A Eternit propõe indenizar vítimas do amianto com ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo. Além de causar doenças, mortes e desgraçar famílias, está estimulando que se tornem também vítimas da “Síndrome de Estocolmo”.
Aprovamos a primeira lei do Brasil de banimento do amianto há mais de 15 anos, e que só em 2017 foi finalmente considerada válida pelo Supremo Tribunal Federal. Foi uma grande Vitória.
Além disso, aprovamos outra lei estadual, também referendada pelo Supremo, que responsabiliza as empresas a custear todos os tratamentos de saúde para os trabalhadores e trabalhadoras expostas ao amianto.
E a parte da substituição do uso do amianto andou bem aqui no Rio. A gente conseguiu a retirada do amianto que o Metrô usava nos freios, e no revestimento dos dutos da Reduc (Refinaria Duque de Caxias) – que contaminaram muitos trabalhadores.
E por aí foi. A última a ter que abolir o uso do amianto na fabricação de caixas d’água e telhas, entre outros produtos, foi exatamente a Eternit.
Mas a lei que determina as indenizações, o custeio da saúde, essa é muito mais difícil de fazer cumprir.
Nós apoiamos a Abrea (Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto) em várias ações na Justiça do Trabalho, junto com o Ministério Público. Algumas foram vitoriosas, outras se arrastam. E as muito vitoriosas implicam em indenizações pesadas.
E agora eles estão alegando recuperação judicial para querer pagar com ações! Pelo amor de Deus, isso devia ser o primeiro item a ser pago com os ativos da empresa.
Qualquer lei de recuperação coloca em primeiro lugar as obrigações judiciais em relação à saúde, depois, as questões salariais e, no fim da fila, os credores comerciais.
Querem empurrar as pessoas que perderam parte da vida ou a vida inteira para o fim da fila e ainda mais pagar suas indenizações em ações!
Isso é pornográfico!
exame.com/negocios/etern…
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