, 252 tweets, 43 min read Read on Twitter
Ok, esse vai ser o começo. Eu queria deixar pra fazer um vídeo mas isso ia demorar e depois de ver um stream da @fravineas e o nível de total desconhecimento sobre o assunto por parte dela e do chat é demais pra minha ansiedade. Eu vou focar em corrigir a noção feminista
e refutar todas as falácias feministas e provar que as narrativas feministas de todas as vertentes são falsas e intencionalmente falsas. Eu vou falar do histórico do feminismo e por consequência vou ter que incluir as sufragistas, mas eu vou deixar as questões filosóficas
sobre o que era a teoria feminista, sobre os livros das primeiras feministas que desenvolveram essa teoria, pra um vídeo, porque é muito material.

Mas antes de eu sequer começar eu tenho que falar sobre lógica, racionalidade, debates e argumentos, porque no Brasil
há uma ignorância gigantesca sobre métodos críticos. O sistema brasileiro de educação há muito tempo é totalmente centrado ao redor de memorização de duas ou três disciplinas, com o objetivo de passar em vestibular ou em concurso público. O brasileiro nunca aprendeu a pensar
Ele não sabe como ver algo e processar na cabeça dele o que exatamente ele discordou daquilo, ele não consegue articular sua própria posição, porque o brasileiro não pensa, ele sente. Ele nunca foi ensinado a estrutura básica de um debate, ele nunca foi ensinado o que compõe
um argumento. Ele acredita que falar a opinião dele é um argumento, ele acredita que chamar quem ele discorda de idiota é um argumento. Ele nunca aprendeu o que é uma falácia lógica e como consequência qualquer tipo de discussão brasileira sobre qualquer pauta é simplesmente
recheada de falácias, por todos os lados e posições. Esse é, na minha opinião, um dos maiores problemas sociais do Brasil e o efeito disso é simplesmente gigantesco e afeta a evolução de todos os setores de produção.

Eu vou tentar explicar mais ou menos a estrutura de um debate
É melhor me darem mute aí porque eu vou spammar muito todo mundo que me segue, desculpa aí.
Eu não gosto de ter que focar nisso porque nesse ponto 90% das pessoas já pararam de ler, mas isso só ilustra o problema então não vai ter jeito.
Um debate é uma comunicação entre
duas ou mais partes que diferem em alguma posição, seja essa qual for. O debate precisa ser voluntário, as duas partes precisam estar dispostas a se engajarem na discussão de forma civil e sem usarem falácias. O debate é regido pela lógica argumentativa. Em outras palavras
a sua experiência, ou "vivência", vai quase sempre ser irrelevante em um debate, porque qualquer experiência pessoal não é objetiva. Feministas particularmente possuem um grande problema com isso.
Eu quero deixar claro, a sua vivência é importante, você como pessoa é importante
Eu quero ouvir o que você tem pra falar, eu me importo com o que você passou e eu entendo que isso molda totalmente suas crenças.
Mas nesse momento em questão, e em debates sobre o feminismo, nós não estamos falando sobre você. Pra falar sobre algo tão grande como uma das
maiores ideologias do mundo, sem duvidas a mais popular, e sobre a imensa complexidade envolvida em algo como isso, nós temos que nos ater aos fatos.
Eu entendo completamente o que você sente sobre o feminismo, você se sentia insegura e ameaçada em um mundo indiferente
e ao descobrir o feminismo isso trouxe um conforto imediato, que agora você sentia que tinha pessoas que se importavam, que você tinha voz.
Só que a sua experiência pessoal com o feminismo não define o feminismo.
A história objetiva define o feminismo, as posições das
feministas originais, da maioria feminista, das feministas ocupando as maiores instituições feministas do mundo, essas que retém todo o poder, dinheiro e influência, são essas que definem o feminismo. E portanto eu estarei focando nessas feministas. O feminismo idealizado interno
de algumas feministas casuais não afeta o mundo. Quem afeta o mundo são as feministas com poder e influência, e elas não concordam com você e elas não estão do seu lado.
Você precisa ser capaz de separar o que você SENTE sobre o feminismo sobre o que eu estarei mostrando aqui
Ok, o que eu acabei de descrever é o apelo à emoção, uma das falácias mais comuns e mais usadas. Ele tenta desqualificar o mérito lógico de um argumento com a natureza humana de se compadecer com emoção. Eu entendo que é um assunto emotivo pra muitos, mas sua emoção não é
um argumento. Se eu estivesse conversando com você fora da estrutura de um debate eu estaria disposto a ouvir e ter empatia por sua emoção, mas em um debate ela é irrelevante. Isso não é uma forma de diminuir você e ser frio, mas pra manter padrões de objetividade é necessário
ignorar experiências pessoais. E o motivo é simples, elas são subjetivas, elas mudam de pessoa pra pessoa. O que você percebe da realidade provavelmente não é a realidade, você tem anos de vieses que te formaram como pessoa, como todos os outros. A sua realidade não trunfa a dos
outros. Eu sei que você, como feminista, vai achar totalmente absurdo que as pessoas sequer questionem algo que você considera tão óbvio, visível e presente, mas por favor tente entender que você só tem essa percepção porque foi condicionada a isso. Se você tentar usar a sua
experiência como argumento, eu (ou qualquer outra pessoa) pode instantaneamente desqualificar o seu argumento com a experiência dela. Todas experiências possuem o mesmo valor, que é o da subjetividade. Se você falar "isso é o que eu vejo todos os dias", outra pessoa, inclusive
outra mulher, pode falar "não é o que eu vejo". Pronto, ela negou seu argumento e vocês dois entraram num empasse infinito e negativo.
Espero que você tenha entendido a importância da objetividade pra se determinar qualquer conclusão.
Outras coisas que não podem ser feitas em um
debate é ignorar todo o argumento e o valor lógico por trás dele da outra pessoa e dizer que não adianta porque ele não vai abrir a sua mente.
O objetivo do debate é mostrar que a sua posição faz sentido, que ela é racional, que é baseada em evidência. Você não pode exigir
que a pessoa aceite a sua posição se até agora você não conseguiu demonstrar por que a sua posição faria sentido em primeiro lugar.
Se você não consegue refutar os argumentos que a outra pessoa está expondo, considere por um momento que talvez seja porque você está errado.
Algumas outras falácias populares que são usadas o tempo todo (as mais usadas por feministas eu falarei mais pra frente) incluem:
Apelo à autoridade. Quando seu argumento se baseia no título de alguém, como falar "você vai discordar de um sociólogo de harvard?", mesmo quando
é possível apontar que o argumento do sociólogo é irracional. Avalie a força do argumento por ele mesmo, argumentos fracos não se sustentam. Nunca diga "ah quer saber mais que a ONU", "ah você sabe mais que xxxx". A autoridade é irrelevante, mesmo que qualificação seja
corroboradora pra credibilidade. Aprenda a separar os dois.
Post hoc ergo propter hoc: Do latim "Depois disso, portanto por causa disso", ou "correlação não aponta causação". Um evento ser ligado ao outro não significa que eles sejam dependentes e que um causou o outro.
Ad hominem: A falácia mais popular do mundo, atacar diretamente o argumentador e não seu argumento. Usar sua personalidade, defeitos, posicionamentos pra desmerecer o seu argumento, em vez de refutar a falha lógica por trás de seu argumento, se ela existe. Se você for debater com
Hitler ou com Ted Bundy você precisa mesmo assim analisar o valor do argumento e ignorar o argumentador. Mesmo as pessoas mais deploráveis do mundo podem estar certas sobre algo. Mesmo as pessoas que estão erradas sobre todo o resto podem estar certas sobre algo.
Espantalho: Distorcer o argumento e posição pra tentar insinuar que o argumentador tem uma posição que é muito mais fácil de se desmerecer. Por exemplo: "ah, se você odeia o capitalismo então por consequência você é socialista e *insira aqui as infinitas falhas do socialismo*"
Ok, acho que já gastei tempo o suficiente elaborando como essa coisa funciona. Por favor mantenham em mente quando forem ler todo o resto que eu escrever e pense se você realmente tem algum argumento ou simplesmente quer opinar sobre algo.

A seguir eu vou ter que adereçar
as falácias mais populares e mais usadas por feministas. Eu nem deveria ter que fazer, mas como disse ninguém nesse país foi ensinado a argumentar e elas nem sabem que estão usando falácias. Então já é melhor bater essa bola pra escanteio no começo porque eu sei que seriam
os principais "argumentos" que seriam usados. Eu estou fazendo há muito tempo e já conversei, ou tentei conversar, com milhares de feministas e eu conheço bem o padrão.

