POR QUE ESSA ELEIÇÃO NÃO SERÁ COMO AS ANTERIORES??? Segue o🧶
Esquecendo a pandemia e seus efeitos, vamos às regras eleitorais.
este ano temos
FIM DAS COLIGAÇÕES PROPORCIONAIS + CLÁUSULA DE BARREIRA
A cláusula de barreira já é conhecida, ela operou em 2018. Os partidos tinham que atingir 1,5% dos votos (dentre outros requisitos) para poderem se manter. Quem não atingir, fica com restrições de estrutura no Congresso, perde acesso a parte do fundo partidário e tempo de TV.
Porém, como esse ano teremos o Fim das Coligações Proporcionais, isso significa que eles não podem mais se ajuntar com um partido maior para a disputa de cargos de deputado e vereador.
A combinação AO MESMO TEMPO dessas duas regras é a maior mudança eleitoral desde sempre
Ou seja: é cada um por si agora, meu parceiro.
Cada partido vai ter que atingir o QP (Quociente Partidário = número de cadeiras que o partido tem direito ao final das eleições) com suas próprias pernas.
Em sendo mais difícil atingir o QP e com a cláusula de barreira no cangote, os partidos vão mudar seu comportamento no tabuleiro.
A eleição pra prefeito tende a ser fragmentada, já que todos mundo vai ter que lançar um candidato a prefeito pra conduzir o apelo a votar na bancada
Já entre os vereadores, os partidos buscarão atrair pessoas de grande projeção na sociedade para ser o puxador de votos principal, e os candidatos vão tentar filiar o máximo de gente possível nos partidos (para conseguir mais força na disputa interna, como sempre fazem)
Vai ser ainda uma eleição de prato cheio para outsiders (gente de apelo popular mas sem histórico partidário ou político)
O objetivo final é sobreviver à cláusula de barreira e chegar melhor bem posicionado para o FERVO de 2022.
2022 será uma eleição dura para os partidos.
Porque a coisa ficará ainda mais difícil. A cláusula de barreira sobe para 3% (com requisitos ainda mais restritos)
Vai ser uma terra arrasada para os nanicos. Muitos partidos vão se fundir para não morrer esturricados, sem fundo.
Em resumo, cada partido agora terá de se comportar como um partido mesmo, e pensar na própria vida.
Não vai acontecer mais aquela clássica do seu voto eleger um fulano que você nunca ouviu falar, de outro partido, que você sabia que tava ajuntado no partido do seu candidato.
Outra clássica: trocar o tempo de TV do partido nanico pela entrada dele na coligação.
O partido nem usa o tempo de TV e se concentra em apenas ter mais votos individuais que os candidatos do partido principal da coligação (para ser puxado por ele).
Sim, parece uma sacanagem e é. Todo candidato ao legislativo acaba concorrendo mais com seus semelhantes da mesma coligação do que com candidatos de outros partidos.
A vida não é fácil.
Coligações majoritárias ainda podem ocorrer. O candidato a prefeito pode fazer alianças (ou prometer secretarias, ou qualquer outro arranjo) a partidos menores para incorporar seu tempo de TV.
Tempo de TV perdeu a importância no Brasil de 2020 pra cá. Arrisco dizer que o que vale agora é ter um exército aguerrido de militantes pra encher o saco dos coitados dos eleitores no Zap.
Não há regulamentação nesse terreno, é terra sem lei.
Claro que seu voto ainda pode eleger um fulano que você nunca ouviu falar, mas este ano ao menos esse fulano será do partido que você escolheu.
Por isso, em 2020, não basta apenas escolher o seu vereador, é bom dar uma olhada no conjunto do time que o partido está lançando.
Afinal o fenômeno dos puxadores de voto continua de pé.
A vantagem é que agora para o cara ser "puxado", ele terá que ter EM SEU NOME pelo menos 10% dos votos necessários para ganhar uma cadeira. Isso elimina um monte de fulanos.
Basicamente quando você vota para vereador ou deputado, você tá depositando 2 votos na urna:
1) é os dois primeiros dígitos que você escolhe o partido
2) é o número específico do candidato. Esse voto que vai determinar o ranking interno do partido e qual será a fila
Se você só preenche (1), seu voto vira um voto genérico na legenda, que não interfere na fila do partido. Basicamente você tá dizendo que confia nos outros eleitores para escolher a fila.
Quando você preenche (2) você afirma que o seu candidato é o cara, o primeiro da fila.
É por isso que chama sistema proporcional de lista aberta. Porque não é cacique do partido que decide quem entra ou não no parlamento.
Com a regra dos 10%, é fácil entender porque os candidatos estão desestimulando o voto em legenda. Voto nominal é sempre muito melhor para eles.
É isso.
Espero ter ajudado a entender melhor por que esse ano teremos um montão de candidatos, muitos outsiders, candidatos a prefeito sobrando, alianças majoritárias frágeis e dor de cabeça para os institutos de pesquisa.
E, por fim:
Desative as notificações do Zap. 🧶
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