolamento social, por microviolências e por casos de racismo.
Urge uma reflexão da branquitude sobre a perversidade de suas ações e sua responsabilidade nos processos de violência.
Na Ilha do Governador o jovem Matheus foi agredido e teve arma apontada na sua cabeça pois foi trocar o presente de aniversário de seu pai.
Em São Paulo, Matheus foi agredido verbalmente por um outro Mateus que refletia a branquitude que se sustenta em Berço e do dinheiro acumulado por gerações de exploração e violência dos corpos negros.
A família do agressor usou da alegação de insanidade para justificar o agir racista, o que inclusive é extremamente doloroso pois racismo não é sintoma de esquizofrenia. Não existe mais espaço para herdeiros meritocratizados vomitarem seus discursos de ódio.
O racismo é perverso pois sustenta racistas que inclusive herdaram de berço o gosto pela violência contra o povo negro e a riqueza.
Enquanto Matheus foram agredidos, violentados e necessitam continuar se colocando em risco dia após dia sem qualquer garantia trabalhista, o agressor volta para seu condomínio e vai passar os dias tranquilos sendo tratado.
Avisa lá que nós não descansaremos! #RacistasNãoPassarão
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