Conrado Hubner Profile picture
Professor de Direito da USP @de_USP, Doutor em direito pela Universidade de Edimburgo @UoELawSchool, doutor em ciência política pela USP

Jun 26, 2021, 14 tweets

Resumão do xxxésimo crime de responsabilidade (autoria desconhecida)

Precisamos desenhar:

1- Ricardo Barros nomeou a servidora que autorizou o contrato irregular, quando ainda era Ministro da Saúde.

2- O Governo Bolsonaro recusou sistematicamente a compra de vacinas com eficácias mundialmente reconhecidas e ainda acrescentou que “não iria atrás de nenhuma empresa para adquirir vacina; elas, as empresas, que viessem atrás”.

3 - Ricardo Barros, líder do governo, incluiu emenda para permitir a compra da vacina indiana, que sequer havia sido aprovada pela Anvisa, em detrimento de vacinas já disponíveis.

4- Governo assina contrato de compra com a empresa indiana, por valor muito superior às demais e com eficácia bastante duvidosa até mesmo na Índia e recusada nos países mais desenvolvidos, mesmo alertado formalmente de tal fato pelo embaixador do Brasil na Índia.

5- A compra da vacina é intermediada por uma empresa nacional: a Precisa.

6- Ricardo Barros é réu em ação de improbidade com a sócia da mesma empresa.

7- Flavio Bolsonaro participou de reunião no BNDES acompanhando o dono da empresa Precisa, sem qualquer justificativa.

8- O contrato de compra da vacina é assinado e um servidor público verifica a ocorrência de fraude no invoice, que previa o pagamento adiantado a uma empresa que não integrava o contrato.

9- O irmão do servidor público, deputado federal da base do governo, participa de reunião presencial com Bolsonaro e o informa da fraude;

10- Bolsonaro imediatamente afirma que é “coisa do dep federal Ricardo Barros, seu líder na Câmara, e que se mexer nisso vai dar merda”

11- Presidente afirma que vai oficiar imediatamente a Polícia Federal, mas permanece omisso e o contrato continua vigente, não adotando nenhuma providência.

12 desvio de mais de 200 milhões de reais, com transferência para offshore em Cingapura, somente não ocorre pque o servidor concursado se recusa a assinar e sofre grande pressão de superiores, nomeados pelo Governo Bolsonaro, para efetuar o pagto, mesmo alertado da ilegalidade

13- Bolsonaro, então, determina que a Polícia Federal investigue o servidor e instaure procedimento administrativo em seu desfavor.

14 Durante depoimentos na CPI, Fred Wassef, advogado da família Bolsonaro, que defende Flavio no processo criminal da rachadinha e

escondeu Queiroz, assessor parlamentar e operador de Bolsonaro e seus filhos em sua casa, mesmo afirmando em diversas entrevistas que não sabia onde ele estava, comparece para acompanhar pessoalmente a CPI

15- Nesse meio tempo, mais de meio milhão de brasileiros de todas idades,

mais precisamente, 511.142, morreram por ausência de vacina, porque o Governo recusou sistematicamente a compra com eficácia comprovada pelo valor de R$15,85 para adquirir vacina não aceita nem mesmo na Índia por R$75,25, com um único objetivo: enriquecer 200 milhões de reais

Ricardo Barros é desses que defende o nepotismo em nome da família:

"O poder público poderia estar mais bem servido, eventualmente, com um parente qualificado do que com um não parente desqualificado"

Surprise surprise: esposa nomeada em conselho de Itaipu

Tire estabilidade dos servidores e realize o sonho do autocrata

Saem servidores como Luis Ricardo Miranda, que se recusam a assinar ilegalidades, custe o que custar, e ficam os servos invertebrados: Ricardos Barros e Salles, Weintraubs, Martins, a melhor cepa do gene brasileiro

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