Primeira e mais importante falácia usada por feministas:
Você não é mulher e não pode falar sobre feminismo.
Ou "você não pode ensinar feminista sobre feminismo", "mansplaining", "local de fala e etc."
É completamente absurdo que o movimento tenha convencido que algo como isso seja uma posição aceitável pra se manter sobre qualquer coisa.
Como eu não sou mulher eu nunca terei exatamente
experiência que você, mas como eu já disse a sua experiência não é objetiva. E onde isso para? Poderia ser aplicável a todos. E se um doente mental falasse "você não é homem, não sabe como é ser homem, quais são as expectativas sociais perante homens, qual é a biologia do homem
e então não pode me criticar se eu bater ou abusar de uma mulher, porque você não entende minhas circunstâncias pra essa motivação".
É totalmente ridículo e 100% falacioso. TODAS as ideias estão sujeitas ao criticismo, é o que faz a sociedade evoluir. Isso é apenas um escudo
projetado a defletir qualquer possível crítica que seja merecida e assim nunca reconhecer suas falhas, é um mecanismo covarde pra criar câmaras de eco onde somente uma opinião é aceita e repetida o tempo todo e você nunca é exposta à qualquer discordância. Mas o mais importante
de tudo isso é que tudo que eu falar poderia (e já foi) apontado por mulheres, que inclusive me inspiraram, e aí você não teria desculpa pra rejeitar os argumentos, mas faria do mesmo jeito dizendo que ela está reproduzindo machismo. O feminismo criou uma rede na mente de
feministas pra fazer com que elas nunca sequer cogitem o que os outros dizendo. Nem sequer é uma possibilidade. Com isso elas vivem acomodadas em uma posição de estagnação intelectual eterna. O local de fala é um câncer intelectual.
Nós deveríamos sim considerar a experiência que
alguém pode ter sobre um determinado assunto, só que isso não é um escudo e não pode ser a base de um argumento inteiro. Você não pode defender sua posição inteira baseada nisso e muito menos desmerecer críticas por isso.
Até porque nada do que vou falar questiona as experiências
de mulheres. Eu vou apontar que o que elas acham que o feminismo é não é e nunca foi. Vou apontar as mentiras propagadas pelo feminismo. Isso não são coisas que você adquire conhecimento sendo mulher. Você precisa ler e pesquisar sobre essas coisas pra ter conhecimento sobre elas
Ter uma vagina não vai imbuir ninguém com conhecimentos mágicos ao nascer.
Se você quer afirmar que uma ideologia inteira é sobre algo você precisa ter lido sobre essa ideologia. Portanto parem de repetir uma das piores falácias do mundo como se fosse aceitável. Não é.
Segunda falácia mais popular do feminismo:
Espantalho e ad hominem feministas. Como eu disse eu já discuti com milhares de feministas de todos os tipos durante os anos. Uma das táticas mais desonestas e constantemente usadas (principalmente por homens feministos) é falarem
"Cara, por que você tem tanto ódio a mulheres?", "Quem te chifrou?", "Quem te deu o toco?", "Você é gay?"
O que eles estão tentando fazer, de maneira extremamente baixa, é inferir que por eu ter uma crítica ao feminismo isso significa que eu tenho problemas e frustrações
com mulheres, mesmo que em todas as discussões eu nunca tenha sequer demonstrado qualquer tipo de percepção negativa contra mulheres. Infelizmente eu preciso ficar lembrando essas pessoas o tempo todo:
FEMINISMO NÃO É SINÔNIMO DE MULHER.
Feminista não é sinônimo de mulher.
Outro espantalho comum é que feminismo significa igualdade e se eu sou contra ele então sou contra igualdade. Além da popular tentativa de espantalho em me associar com certas posições, como deduzir que eu sou bolsominion, eleitor do Bolsonaro, conservador, cristão. machista,
fã de Nando Moura, de Olavo de Carvalho, enfim...

Eu vou deixar aqui bem claro e isso vai incomodar muita gente que veio ler lacrada nas feminazis pra suprir sua própria agenda, EU NÃO SOU DE DIREITA. Eu não sou conservador. Eu não gosto do Bolsonaro, ou qualquer político
eu não votei no Bolsonaro e eu não me identifico ou respeito identitários de qualquer lado. Com isso eu quero dizer pessoas que usam políticas identitárias, que tentam remover individualismo em favor por um coletivismo ditado por características análogas superficiais, como
cor, gênero, sexualidade, religião e ideologia. Políticas identitárias são criadas pra gerar grupos simples que se identificam coletivamente e assim podem ser marketados de forma muito mais ampla e fácil, além de gerar consumidores muito mais leais. Também torna a manipulação e o
poder sobre essas pessoas muito mais acessível, já que você só precisa de um discurso populista, dizer que *AQUELE* grupo, que não é o *SEU* grupo está te oprimindo, vitimizando e tirando vantagem. É um tribalismo criado como ferramenta política. E justamente uma das muitas
razões pra eu ser contra o feminismo, que é inegavelmente identitário e populista.
Eu também não sou contra a igualdade. Eu vou argumentar que o feminismo não é sobre igualdade, mas mesmo que fosse
O FEMINISMO NÃO DETÉM MONOPÓLIO SOBRE O CONCEITO DE IGUALDADE.
O conceito de
igualdade existia milhares de anos antes do feminismo sequer brotar na face da Terra. É totalmente possível ser igualitário e não ser feminista e ninguém é forçado a ser feminista. Falar "você acredita em igualdade então é feminista, pronto acabou" é um absurdo. Existem muitos
movimentos e ideologias igualitárias. E coincidentemente a maioria deles rejeita totalmente o feminismo, por acharem que ele é prejudicial pro alcançamento e manutenção da igualdade. E com boa razão, que eu vou falar mais pra frente.
Ou seja, quem critica o feminismo pode ter
também o interesse e bem estar de mulheres em mente e esse ser um fator pra criticar o movimento.
Eu não sou machista, eu acredito que mulheres não possuem lugar ou papel específico por serem mulheres. Toda mulher pode fazer o que quiser com sua vida e deve ter oportunidade igual
e direitos iguais. Eu não gosto de críticas ao feminismo que são baseadas em falácias, como dizer que é "mimimimi", que é coisa de quem não tem louça pra lavar, de peludas e bigodudas. Eu não gosto que achem ruim uma mulher decidir se uma cantada é aceitável ou não baseado na
aparência do homem que cantou. A mulher tem o direito de decidir o que agrada ela, ela não precisa gostar do que ela não gosta pra ser igualitária. É claro, o feminismo extrapola essa questão tentando confundir as linhas entre cantada e assédio e isso também é inaceitável.
Foi, falou com a mina, não demonstrou interesse? Vaza, segue tua vida. Não insiste e não chega tocando nela ou forçando intimidade, você é um estranho.
Você feminista, ele chegou, falou, você não demonstrou interesse ou disse não e ele foi embora? Não aja como se isso fosse
um ataque, você está desmerecendo assédio real e sendo uma babaca com todas as outras mulheres.
Eu não suporto a mentalidade do nice guy criando na raiz na sociedade, onde um homem acha que se ele for super legal, amigável, um grande amigo, então mulheres devem algo à ele
Que elas devem sexo por gentileza. Isso é uma fraqueza gigantesca no caráter masculino e precisa ser reparado nos jovens.

