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Felipe B @felipebvisuals
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Claas Relotius (na foto), 33, é um premiado repórter alemão. Foi demitido da @DerSPIEGEL em 19/12. Descobriram que inventava até os diálogos de suas matérias para a Spiegel, e também Süddeutschegazin, Financial Times Deutschland, Die Welt e Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung
Lembra muito o caso Jayson Blair, do @nytimes. Só que dessa vez o caboclo é branco e europeu. Premiadíssimo. De freela passou a editor na Spiegel. Anotem: não é o único. Trabalhei em algumas das mais importantes redações do Brasil, como editor e repórter: vi vários assim.
Qual é a solução, quando até mesmo o jornalismo profissional das mais importantes redações do mundo inventa histórias, como o mais canalha dos blogueiros ou Youtuber? Leitores mais preparados. Com um olhar mais crítico. Já não basta a mediação e curadoria. É preciso saber mais.
A bola está com o cidadão que precisa de informações. Pior do que #FakeNews com propósito de manipulação política e social, notícias falsas criadas pela vaidade de um profissional são ainda mais nocivas. É preciso criar mecanismos de verificação interna para TODOS os conteúdos.
E essa verificação da "verdade" vai, necessariamente, passar pelo uso da #AI, combinada com #MachineLearning e #DeepLearning, escrutinando as "fontes" e a redação, como fazemos com o volume de informação em cenários de #BigData. O sistema cria "índices de veracidade" no texto.
Ou seja: o sistema de apoio ao jornalista além de facilitar a apuração e redação célere, também será capaz de apontar se o repórter fez uma transcrição correta do material gravado, se foi fiel ao contexto do que disse a fonte ou entrevistado e se a redação final condiz com fatos.
Caberá ao editor liberar ou não a publicação do conteúdo, com índices aceitáveis de veracidade decidida pela diretoria de cada publicação. Textos cujo os indicadores apontem acuidade factual abaixo de 90% deverão ser revisados antes da publicação. Quem for pego mentindo, demitido
Os sistemas deverão ser auditados e ao assinar contrato com uma publicação, o jornalista ficará ciente dos critérios de análise digital do conteúdo que vier a produzir, em qualquer meio. Arcará com as consequências se insistir em criar histórias falsas, seja por burrice ou má fé.
Enquanto tivermos jornalistas criminosos e mentirosos, essa turma babaca que apoia tudo que Bolsonaro fala vai ganhando massa crítica e elementos para acusar a imprensa. Cabe a imprensa criar com URGÊNCIA novos padrões de excelência, independentemente do meio de expressão.
Uma contratação de jornalista precisa ser extremamente rigorosa. Testes exaustivos, incluindo a detecção de características comportamentais que indiquem a tendência a enganar e mentir para obter vantagem pessoal. Estabelecer novos parâmetros de conduta e debriefing aos superiores
Agora imagine: se com a pressão de uma redação, aí da tem jornalista que escolhe mentir e enganar o leitor não quero nem imaginar no volume de coleguinhas picaretas que trabalham por conta própria. Claro, a maioria é responsável e pautada pela ética. Mas tem canalhas soltos.
Olhos e ouvidos bem abertos em relação ao que assiste, lê e escuta. E jamais repasse e compartilhe conteúdo sem fazer #factchecking. Mesmo em transmissões ao vivo, rs. O caboclo vai falando e a gente dando Google ou com script em Python analisando bases de dados simultaneamente.
Quando se trata de imagens, tudo piora: a grande maioria das pessoas é incapaz de discernir se um vídeo é verdadeiro ou falso. Até mesmo analistas forenses podem ser enganados com extrema facilidade por editores e especialistas em FX. E as pessoas compartilham vídeos como "prova"
E ainda usam o bordão sem sentido algum no século 21 "uma imagem vale por mil palavras". Fia, não vale nem 280 caracteres. Preste atenção no que compartilha apressadamente como #VERDADE. Vídeos NÃO provam NADA sem a devida apuração de origem, contextualização e verificação.
Nessa era na qual imagens de CCTV, veiculadas pela internet, imprensa ou distribuídas pelo WhatsApp transformaram todos os receptores da informação em promotores de justiça e juízes executores, é preciso discernir antes de agir relativamente. Bom senso é fundamental.
A @DerSPIEGEL explicou aos leitores (e pediu desculpas) como permitiram que um mentiroso enganasse a redação por tantos anos. Adoraria que a imprensa brasileira adotasse a mesma medida. Seria mais fácil dissipar as "teorias" do bizarro fandom de Bolsonaro.
spiegel.de/kultur/gesells…
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