Ontem o sinistro @rsallesmma revogou as restrições no Conama para, simplesmente, promover o turismo em áreas de preservação. Não sei como você consegue encostar a cabeça no travesseiro a noite e dormir.
Por isso eu vou explicar as consequências desse ato repulsivo #BoiadaNão
Antes de tudo vou exemplificar o que ele fez: Salles acabou com as normas de proteção ambiental, pois segundo ele, isso atrapalha a vida dos empresários (coitados, tem tão pouco, né?!).
Ele “passou a boiada” ao retirar a proteção sobre 1,6 milhões de hectares de restingas e manguezais que eram protegidos pelo Conama, com isso ele deu passe livre para os setores: imobiliários, turístico e pesca de crustáceos. E não, o Código Florestal n gera atrito entre o Conama
Vale ressaltar que a maior extensão contínua de manguezais do mundo acontece aqui no Brasil, ficando no terceiro lugar no pódio de países com maior área de manguezal.
Vou explicar algumas questões socioambientais referentes aos manguezais que, podem e vão, piorar com a retirada do Conama:
- Desmatamento:
Desde que o mundo é mundo a humanidade desmata sem piedade. Nas áreas de manguezais também não é diferente: isso ocorre desde o século XVI, porém nessa época o corte das árvores ocorria para a obtenção de tanino - tinta utilizada para tingir tecidos. +
Contudo, hoje ocorre construções de empreendimentos com frequência, o que acarreta no desmatamento em massa, o qual gera infiltração e lançamento de esgoto doméstico e industrial nos manguezais.
- Recursos Hídricos:
Os rios possuem enorme influência, uma vez que interferem na paisagem dos manguezais, visto que esse ecossistema está sujeito a inundações do regime das marés. +
Quando a bacia hidrográfica sofre interferência natural no ecossistema a própria natureza dá seu jeitinho de aguentar o fluxo de matéria e energia, já que a vegetação é adaptada para arrimar esses processos. +
Contudo, quando o solo fica sem vegetação nada o segura: a água arrasta boa parte do solo para o rio, ocasionando a erosão.
- Aterros:
O aterro é o responsável mais comum pelo desaparecimento de grandes extensões desse ambiente. Um exemplo disso são as várias ocupações do solo fluminense, as quais tiveram grandes parcelas de áreas de manguezais drenadas e aterradas.
Em todo o Estado do Rio de Janeiro os aterros são ligados à ocupação urbana, a qual está interligada a ignorância da população sobre a importância desse ecossistema e a valorização de áreas à beira-mar. +
Um conceito totalmente equivocado sobre os manguezais é que são considerados áreas de proliferação de mosquitos, fétidas e boas para jogar lixo e esgoto, e devido essa ignorância, houve favorecimento à destruição de grandes áreas. +
Quando esse ambiente é aterrado, sua valorização passa a ser grande por toda vibe de morar em frente à praia, por isso a construção imobiliária de condomínios, pousadas e hotéis é tão grande. +
Os danos exercidos pelos aterramentos podem ser: morte da população animal; alteração do padrão de circulação das águas nos manguezais e aceleração da sedimentação ocasionando a morte da vegetação e o aumento da taxa de deposição de sedimento.
- Esgoto doméstico e industrial:
O crescimento da população que mora à beira mar vem crescendo cada dia mais, com isso o número de indivíduos expostos as águas contaminadas é cada proporcional , sendo assim, motivo de preocupação para a saúde pública.
Os despejos lançados no ecossistema causam impactos, como: poluição e contaminação das águas, morte de animais aquáticos e da vegetação de mangue, contaminação de animais aquáticos, redução da quantidade de oxigênio da água e saúde das comunidades que interagem com o ecossistema.
- Pesca predatória:
A destruição do manguezal e de áreas de estuário podem causar uma grande queda na produção pesqueira, na alimentação e nas oportunidades de empregos das pessoas in loco.
Técnicas de pesca predatória empregadas nestes ambientes favorecem a destruição do manguezal: arrasto de rede no fundo dos canais, laço, redinha, gás, óleo queimado e ratoeira.
O uso dessas técnicas quebram as tradições das comunidades das áreas de manguezais, pois são feitas por imigrantes, assim ,descaracterizando a pesca de subsistência.
- Impactos nas comunidades pesqueiras:
Há tempos que o homem desfruta do manguezal para sua sobrevivência, todavia eram protegidos por diversos diplomas legais.
Os catadores de caranguejo ou caranguejeiros se destacam pelo trabalho exclusivo nos manguezais. Mestres na captura do caranguejo-uçá, Unides cordatus, eles usam, técnicas tradicionais, como: tamponamento, braceamento (usando a mão ou pé) e o apanhe manual no período da andada.
- Impactos de petróleo e seus derivados:
Os manguezais possuem alto nível de resiliência, contudo em casos de derramamento de petróleo e outros fatores considerados acima, essa resiliência é afetada diretamente pelo tempo em que o óleo ficará no local.
Podemos concluir que os efeitos do homem nos manguezais são variáveis, sem padrão de comportamento, levando em consideração as variações de estrutura, funcionalidade e dinâmica do ecossistema.
Sendo assim, é necessário avaliar de forma cuidadosa cada situação específica para que não piore a degradação do sistema afetado.
Fontes:
> Manguezais: educar para proteger, Secretária de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rio de Janeiro, 2001.
> Atlas Manguezais do Brasil, Ministério do Meio Ambiente, ICMBIO, Brasília, 2018.
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