"Mas se você reconheceu tudo isso, por que tá tentando tirar crédito pela nossa luta?"
Porque eu vou demonstrar que o feminismo não fez absolutamente nada
em relação à esses problemas em quase um século de existência e 4 décadas da militância feminista ativa e pesada. Que o feminismo não se importa com você e não quer resolver esses problemas, porque aí ele não teria o que utilizar pra contar com seu voto. É assim que políticas
identitárias funcionam. Se eles resolverem o problema pra quem eles vão fazer campanha? O que eles vão prometer pra identidade coletiva que eles criaram?
Eu irei a fundo nisso mas dois exemplos rápidos que demonstram que o feminismo não interesse no bem estar de mulheres:
Primeiro, o feminismo é contra o armamento civil. De todas as vertentes feministas eu acho que encontrei no máximo duas (e sendo generoso) que eram a favor do porte de armas. Agora, por que a maioria das feministas seriam contra isso quando, segundo a narrativa delas, elas
estão vitimizadas, assassinadas e estupradas em escalas absurdamente monstruosas?
É inegável que mulheres seriam as maiores beneficiárias de um país armado e com uma cultura que incentiva o treino e disciplina de auto defesa em garotas jovens.
Afinal, a única coisa que pode
proteger uma mulher de um homem mal intencionado é uma arma. Ou outro homem. E o feminismo é contra essas duas coisas.
Qual seria a lógica por trás disso? Nenhuma, porque não existe. O feminismo é uma ferramenta política e é uma ferramenta política de esquerda.
Quando foi a última vez que você conversou com uma feminista de direita? Mulheres de direita nem sequer são consideradas mulheres por feministas, elas as enxergam com desprezo, as chamam de biscoiteira, que elas só querem aprovação de macho. A suposta sororidade e o discurso
sobre empoderamento e deixar mulheres serem livres só vai até perto do centro, depois disso ele deixa de existir. Há 90% de chance de que se for feminista e estiver lendo isso já insultou, desmereceu, debochou ou humilhou uma mulher por ter qualquer posição não esquerdista.
O segundo exemplo evidente: O feminismo é apologista do islã.
Isso é algo que 99% das feministas brasileiras não fazem a menor ideia, por como eu disse o conhecimento sobre o feminismo global é nulo. Dezenas de mulheres por trás de instituições feministas (como a NOW e a
Women's march) são apologistas diretas do islamismo, ou muçulmanas. Elas falam que o islamismo é a única religião feminista e que ele empodera mulheres (o que qualquer pessoa sã sabe que não é verdade). Outras se recusam a criticar ou falar sobre a religião, a lei sharia (que
dita por lei que mulheres devem ser executadas, apedrejadas, terem suas mãos cortadas, ácido jogado em suas faces etc. por motivos banais e minúsculos como mostrar as canelas e o cabelo, ou discordar de um homem). Ayaan Hirsi Ali, uma ativista nascida na Somália, sob o islamismo
que teve seu clitóris mutilado quando jovem, uma prática comum africana e islâmica pra que mulheres não sejam motivadas ao coito por prazer, apenas para gerar filhos, tenta há anos trazer atenção pras atrocidades cometidas contra mulheres no Oriente. Como feministas reagiram?
Elas a perseguem até hoje, tentam impedir qualquer palestra e pronunciamento dela, a desprezam, ela recebe ameaças de violência e morte constantemente. Esse comportamento não é uma minoria radical, como as feministas brasileiras acreditam.
Mas então, por que o feminismo
seria contra algo que é difícil de discordar que são coisas do interesse de mulheres?
E por que feministas repetem isso?
Ora, a resposta é óbvia. Como eu disse, o feminismo é uma ferramenta política de esquerda, EXCLUSIVAMENTE de esquerda. E o desarmamento e a proteção do
islamismo são pautas de esquerda, então por consequência são pautas do feminismo. Não são questões que feministas chegaram na conclusão através do pensamento crítico do que seria melhor para mulheres. Elas nunca pensaram, apenas aceitaram e pronto. E assim que o coletivismo
populista opera. Se você é do **GRUPO** então você aceita todas as posições do **GRUPO**.
Elas tentam justificar que não é lugar delas criticarem a cultura dos outros povos. Que elas não podem falar pelas mulheres muçulmanas. É deveras nojento pra mim, porque as mulheres
muçulmanas não podem falar por elas mesmas, elas sim não possuem voz e nunca possuíram. Elas PRECISAM que alguém fale por elas. Mas isso não vai acontecer, porque não é do interesse dos grandes cabeças bilionários. Ativistas feministas não estão indo à África e ao Oriente Médio.
Enfim, esse nem era o foco dessa parte em específico, era pra falar sobre as principais falácias feministas, mas as coisas nesse assunto são tão interligadas que fica difícil manter uma estrutura organizada e bonitinha, eu vou falar mais do conflito de interesses no feminismo
pra frente. Vamos voltar pra programação.

Concluindo, eu não sou nada do que feministas costumam esperar que um anti-feminista seja. Eu não tenho medo do crescimento da presença feminina, da perda dos meus supostos privilégios. Eu não odeio mulheres.
Meus motivos pra ser
antifeminista são puramente intelectuais e eu espero que esse padrão intelectual também seja imposto aos críticos, que eles parem de criticar o feminismo por motivos superficiais e provenientes de ignorância. Essa thread pretende ensinar ambos os lados e elevá-los a um patamar
menos irracional, menos sexista, menos preconceituoso, menos impulsivo, menos identitário, menos tribalista e menos falacioso.

A terceira falácia mais popular do feminismo: A falácia do falso Escocês, ou "isso não é feminismo, é femismo", ou "existem várias vertentes", ou
"but not all feminists".
O nome dessa falácia vem de um trecho anedótico do livro Thinking About Thinking (Pensando sobre Pensar) de Antony Flew. No trecho ele descreve um cenário onde um homem escocês está lendo o jornal local quando se depara com a notícia de um pervertido
maníaco sexual que atacou novamente em Brighton. Chocado ele proclama "No scotsman would do such a thing!" (Um escocês nunca faria isso). No dia seguinte ele pega o jornal de novo e dessa vez tem a notícia de um homem que cometeu crimes ainda piores que o anterior em Brighton.
Dessa vez ele proclama "No TRUE scotsman would do such a thing" (Um escocês DE VERDADE nunca faria isso). É um exemplo do viés de confirmação. A pessoa tenta desqualificar ações de um indivíduo ou grupo questionando suas credenciais. Por exemplo, insistir que o socialismo
nunca foi tentado quando confrontado com o histórico de regimes socialistas. Não era socialismo de verdade.
Essa falácia sempre foi bem popular entre feministas ao redor do mundo, mas nunca no grau que ele alcançou no Brasil. As feministas brasileiras, não satisfeitas em apenas
falar que as aqueles exemplos que vão contra sua agenda de inventar que o feminismo é sobre igualdade não são feministas de verdade, foram além e criaram o termo femismo. E foi um sucesso, hoje feministas estão convencidas de que esse é um termo real que separa a crença em
igualdade da crença de que mulheres são melhores que homens, ou de ideias misândricas no geral.
Bom, se você ainda não sabe, o termo femismo é uma invenção feminista pra servir de bode expiatório e tomar a culpa de todas as ações horríveis e questionáveis que feministas cometem.
O termo femismo não existe em nenhuma outra língua. Nem nos EUA e na Europa ocidental, os pontos mais fortes e originários do feminismo, eles fingem que isso existe.
Não existe um único artigo acadêmico sério que cite femismo. Não existe um único livro sobre feminismo
que não tenha sido por uma feminista brasileira nos últimos 15 anos que cite femismo. Não existe nenhum trabalho de análise histórica e social do movimento que reconheça ou menciona femismo.
O termo em si não tem mais de 20 anos, você não vai encontrar nenhuma instância
da palavra no registro antigo.
"Bom, mas definições mudam, evoluem e novas são criadas e mesmo esse termo sendo novo e exclusivo do português ele ainda é válido, pois descreve mulheres que odeiam homens, acham que mulheres são superiores ou querem privilégios".
É, isso seria
verdade... Se existisse alguma femista no mundo. Só que nunca na história da humanidade uma pessoa se identificou como femista. As mulheres que costumam perpetuar comentários misândricos, até casualmente, o que já virou uma espécie de posição pop e descolada em redes sociais, não
consideram femistas. Elas se consideram feministas. As mulheres que acreditam, mesmo quando não admitem, que mulheres são melhores que homens, elas se consideram feministas. As mulheres que lutam por privilégios e são contra a remoção de privilégios que já possuem em prol
da igualdade, elas também se consideram feministas. E essas não são a minoria e não são só feministas radicais (que também não se considerariam femistas). Essas posições são comuns, são populares, são a norma. As mesmas feministas que falam "as pessoas não sabem diferença
entre femismo e feminismo" são as que possuem essas opiniões, que segundo ELAS MESMAS, as tornariam femistas. Mas veja que surpresa, elas não se consideram femistas, apesar de uma lida no seu feed mostrar dezenas de posts sobre machos escrotos, omi isso e omi aquilo, mulheres
rainhas perfeitas deusas. Você feminista lendo isso provavelmente faz isso e ao mesmo tempo mantém a crença que aprendeu por osmose cultural de que femismo existe e não é feminismo, mas nunca se auto observou pra perceber a sua total contradição.
Como se isso não fosse o
suficiente, essas posições que elas consideram femismo eram as posições da maioria das feministas originais da segunda onda, as que criaram a teoria feminista.
Ou seja, feministas brasileiras estão dizendo que as feministas originais eram femistas e que o feminismo é femismo...
É uma puta lambança, um verdadeiro circo. É aterrador ver a quantidade de jovens mulheres que possuem convicção, confiança e certeza em algo que é só um termo fictício de auto-proteção que nem existe em nenhum outro lugar.
Nunca existiu uma femista na história e nunca vai existir
porque femistas já possuem um nome há muito tempo: feministas.
São a mesma coisa. Você não será levada a sério se tentar usar femismo como argumento, então se não quiser passar vergonha na frente de possíveis pessoas inteligentes e estudadas faça um favor a si mesma e
abandone seu apego a esse termo falacioso e infantil. É do seu interesse.

