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Gabriel Thread🏴 @gabrieldread
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A ameaça de despejo de 450 famílias agricultoras do Acampamento Quilombo Campo Grande do @MST_Oficial

(thread sobre os direitos desse acampamento da reforma agrária e o boicote de marcas de café que estão contra a agricultura familiar orgânica e agroecológica) Agricultor com boné da Cut faz o manejo de uma planta de café em frente a uma produção linda
O acampamento Quilombo Campo Grande é uma ocupação do @MST_Oficial que já existe há 20 anos e conta com 450 famílias e mais de 2 mil pessoas no município de Campo do Meio, no sul de Minas Gerais. Acampados do MST em assembleia
Os acampados estão ocupando há 20 anos um terreno pertencente a Usina falida Adrianópolis, da Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (CAPIA), que encerrou suas atividades em 1996, embora ainda possua dívidas trabalhistas que ultrapassam R$ 300 milhões. Militante do Acampamento se levanta em uma audiência e aponta pra frente
O Quilombo Campo Grande possui quase 4 mil hectares de terra e conta com 11 acampamentos organizados na área. São 550 hectares de café já plantado e sendo produzido. No ano de 2018, as famílias do Acampamento tiveram uma produção em torno de 8500 sacas de café. Mulheres trabalhando na horta
“Um grande diferencial é que nosso café é um produto puro. Nós realizamos o processo de classificação, separamos por lote, por qualidade. Não existe mistura: é um café 100% arábico sem nenhum produto que altere seu sabor original.”
Roberto Carlos do Nascimento, acampado do MST Agricultor manejando planta de café
A região, conhecida por ser a maior produtora de café do Brasil, é berço do café orgânico e agroecológico Guaií, fruto do trabalho das famílias que ocupam o terreno desde 1998. Roberto Carlos é diretor da Cooperativa Camponesa, que assina a marca do café Guaií, orgânica há 8 anos Pacotes de café da marca Guaii
"No ano de 2018, nossas famílias tiveram uma produção em torno de 8500 sacas de café. Para esse fim de ano, estamos com a previsão de plantar em torno de 400 hectares de café, tendo a possibilidade de alcançar um total de 1000 hectares de café no próximo plantio”
Roberto Carlos Viveiro de mudas
Apesar de ocuparem o terreno há mais de 20 anos e da grande produção agroecológica, no início de novembro, uma liminar de despejo foi aprovada pelo juiz Walter Zwicker Esbaille Júnior. Se a decisão for confirmada, após esgotamento dos recursos, as famílias têm sete dias pra sair. Foto dos acampados andando e passando por uma bandeira do MST e outra do Brasil
Para debater os riscos inerentes da retirada das famílias à força, uma audiência pública foi realizada nesta quinta-feira (22), no Espaço José Aparecido de Oliveira, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Foto da assembleia com muitos acampados
Na audiência na Assembleia Legislativa de Minas, os acampados do Quilombo Campo Grande estiveram de frente com alguns cupinchas do agronegócio. Teve vaia e indignação, mas os apoios foram muito maiores. Agricultor indignado
As famílias denunciaram os interesses econômicos do barão do café, João Faria, que seria o financiador do conflito. A empresa Jodil, pertencente ao fazendeiro quer arrendar a terra para expandir seu cafezal, que faz divisa com o acampamento. Isso justificaria a liminar de despejo
O procurador de justiça Afonso Henrique de Miranda Teixeira defendeu que o Tribunal de Justiça de MG reverta a decisão:
“Tudo que falamos aqui, não vem por razão ideológica. Não se tem a menor dúvida de que quem imprimiu função social a essa propriedade foram esses trabalhadores"
Sobre a limitação do direito à propriedade privada e a função social de imóveis garantidas na Constituição Cidadã de 1988, fiz uma thread e um artigo no @IrradiaLuz só sobre isso, leia:

“A área, hora em disputa, pertenceu a uma usina que tem muitas dívidas. Os trabalhadores são credores da empresa. Essas pessoas que estão ameaçadas de despejo têm direitos”, destacou Romi Márcia Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
Silvio Netto e Débora Mendes, ambos da direção do MST, representaram as famílias acampadas. Eles apresentaram um laudo técnico realizado pela Universidade Federal de Alfenas, no qual consta todos os dados da produção na área e as benfeitorias feitas pelos sem terra há 20 anos.
🤓📈Alguns dados sobre o acampamento Quilombo Campo Grande:

•450 Famílias, 184 delas naturais do município.
•134 famílias trabalharam ou têm algum familiar direto que trabalhou na Usina falida
•418 casas de alvenaria
•70 micro agroindústrias
•1.786.348 pés de café
•69 ha de horta
•1.268 cabeças de gado
•73.217 árvores de fruto plantadas
•29.393 árvores nativas plantadas
•1.187 hectares de lavoura
•2.429 m² de tanques de peixe Foto do Acampamento visto de cima. Muito verde e diversas casas
• 297 casas com energia elétrica
• 1.216 suínos
• 23.784 galinhas
• 173 equinos
• 322 caixas de abelhas
• Estimativa de valor 28 milhões de reais
O representante do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Carlos Magno Silva Fonseca, se pronunciou contra a liminar: “todo direito coletivo é superior ao direito privado, qualquer ação de despejo é violação dos direitos previstos na constituição”.
A Comissão fará uma diligência ao acampamento, seguida de audiência pública com os agricultores e sociedade civil, na próxima segunda-feira (26). Participam os deputados federais do PT Valmir Assunção, Luiz Couto, João Daniel e Padre João, além do Ministério Público.
A desembargadora, Márcia Milanez, do Tribunal de Justiça de Minas, afirmou que levará os documentos e os elementos debatidos na audiência até o presidente do TJMG.

As 450 famílias ficam aguardando a decisão da justiça, que coloca em risco esse trabalho de 20 anos.
O Decreto Estadual n.º 365/2015 desapropriava 3.195 hectares da falida Usina Ariadnópolis. O documento tinha como proposta desapropriar a área mediante o pagamento de R$ 66 milhões aos empresários.
Há dois meses, as famílias do Quilombo Campo Grande chegaram a firmar um acordo em que o Estado se comprometia a pagar o valor em cinco parcelas.

Porém, acionistas da empresa, apoiados pela bancada ruralista e latifundiários, pediram anulação do decreto.
Através de uma operação jurídica, os empresários retomaram uma liminar de despejo de 2012 referente à falência da usina e que estava parada há mais de um ano. Foi justamente essa a liminar aprovada pelo juiz Esbaille Júnior em 7 de novembro, que foi alvo da audiência na ALMG.
Acampados do Quilombo Campo Grande levaram toneladas de alimentos em frente ao Fórum para mostrar que o terreno gera trabalho e renda.

A população local manifesta muito apoio aos sem-terra, e, inclusive, empresas do município organizam um abaixo-assinado contra o despejo. Alimentos arrecadados pelos sem terra
A TeleSUR fez uma reportagem que conta um pouco dessa ameaça que o acampamento Quilombo Campo Grande está sofrendo, confira:

O empresário João Faria, que está à frente desse ataque ao acampamento, tem muitas fazendas, mas não gera mto emprego. No terreno vizinho, produz café amargo com agrotóxico em milhares de hectares com apenas 50 trabalhadores. Ele é o principal poluidor das águas do lago de Furnas
🤝🏿Quer apoiar?

O acampamento Quilombo Campo Grande listou o contato das empresas que compram o café amargo do João Faria.

Que tal mandar um recado pra Nestlé, Pilão, Caboclo...?

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A produção convencional de café é uma chuva de agrotóxico.

Aproveita, boicote o veneno e compre café orgânico, do MST, da agricultura familiar ou dos quilombolas e incentive o Brasil e o mundo que a gente precisa.
Fontes:

Boletim #6 do Acampamento Quilombo Campo Grande

Site do @MST_Oficial mst.org.br/2018/11/22/aut…

Brasil de Fato
brasildefato.com.br/2018/11/22/con…

Fotos: Israel Oliveira, Dowglas Silva, Marcelo DiCarli, Douglas Mansur, Coletivo Corrente Cultural e divulgação MST.
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