Bom, acho que eu elaborei sobre o que é um argumento aceitável, a estrutura de um ambiente, falácias lógicas e falácias populares do feminismo. Espero que não tenha esquecido de algo que vou lembrar
depois no meio de outro assunto.

Agora podemos realmente começar essa porra e ir pras refutações. Eu não sei o que eu vou fazer em relação à fontes, porque postar links no Twitter é puro cancro. Talvez eu crie uma pastebin com tudo, o que é meio desorganizado...
Se você é feminista e chegou até aqui e está lendo e não deu block ou fechou a aba em fúria emotiva, parabéns. Você é um exemplo a ser seguido. Mesmo que você não concorde com o que estou falando e possa vir a tentar refutar algo (o que eu incentivo), você manteve interesse
em vez de ignorar qualquer opinião dissidente e se fechar em uma câmara de eco. Isso é mais do que a maioria vai fazer.
Eu sei que ler alguém discordar de algo que é tão enraizado em você não é fácil.
Se você é brasileiro e leu tudo isso, parabéns também, é uma conquista.
Ok, vamos falar sobre as alegações que o feminismo faz. A maioria dessas são crenças coletivas compartilhadas por literalmente todas as vertentes, então quando eu as critico e as provo falsas isso invalida TODO o feminismo, inclusive o que tem boas intenções.
A primeira mentira propagada pelo feminismo, e a que me inspirou a iniciar essa thread.

==O FEMINISMO CONQUISTOU O DIREITO AO VOTO E DIREITOS TRABALHISTAS==
Eu acho que literalmente todas as feministas brasileiras acreditam nisso. Aliás, a maioria dos antifeministas também.
Isso é um mito tão, mas tão enraizado no consciente coletivo que as feministas simplesmente ficam incrédulas e sem palavras quando alguém questiona isso. Pra elas isso sempre foi uma certeza, uma constante absoluta no universo. O que é um testamento do poder alienador do feminism
O feminismo brasileiro não possui nenhum conhecimento sobre a história de sufrágios ao redor do mundo. Bom, vários deles foram realizados inteiramente por homens.
O cenário que elas conhecem normalmente é o europeu e norte americano, de onde saíram as sufragistas.
Muitas feministas brasileiras, eu gostaria de dizer a maioria, nem sobre as sufragistas sabem. Elas só sabem que mulheres eram oprimidas e lutaram até os homens opressores desistirem. As que sabem sobre as sufragistas cometem o erro histórico e anacrônico de fundir as sufragistas
com as feministas que vieram depois.
Com isso elas podem descredibilizar qualquer mulher que ouse não compartilhar da ideologia dizendo que ela só tem o direito de se expressar, usar a internet, votar, pensar, não viver na coleira e metabolizar oxigênio por causa do feminismo,
portanto ela está sendo não só ingrata como indo contra seus próprios interesses.
A realidade, é claro, é que feministas não estiveram envolvidas na conquista de absolutamente nenhum direito feminino. Não só isso, a noção da realidade promovida pelo feminismo é que antes
de poderem votar as mulheres eram tratadas como uma espécie de animal, permanentemente caladas e vivendo na sombra de seus maridos. Isso é uma grande ignorância das tradições hierárquicas do ocidente, deste de tempos primitivos. Mulheres eram extremamente influenciais nas
sociedades ocidentais. Elas eram ativas nos processos civis e democráticos, muito antes de conquistarem o sufrágio universal. Elas não eram vítimas, elas não eram objetos mantidos por maridos. A quantidade de material histórico mostrando o quanto a presença feminina era
valorizada em sociedades antigas é simplesmente avassaladora.
A nossa sociedade é ginocentrista, isso significa que ela gira em torno da mulher porque a mulher possui um valor maior que o homem. Isso é determinado pela natureza. Por causa da biologia um homem pode engravidar
dezenas de mulheres. Uma mulher pode engravidar uma vez e com isso ela fica indisponível por nove meses e depois disso por todo o tempo de amamentação. Isso significa, em termos biológicos, que a mulher é mais importante que o homem. Por causa disso homens eram os que saíam pra
caçar e serem destroçados por tigres dentes de sabre, mamutes e uma terra totalmente inóspita e hostil. E assim o homem sempre foi (e ainda é) considerado descartável pela sociedade. E é por isso que você não vê mulheres em campos de guerra e minas de carvão. Em contraste,
as mulheres eram protegidas, por causa do seu valor inerente.
Eu preciso deixar claro que isso não significa que as coisas eram ideais, perfeitas, que mulheres não sofriam nada. A tendência biológica do homem de proteger a mulher muitas vezes passou dos limites, protegendo
demais e relegando-as a ficarem em casa. Isso não era bom e existem vários estudos sobre como a existência exclusivamente doméstica pode causar vários problemas relacionados a depressão e stress.
Mas a imagem que o feminismo ensina é que as mulheres eram só isso, mulheres
presas em casa contra sua vontade. E que isso era executado por intenção maligna e de dominância pelo homem. É absolutamente falso e uma visão simplista e infantil das dinâmicas históricas entre os gêneros. Mulheres eram ativas e presentes e membros estimados em suas sociedades.
E elas tinham os problemas delas, mas os homens tinham os problemas deles, e um não era maior que o outro. Mulheres não sofriam mais do que homens.
O nível de horror, agonia e desespero experienciados por homens em civilizações antigas é simplesmente inimaginável para uma
feminista moderna. Eles viviam cercados de morte, algo que dominava todos os aspectos de suas vidas.
O feminismo costuma se basear em monarquias e senhores feudais como um exemplo de que homens tinham vidas regadas de luxúrias, paz e excessos. É totalmente desonesto.
Os homens em posições privilegiadas não eram nem 0.5% da população masculina. Todos os outros estavam submersos em carnificina constante contra toda a natureza e a maioria estaria morta antes de ficarem velhos.
Desmistificar a alienação da realidade promovida pelo feminismo
é extremamente importante e depois das refutações eu falarei sobre os efeitos psicológicos e sociais causados pela influencia do feminismo, como a falta de capacidade de ter empatia por homens.
Agora voltando ao tema principal, já que as feministas estão se apropriando das
ações de sufragistas eu acho que é útil explicar quem eram as sufragistas, o que foi o sufrágio e os motivos pelos quais elas não eram feministas em absolutamente nenhum parâmetro. Mas isso fico pra amanhã, meus indicadores estão doendo de digitar.
Boa noite, Twitter. Vamos continuar. Bom, eu ia entrar no reino do sufrágio, o que ele é, sua relação com o feminismo e etc.
Se você é feminista e adota a filosofia pós-moderna de que palavras são violência e costuma ter reações emotivas e viscerais sobre esse assunto, eu
estarei minando e questionando (e com uma base empírica significante) todas as suas verdades e posições sobre tudo em que você baseia sua existência. Eu não estarei fazendo isso como um ataque, eu entendo perfeitamente o peso significativo do valor que você associou a estes
eventos. Eu questionarei a narrativa que hoje é mainstream da qual você acredita, mostrando que ela é objetivamente falsa. Isso não significa que a luta das mulheres não foi real. Isso não significa que o sofrimento de mulheres não é real. Eu criticar o feminismo não é o mesmo
que eu desmerecer ou atribuir menos valor. O que você acredita tem um fundo de verdade, eu só vou demonstrar como você foi manipulada a dar créditos para as pessoas e para os movimentos errados. Eu espero sinceramente que você possa controlar esses instintos, não se ofender
e permanecer comigo nessa pequena jornada. Considere isso o seu trigger warning, em termos de feministas modernas.

Ok, o que significa sufrágio? Sufrágio é o reconhecimento da concessão de cidadania. Basicamente significa reconhecer que você merece um dizer em questões
que envolvem a nação da qual você faz parte.
Tudo que eu vou falar aqui pode ser checado em basicamente qualquer livro de história mais completo e acadêmico. São questões bem conhecidas e eu não vou usar nenhuma retórica particularmente alternativa ou obscura, será tudo bem
direto.
Como disse você pode usar qualquer livro de história mas eu vou colocar os que eu pessoalmente usei no final desse capitulo. Eu vou estar focando primeiramente nas 4 mulheres mais relevantes do sufrágio feminino, portando a maioria das minhas recomendações serão livros
que essa mulheres escreveram e biografias sobre elas escritas por outras autoras. Também colocarei alguns artigos acadêmicos e estarei tomando bastante inspiração das palavras de Karen Straughan, uma ativista imensamente inteligente e versada nesses movimentos.
A história do sufrágio é extremamente complexa, sufrágios diferentes foram concedidos à certas pessoas diferentes, por motivos diferentes, em datas diferentes e em nações diferentes.
A narrativa feminista é que homens sempre puderam votar por serem homens e mantinham
mulheres caladas sob força, impossibilitadas de exercerem essa função.
Em nações monárquicas e feudalistas (e provavelmente antes disso) já eram usados certas formas de voto. É meio difícil de estimar quando isso começou, obviamente. Votações informais podiam ter sido
usadas por humanos primitivos, por tudo que sabemos. Então vamos focar no começo do uso do voto organizado.
Nesse quesito o primeiro sufrágio obviamente foi o do soberano, aquele rei, lorde, senhor feudal ou chefe de igreja. Isso eventualmente foi expandido pra
membros do conselho. Isso significa que em casos de rainhas e conselheiras, elas já votavam. Na Europa medieval também havia casos de membros das forças armadas terem o direito, como a guarda real, os cavaleiros do rei e etc.
É claro, isso não era uma democracia, então
eles podiam demonstrar qual posição era mantida favorável pela maioria, mas o soberano não precisava acatar com isso. Era do interesse deles de obter outras opiniões e outras perspectivas, além de passar o sentimento de falsa decisão, o que sempre agrada pessoas.
Quando as primeiras sociedades de poder representativo (o que hoje chamamos de democracia) começaram a surgir o sufrágio foi aos poucos sendo distribuído pra certas pessoas e isso difere muito de país pra país, mas no geral o padrão era o mesmo. Quase todos os primeiros a
ganharem o direito ao voto eram homens brancos que fossem ricos o suficiente pra pagarem impostos. Eles eram os únicos que pagavam impostos, que mantinham o governo, e então era considerado que eles merecessem o dizer no andamento desse governo. Eventualmente esse sufrágio
mudou pra algo mais específico, homens brancos (acima de 30 anos) que tivessem propriedades em seu nome. Essa foi a norma mantida pela maior parte do período de tempo em que homens ganharam o direito ao voto.
Como o movimento sufragista foi um fenômeno quase que inteiramente
inglês, sendo mais relevantes nos EUA e Reino Unido, eu vou falar mais disso e consequentemente eu vou usar o nome de muitas organizações em inglês e todo o material de referência vai estar em inglês. Não me culpem, material histórico traduzido é mais raro que ouro
na internet.

Depois da Guerra Civil Americana acabar as casualidades estavam entre 750 a 850 mil homens mortos. Os EUA, assim como a maioria dos países, mantinham uma obrigação de convocação militar para homens (e ainda mantém, e o Brasil também) e depois de tantos homens
terem morrido na guerra foi decidido que era injusto que eles tivessem que morrer pelo seu governo e não tivessem o dizer em quem os governaria. Foi concedido, assim, sufrágio para todos os homens brancos. Só que a idade legal para o homem votar era 21, mas a idade legal
para ser convocado e forçado a servir ao exército era 18 e meio. Pequenas imperfeições do processo eleitoral... Isso só foi mudado depois da guerra do Vietnã, quando veteranos de guerra feridos em combate estavam voltando ao país e eles nem sequer tinham o direito ao voto. A
pressão fez o governo mudar a idade mínima do voto para 18.
Voltando pro passado, em 1870 o sufrágio foi estendido para todos os homens, independente de raça, incluindo ex-escravos. Por sinal, foram nos movimentos abolicionistas que 3 das sufragistas que eu falarei
sobre daqui a pouco que elas começaram a se envolver em política e direitos civis.
Em 1869 todas as mulheres ganharam o sufrágio no estado do Wyoming, nos EUA. Em 1920 todas as mulheres de todos os estados americanos ganharam o direito ao voto. Em 1924 índios nativo americanos
ganharam o sufrágio, dois terços desses já eram cidadãos americanos e já podiam votar anteriormente.
No Reino Unido o direito era exclusivamente de católicos, mas isso foi extinguido em 1721 e 1829, desde então o direito não era exclusivo de nenhum credo ou cor. Em 1918
todos os homens adultos receberam sufrágio e algumas mulheres, as que tivessem mais de 30 e cumprissem os requerimentos de propriedade. E finalmente, em 1928 mulheres ganharam os mesmos direitos que homens.
Essa é a história do sufrágio universal.
Eu não vou falar sobre o
Brasil porque como disse eu só estou falando da história do sufrágio universal pra poder estabelecer o contexto e falar das sufragistas americanas e inglesas, que é o ponto que o feminismo usou pra disseminar uma mentalidade falsa.
Mas, só pra ponto de referência mesmo
a primeira mulher a votar no Brasil foi uma professora em 1927, sete anos após os EUA e um ano antes do Reino Unido.
Bom, espero que isso seja um conhecimento útil.

Agora vamos mover em frente pro ponto principal, as sufragistas. Existe uma confusão gigantesca ao redor disso
porque historiadoras feministas modernas (que começou nos anos 60) começaram a adotar uma estrutura histórica do feminismo baseada em 3 ondas (na época era duas), algo que foi estabelecido por uma escritora do New York Times Magazine chamada Martha Lear. A estrutura descrevia
o feminismo moderno, dos anos 60, que realmente se chamava feminismo, como a segunda onda. E a primeira onda eram as ativistas de direitos femininos dos séculos 19 e 20, que é uma categoria abrangente pra caralho, em dois séculos essas mulheres tinham posições vastamente
diferente umas das outras. Caroline Norton, uma grande influência feminista, era uma mulher do século 19 e não tinha quase nada em comum com as sufragistas, por exemplo. Além do fato, é claro, de que elas não eram feministas, o feminismo como conceito não existia. Mas isso
aparentemente não importava pras feministas, que decidiram que elas eram feministas e começaram a denomina-las como feministas. É preciso notar que noção entre a maioria das historiadoras feministas não é compartilhada por outros historiadores, cuja maioria acha errôneo se
referir às ativistas do século 19 e 20 como feministas. Alguns propuseram o termo proto-feminista.

Bom, mas algumas feministas atuais usam bastante o seguinte argumento:
"Não importa se elas se chamavam de feministas ou não, se elas lutavam pela igualdade então elas
compartilhavam da ideologia feminista."

Isso é errado por vários motivos.
1 - O feminismo não possui monopólio sobre o conceito de igualdade. O feminismo não inventou o conceito de igualdade. Existem movimentos e ideologias muito mais antigos que o ativismo feminino que eram
igualitários, por exemplo o Liberalismo Clássico. Por que então não fundir sufragistas com Liberalistas? Aliás, os princípios do Feminismo vão contra o Liberalismo, um movimento igualitário mais antigo que ele.

2 - Você não pode simplesmente pegar um traço compartilhado
por alguns movimentos e indivíduos, todos com crenças contraditórias uns aos outros, separados por mais de 200 anos entre si e fundi-los, simplesmente porque você quer e lhe convém. Você não faria isso com isso com nenhuma outra ideologia ou movimento social. Não é aceitável.
Desculpa aí, amorzinhos, em vez de responder esse tweet pra continuar a thread em uma só linha eu respondi o de cima. O fio não acaba aqui, cliquem no tweet de cima pro resto:

Isso arruinou minha noite e meu TOC.
3 - As sufragistas não eram igualitárias, discordavam de vários pontos atuais do feminismo. Você não pode dizer que é a mesma coisa se eles mantém os mesmos valores quando eles não mantinham.

Acho que ficou claro que sufragistas não eram feministas e feministas não possuem
mérito da luta delas.
Mas eu vou ir mais a fundo, porque diferente de feministas eu não posso simplesmente falar algo e esperar que todos aceitem. Racionalistas não possuem esse luxo. Então vamos aprender sobre o que aconteceu durante o sufrágio feminino.
Eu diria que a confusão
de feministas sobre esse assunto é até um pouco justificada, porque não é uma questão simples e unilateral. E as feministas FORAM uma continuação de algumas mulheres presentes no sufrágio feminino, então eu entendo como alguém possa chegar na conclusão de que eram a mesma coisa.
Mesmo nos EUA e Inglaterra, de onde a nata das sufragistas surgiram, há uma enorme confusão quanto ao assunto.
A parte mais importante por trás disso tudo é que existiam sufragistas e sufragetes. São dois termos separados que atualmente muitas vezes são fundidos.
Se já havia
misturação lá, então imagine no Brasil, onde acham que feministas que estavam no século 19 e 20 lutando pelos direitos civis e nem sabe o que sufragistas eram.
E o pior, no Brasil só existe um termo. A palavra sufragete não existe, o corretos nem reconhece. Então o que eram
suffragists and suffragettes em inglês (esses o corretor reconhece) foi tudo posto numa só palavra no português.
A diferença entre sufragistas e sufragetes é a parte mais importante, e o fator que mais define o feminismo.
Embora várias das primeiras feministas compartilhassem
dos valores de ambas sufragistas e sufragetes, e de outras figuras femininas históricas (que também não eram igualitárias) como Caroline Norton, elas eram uma continuação apenas das sufragetes. Como resultado o movimento feminista lembra até hoje das sufragetes, enquanto
sufragistas foram aos poucos sendo esquecidas pela história. Enquanto sufragetes possuem um filme mainstream Hollywoodiano de 14 milhões de dólares, com Meryl Streep, e são sempre mencionadas em sites de notícias e blogs, em universidades e cultura pop, se você quiser aprender
sobre sufragistas você vai ter que pegar livros. E nós sabemos o quanto a população gosta de pegar livros, principalmente os de não ficção e educacionais.
Por isso eu acho que absolutamente todos vocês vão apreciar e sair ganhando em aprender um pouco mais sobre isso.
Então vamos lá.
Em 1820 na Inglaterra um círculo de homens intelectuais estava se formando, interessados em questões filosóficas, mas mais importante, as definições do método científico. Esses pensadores estavam expandindo as ideias do Iluminismo, também chamado de Era da Razão
Um desses homens era John Stuart Mill. Um gênio autoditada, John Stuart aprendeu grego aos 3 anos e começou a se interessar em filósofos Gregos, entre eles Diogenes, Isócrates e Platão. Em pouco tempo ele se tornou um não conformista e isso levou ele a se identificar
com o liberalismo clássico. Os princípios dos liberais era que eles eram opositores dos costumes tradicionais e conservadores que focavam em explicar a sociedade como um resultado das estruturas familiares tradicionais. E dos sociólogos, que procuravam explicar humanos como o
resultado de dinâmicas e padrões sociais complexos. Mills viria a se tornar uma das figuras mais importantes do liberalismo. Ele pregava que o governo deveria ter atuação mínima e só deveria existir para proteger indivíduos deles mesmos.
Mills tinha uma presença ativa na cena
intelectual britânica. Eles participavam de reuniões onde debatiam e trocavam ideias. Escreviam e avaliavam os livros uns dos outros. Discutiam filósofos, políticas, sociologia, história.
Mills chegou a conclusão de que a liberdade era o aspecto mais importante da existência
humana. Isso eventualmente o levou se tornar interessado em ativismo por direitos e liberdades civis. Eventualmente ele começou a advogar pelos direitos das mulheres junto de outros homens, embora alguns deles tivessem ideais diferentes.
Ele conheceu Sarah Emily Davies, uma
ativista por direitos das mulheres que estava se focando no direito a educação. Uma amiga de Emily Davies, Elizabeth Garrett Anderson (a primeira médica da história britânica) introduziu Emily à sua irmã mais nova, Millicent Fawcett. As 3 eram talvez os nomes mais importantes
do que viria a se tornar as sufragistas.
Millicent Fawcett aos 19 anos assistiu à um discurso de John Stuart Mill sobre direitos de mulheres e sua abordagem utilitarista a impressionou e ela se tornou uma ativa apoiadora de Mill e engajada na luta.
Em 1832, depois de uma reforma
algumas mulheres podiam votar em eleições parlamentares, baseado em critérios de propriedade, mas isso era raro. Também em 1832 Henry Hunt foi o primeiro membro do parlamento a pedir a concessão do voto à mulheres, sem sucesso. Hunt era um radicalista e havia servido sentença
criminal por seu envolvimento no massacre de Peterloo e não foi levado a sério.
Em 1865 John Stuart Mill foi eleito ao parlamento e começou sua campanha pra retificar a reforma de 1832 a fim de incluir o sufrágio feminino. Em 1866 Sarah Emily Davies ajudou a organizar a petição
de Mill no parlamento, o segundo pedido de sufrágio ao parlamento. Dezessete anos antes John havia se casado com Harriet Taylor e seu tempo juntos serviu como uma das maiores inspiração para ele, o que fortaleceu seu desejo pela luta do sufrágio. Sua esposa havia morrido em 58 e
John estava absolutamente determinado a passar sua petição. Infelizmente, em um parlamento majoritariamente conservador John não obteve sucesso.
Após essa derrota as primeiras sociedades sufragistas britânicas foram criadas, em 1868.
Depois de anos de ativismo e presença no
cenário político as sufragistas continuavam a tentar atrair mulheres para sua causa, mas a vasta maioria não tinha interesse. Durante toda a história democrática os direitos andaram de mãos dadas com as responsabilidades para os homens.
Os que tinham o DIREITO de votar, só o
tinham por causa da RESPONSABILIDADE de serem os únicos forçados a pagar impostos.
Os que tinham o DIREITO de votar, só o tinham por causa da RESPONSABILIDADE de serem forçados ao convocamento militar.
As mulheres acreditavam que se elas ganhassem os mesmos direitos elas teriam
que arcar com as mesmas responsabilidades e perderiam a total autoridade que elas tinham dentro de casa. Elas viam as sufragistas como insanas por quererem uma igualdade aos homens. Apesar de não terem certos direitos mulheres tinham privilégios em relação aos homens em troca.
O homem era forçado por lei a sustentá-la e aos seus filhos, independente de quantos ela tivesse. Ele era forçado por lei a prove-la com uma residência. Elas tinham diversas imunidades e raramente eram condenadas por um crime.
Acreditando que a igualdade seria o fim de tratamento
especial e a adoção de responsabilidades masculinas, centenas de milhares de mulheres começaram a se organizar em movimentos anti-sufragistas.
Em 1873 John Stuart Mill morreu. Ao redor desse tempo, Millicent Fawcett, que havia tido Mill como sua maior inspiração, ao reparar
que seus esforços não estavam mudando a opinião do público feminino, que continuava sendo contra o sufrágio, percebeu que teria que tomar uma abordagem mais focada e organizada. Em 1897 Fawcett conseguiu unir 17 organizações sufragistas e formar a
National Union of Women's Suffrage Societies (NUWSS). Até 1914 a NUWSS havia crescido além de 54 mil membros, virando a capa do movimento sufragista. Quase todas suas líderes e a maioria de seus membros era mulheres de classe média e alta. E majoritariamente elas defendiam
o direito ao voto à mulheres com propriedades. Apesar disso também haviam membras de classe trabalhadora e no geral todas concordavam que precisavam do apoio de todas as mulheres.
As sufragistas da NUWSS eram pacifistas e acreditavam que o sufrágio só poderia ser alcançado
através de métodos pacíficos.
Em 1903, uma sufragista chamada Emmeline Pankhurst, abismada com a falta interesse que a causa estava gerando decidiu que as coisas precisavam mudar.
Emmeline era uma socialista, ela havia tentado se afiliar à um partido trabalhista e foi rejeitada
por ser mulher. Ela percebeu que a introdução da mulher em meios masculinos não iria acontecer através de métodos pacíficos. Usando seus princípios socialistas como o Marxismo, Emmeline decidiu que era hora de revolução violenta.
Ela abandonou o título de sufragista, agora se
chamando de sufragete, e fundou a Women's Social and Political Union (WSPU).
Imediatamente elas começaram militância através de ação direta. Emmeline determinou como lema "Ações, não Palavras".
As sufragetes se acorrentavam em trilhos de trens, postes e cercas, principalmente do
lado de fora de prédios parlamentares, políticos ou com envolvimento com as anti-sufragistas.
Elas interrompiam eventos e encontros públicos, destruíam propriedade, carregavam facas, plantavam bombas (especialmente em caixas de correio), usavam ataques químicos e de ácido,
pedras, molotvs e machados. Elas entravam em museus para destruir obras de arte e itens históricos. Muitos dos sistema de segurança usados hoje em museus foram desenvolvidos especificamente pra se protegerem de ataques das sufragetes.
Imediatamente essas ações violentas obtiveram
atenção do público, da mídia e do governo.
As sufragistas do NUWSS não gostavam nem um pouco das sufragetes do WSPU. Não só elas quebravam a regra pacifista, como agora as sufragistas estavam sendo relacionadas com as sufragetes e boa parte da sociedade começou a achar
que os dois movimentos se tratavam de um só. Isso era especialmente danoso pras sufragistas porque elas passaram mais de 50 anos acumulando membros e expandindo sua influência entre mulheres, organizando manifestações e eventos como a famosa Mud March de 1907 que reuniu 10.000
mulheres. Mas o mais importante, as sufragistas estavam negociando com líderes políticos pacificamente, esses que agora estavam receosos de serem associados com um movimento terrorista por causa das sufragetes. Outro fator que as separavam fundamentalmente é que à esse ponto
a organização sufragista fazia questão que todas as mulheres recebessem o voto, independente de raça e classe. As sufragetes não.
Diante da violência das sufragetes o governo imediatamente começou a tratá-las como terroristas e várias delas eram presas. Na cadeia elas exigiam que
fossem tratadas como prisioneiras políticas e começaram a entrar em greves de fome, se recusando a comer até que as exigências fossem cumpridas. Elas eram soltas quando ficavam fracas demais, mas a violência continuou escalando então o governo decidiu contra a soltura
antecipada de sufragetes. Assim as prisioneiras começaram a serem forçadas a comer, algo que era realizado colocando tubos em suas gargantas até o esôfago e descendo comida liquefeita pelo tubo.
Apesar de seu grande desdém pelas sufragetes, quando as sufragistas ouviram sobre
as crueldades acontecendo com as prisioneiras elas começaram a demonstrar apoio ao WSPU e às prisioneiras. Algumas sufragistas foram presas por serem associadas e confundidas com as sufragetes, mas diferente delas não participaram das greves de fome e insistiam em serem tratadas
como prisioneiros homens e que não fossem postas em celas especiais para mulheres, o que as prisões se recusaram a fazer.
Como o uso de alimentação forçada não foi tomado nem um pouco bem pelo público o governo passou um novo ato no parlamento onde no caso de greve de fome
a prisioneira seria solta. A polícia esperaria elas se recuperarem e comer e aí prenderiam elas de novo. Esse ato ficou conhecido como o Ato de Gato e Rato.
Emmeline Parkhurst foi presa e solta 11 vezes por causa disso.
Os atos das sufragetes de certa forma foram um sucesso
ao seus objetivos, elas obtiveram extrema atenção e notoriedade e sua causa se espalhou rapidamente, mas esse foi apenas de curto prazo. A atenção durou pouco e cada vez o nível de rejeição ao movimento crescia.
Em 1907 algumas membras insatisfeitas com a disciplina violenta e
percebendo que apesar de terem ganhado extrema atenção rapidamente (talvez até mais atenção que as sufragistas obtiveram em 50 anos) isso não estava mudando a opinião popular e nem trazendo nenhum prospecto de sucesso, decidiram separar a WSPU entre outro grupo, o
Women’s Freedom League (WFL), que acreditavam em manifestação ilegal porém pacífica.
A NUWSS, WSPU e WFL trabalharam juntas em algumas ocasiões, apesar de não se gostarem. E hoje em dia é difícil especificar certas membras e a qual grupo elas pertenciam.
Em 1909 a WSPU das
sufragetes estava perdendo membras rapidamente. Emmeline e a segunda líder, sua filha Christabel permaneciam insistentes em manter sua visão, insistindo em ter controle total sobre o grupo, a advocacia de violência e a exclusividade do voto apenas para mulheres com propriedade.
Em 1912 a WSPU tinha no máximo 100 membros. Alguns eram contratos privados que elas usavam pra executar os ataques de bombas.
Em 1914 a primeira Guerra Mundial começou e as sufragetes e sufragistas pararam suas campanhas em apoio ao esforço de guerra.
Suas posições continuavam
bem diferentes. As sufragetes achavam que era uma obrigação o homem servir ao exército e assim começaram o movimento pluma branca. Elas procuravam por jovens que não tinham se voluntariado e o seguiam, colocavam uma pena branca em suas roupas e chamavam atenção pra ele, os
chamando de covardes. Seus esforços de desonra de jovens, que eram ostracizados por suas famílias e comunidades, fez centenas de homens se alistarem.
Emmeline começou a demonstrar um extremo patriotismo, algo que suas filhas e diversos membros não gostaram. Suas posições
socialistas acharam que o apoio de Emmeline ao governo era uma desgraça. Ela não só manteve sua posição como começou a ficar mais patriótica, ao ponto de expulsar uma membra em 1915 por fazer uma pergunta, dizendo que ela era Pró-Alemanha e deveria ser removida do salão.
A WSPU foi desaparecendo da atenção publica e em 1917 foi encerrada. Emmeline Pankhurst abandonou a luta pelo sufrágio e focou seus esforços em apoiar o Imperialismo Britânico. Por causa de suas origens socialistas ela começou a temer a crescente influência de comunistas.
E eventualmente se distanciou de partidos socialistas porque eles começaram a pregar a união política entre homens e mulheres e Pankhurst achava que mulheres deveriam se manter separadas e lutar pelos próprios interesses. Ela continuou fazendo umas coisas com a a filha restante
enquanto as outras duas ficaram separadas por suas diferenças e por sua mãe ter expulsado uma delas do movimento, mas pros propósitos de nosso aprendizado sobre sufragetes a história delas termina aqui.
Millicent Fawcett e a NUWSS continuaram lutando até o final da guerra,
usando o esforço mantido por mulheres para manterem as indústrias como argumento do merecimento feminino.
Em 1918 uma nova lei seria passada pra acomodar os soldados retornantes e garantir o voto deles e as sufragistas conseguiram que mulheres fossem inclusas, apesar de a lei
só incluir mulheres acima de 30 anos e donas de propriedade. Se não tivesse sido pelas ações violentas das sufragetes os acordos sendo feitos no parlamento pelas sufragistas teria conquistado em 1912, sete anos antes.
Em 1928 as sufragistas garantiram sufrágio feminino universal.
Um ano depois Millicent Fawcett morreu aos 82 anos.
Essa é a história das sufragistas e sufragetes britânicas.

Nos EUA a história foi menos clamorosa e calma.
Em 1840 Elizabeth Cady Stanton e Lucretia Mott viajaram para Londres para participar de uma convenção contra a
escravidão, mas foram impedidas de entrar por serem mulheres. Irritadas elas se tornaram amigas e decidiram se focar no expandimento de direitos das mulheres. Em 1848 elas, e mais 3 mulheres, iniciaram a primeira convenção sobre direitos femininos. Houve muita discordância que
estava ficando fora de controle, até que Frederick Douglass, um ex-escravo e lutador por direitos civis de negros e mulheres , tomou a plataforma para fazer um discurso intenso e propôs a Declaração de Sentimentos, uma declaração para expressar a causa feminina. Cem dos 300
atendentes assinaram a declaração.
Em 1851 Elizabeth Stanton conheceu Susan B. Anthony e elas se tornaram melhores amigas por todas suas vidas, que ambas dedicaram à luta feminina.
Em 1866 Lucretia Mott criou a American Equal Rights Association (AERA) e Elizabeth e Susan
se tornaram membras importantes do grupo.
Em 1867 o grupo começou a se dividir. Uma parte estava disposta a apoiar a 15ª emenda Americana que pretendia dar o direito do voto aos negros. A outra, liderada por Susan B Anthony e Elizabeth Stanton, se recusava a dar apoio
mantendo que se mulheres não podiam votar então negros também não podiam.
Lucretia Mott e Lucy Stone (outra membra fundadora) disseram que elas lutavam por direitos humanos e não por direitos das mulheres apenas, e qualquer vitória seria apoiada. Susan e Elizabeth decidiram
criar a National Woman Suffrage Association (NWSA) em 1869 pra separar a luta feminina da luta abolicionista.
Lucy Stone e outras formaram a American Woman Suffrage Association (AWSA).
Assim matando a AERA e dividindo o movimento civil americano por anos.
Em 1870 os negros ganharam o sufrágio.
Em 1890, depois de anos de rivalismo a NWSA e a AWSA se fundiram novamente pra formar a Woman Suffrage Association (NAWSA), com Susan Anthony como presidente.
Com o tempo Stanton e Anthony começaram a se divergir, por causa de interesses,
como o crescimento do conservadorismo de Stanton e sua religiosidade forte, mas permaneceram amigas até 1902 quando Stanton morreu. Anthony morreu 1906.
Ambas nunca viram o sufrágio universal acontecer em 1920, mas estavam felizes com seus progressos.
Eu escolhi focar em
Elizabeth Cady Santon e Susan B. Anthony porque suas posições eram muito mais antagonistas contra homens do que Lucy Stone e Lucretia Mott e isso virá a ser relevante quando entrarmos no feminismo moderno.
Essa é a história das sufragistas e sufragetes que 99% dos brasileiros
nunca aprenderam.
Material de referência: pastebin.com/u1Fybkr0
Acho que ficou claro, além de qualquer dúvida, de que o feminismo não teve nenhum envolvimento na luta e conquista de direitos civis e feministas só acreditam nisso por desconhecimento do assunto.
Não só isso, por causa do interesse feminista as sufragistas foram esquecidas
da história até recentemente. Mulheres como Millicent Fawcett, que fizeram a maioria do trabalho e por muito mais tempo, raramente eram lembradas ou mencionadas, enquanto as sufragetes, como Emmeline Pankhurst, eram discutidas como as ganhadoras do voto. Talvez as sufragetes
tenha tido um papel na luta, mas é inegável que elas atrapalharam os esforços das sufragistas, que teriam conseguido o voto cerca de 10 anos antes se não fosse pelas ações das sufragetes.
Pankhurst foi citada no The New York Herald Tribune como sendo "a mais notável agitadora
política e social do começo do século 20 e a protagonista suprema da campanha eleitoral do voto feminino".
Pankhurst tem talvez o dobro ou triplo de estátuas, retratos e memoriais em locais de honra que Fawcett.
É interpretada por Meryl Streep em um filme que mostra sufragetes
como as únicas lutadoras pelo voto.
Colocada em posição 27 em uma lista dos 100 Britânicos mais importantes do mundo pela BBC.
A revista Time a colocou como umas das 100 pessoas mais importantes do século.
Mas por que Millicent recebeu tão pouca atenção, especialmente
por parte de feministas?
Ora, é simples, Emmeline Pankhurst era socialista, propagava as crenças de revolução violenta (só não era a do proletariado), causava destruição e chamava atenção do público, algo que a mídia adora em vez de lutas calmas através de diálogo. Millicent
e as sufragistas exigiam que recebessem os mesmos tratamentos de homens, as sufragetes queriam ser tratadas como prisioneiras políticas.
Tudo isso eventualmente se torna revelante durante os anos 40, quando as primeiras pensadoras do feminismo moderno começam a surgir, como
Simone deBeauvoir. E não é pra surpresa de ninguém que elas eram socialistas. Elas aplicaram o princípio de luta de classes de Marx entre homens e mulheres. Elas ainda não eram chamadas feministas, mas claramente seguiam os passos das sufragetes, em contraste com sufragistas mais
conservadoras. Foi nos anos 60 que surgiu o verdeiro feminismo que conhecemos hoje e a teoria feminista, com Betty Friedan. E é claro, Friedan era socialista e andava em círculos de marxistas (que na época eram investigados pelo FBI).
Você está vendo um padrão?
O feminismo
sempre foi uma ferramenta socialista. Ele tem muito mais a ver com os princípios socialistas do que com as lutas de mulheres e empoderamento das mesmas. Mulheres que deveriam ser lembradas como heroínas por feministas foram incansavelmente perseguidas por elas (como Erin Pizzey,
da qual eu tenho muito a falar mais pra frente).
Ele sempre foi sobre manter uma agenda política.

Não só eu provei a narrativa feminista da conquista ao voto como falsa, eu também quebrei a outra narrativa de que homens sempre tiveram todos os direitos, porque eles eram
homens e o conselho patriarcal onipotente odiava mulheres. Que feministas tiveram que lutar contra eles pelo interesse de todas as mulheres. Muitas feministas e feministos dizem "você acha mesmo que eles simplesmente teriam dado o direito ao voto se não fosse pelas mulheres
lutando por isso?"
Sim, sim eu acho. É extremamente evidente que o interesse em dar o voto para mulheres PARTIU DE HOMENS. Eles foram parte essencial do sufrágio e nunca abandonaram a causa.
Sim, a maioria não era a favor no começo, só que a maioria de mulheres também não era.
Elas achavam que naturalmente o direito viria com a responsabilidade, já que era assim que funcionava pros homens. Que ingenuidade delas, achar que não receberiam o direito totalmente de graça. Porque foi isso que aconteceu, mulheres receberam todos os seus direitos de graça
enquanto homens ATÉ HOJE precisam se alistar como reservistas pra poderem votar.
O feminismo nunca mostrou pra vocês algo sobre esse ponto de vista, não é mesmo?
Hoje mulheres possuem todas as opções. Quer estudar? Vá em frente, aliás toma uma bolsa por ser mulher (algo que
existe há um bom tempo nos EUA e Europa). Quer trabalhar? Todo incentivo e apoio pra você, busque seus sonhos. Quer se casar e viver em casa e construir uma família? Claro, é sua opção.
Homens continuam tendo a mesma opção que eles sempre tiveram: trabalhe ou morra.
Isso não é vitimismo de minha parte, é uma tentativa de colocar um pouco de perspectiva sobre a realidade na mente feminista, que foi condicionada à um egocentrismo constante, que nunca sequer considera outras perspectivas.
Essa alienação é tão prevalente que elas nunca nem
sequer questionaram essa crença.
Eu vi isso na Wikipédia sobre violência doméstica no Brasil: "No Brasil colônia, homens eram considerados "proprietários" das mulheres com quem se casavam, com direito a bater, de serem violentos ou até mesmo matá-las, se necessário."
É surreal que tem gente que acredite nisso. A história humana não é perfeita, mulheres sofreram muitas coisas. Mas isso? Isso é completamente absurdo e ignorante da história. Eis aqui um documento histórico de como homens que agrediam e violavam mulheres eram tratados.
O erro e crime intelectual das feministas ao tentar analisar a história é o pensamento anacrônico. Elas atribuem os seus pensamentos, suas perspectivas, seus ideias e suas vontades (como mulheres do século 21, com direitos iguais, autonomia profissional e sexual, privilégios etc)
às mulheres do passado. Sem considerar o contexto histórico e os papéis de cada sexo. Elas reclamam da falta de direitos sem entender que até pouco tempo 90% dos homens de uma sociedade também não tinham direitos. O tempo entre o sufrágio universal masculino e o sufrágio
universal feminino foram MENOS DE 15 ANOS.
"Ah, mas não eram só direitos, homens recebiam mais honra e valor."
Eu vou usar aqui a situação dos inuítes, os esquimós, pra ilustrar esse caso.
Na maioria das sociedades homens e mulheres proviam mais ou menos o mesmo tanto de
quantidade de alimentos. Mas os inuites não, eles proviam todo o alimento pro bando. Em um dos ambientes mais hostis (talvez o mais hostil) do planeta, onde nada cresce e tudo é coberto por uma infinita desolação branca, a única opção era sair durante nevascas, entrar em
caiaques e caçar focas em águas de -30º. Se você cair do barco, você morre. Se o gelo quebrar quando você estiver voltando, você morre. Se você não pegar nenhuma foca, você morre. Se você tiver gangrena em um membro, você morre. Se você não usar uma espécie de óculos especial
os reflexos do sol na neve vão te cegar, e se você ficar cego você morre.
Eles não precisavam fazer isso. Um deles podia se isolar, viver sozinho, com uma foca ele se alimentaria por semanas. Os homens escolheram o perigo para poupar as mulheres disso. E quando você projeta a sua
mentalidade nas mulheres do passado você nem considera que talvez elas também escolheram abrir mão de serem exaltadas com grande honra como grande guerreiros, porque talvez continuar viva seja melhor que ser exaltado por ser morto.
E a propósito, só porque elas não votavam ou
não eram políticas não significa que elas não tinham influência em suas comunidades. Elas tinham e eram respeitadas. Como por exemplo o movimento da Temperança dos EUA, que foi um esforço pra diminuição de consumo de álcool e só acabou acontecendo porque mulheres se juntaram
e criaram pressão ao governo com petições e manifestos dizendo que temiam que seus maridos se tornassem violentos de o controle da distribuição de álcool não fosse regulado. Pense um pouco sobre isso, por causa da vontade de mulheres um ato de proibição NACIONAL foi executado.
Quando eu falo essas coisas eu não espero que vocês esqueçam da história feminina. Eu quero é que vocês lembrem dela, mas da história real, não do vitimismo populacionista que o feminismo as convenceram.
Eu também não espero que vocês achem que possuem uma dívida perante os
homens. Eu quero que vocês entendam que nós só sobrevivemos como espécie porque homens e mulheres complementam um ao outro. Que nós dependemos um do outro, e sempre foi assim. Vocês deveriam ser gratas aos homens do passado e homens deveriam ser gratos às mulheres do passado.
Mas não é o suficiente eu desconstruir a noção feminista de homens do passado.
Então partindo da história o próximo capítulo será inteiramente baseado em estatísticas, dados e pesquisas, onde eu vou questionar se a narrativa feminista sobre homens modernos é real ou não.
Missing some Tweet in this thread?
You can try to force a refresh.

Like this thread? Get email updates or save it to PDF!

Subscribe to A Plague of Mice
Profile picture

Get real-time email alerts when new unrolls are available from this author!

This content may be removed anytime!

Twitter may remove this content at anytime, convert it as a PDF, save and print for later use!

Try unrolling a thread yourself!

how to unroll video

1) Follow Thread Reader App on Twitter so you can easily mention us!

2) Go to a Twitter thread (series of Tweets by the same owner) and mention us with a keyword "unroll" @threadreaderapp unroll

You can practice here first or read more on our help page!

Follow Us on Twitter!

Did Thread Reader help you today?

Support us! We are indie developers!


This site is made by just three indie developers on a laptop doing marketing, support and development! Read more about the story.

Become a Premium Member ($3.00/month or $30.00/year) and get exclusive features!

Become Premium

Too expensive? Make a small donation by buying us coffee ($5) or help with server cost ($10)

Donate via Paypal Become our Patreon

Thank you for your support!