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Caiu Ricardo Vélez Rodríguez, o Breve. Ou melhor, sua saída previamente comunicada pelo governo foi finalmente oficializada hoje - já que o sujeito não era mais ministro desde meados de março, quando passou a ser desautorizado em seu próprio ministério.
O ministro Vélez chegou ao cargo pelas mãos do filósofo Olavo de Carvalho, aquele que faz as vezes de mentor espiritual do governo.
Intelectual conhecido entre círculos conservadores, Vélez assumiu com a promessa de revolucionar o ensino: suas prioridades seriam a restruturação da gestão universitária, a prioridade de investimentos no ensino básico e técnico e o fim das premissas ideológicas no ensino.
O problema é que Vélez era intelectual e não gestor.
Incapaz de compreender as dinâmicas da coisa pública, o ministro se viu envolvido em episódios bizarros como uma nota absurda contra o jornalista Anselmo Góis e um pedido para que escolas filmassem alunos cantando o hino nacional e repetindo o slogan do governo.
Vélez não conseguiu apresentar nada de paupável em sua gestão, sendo inclusive chamado de "gerencialmente incompetente" por Marcus Vinícius Rodrigues (ex-presidente do Inep).
A incompetência administrativa de Vélez era tão evidente que a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) praticamente demoliu o ministro na audiência da Comissão de Educação da Câmara.
Foi uma humilhação sem precedentes tanto pelo fato de ser um ministro tão desacreditado nos primeiros três meses de gestão quanto pelo fato de que a autora da surra intelectual ser uma integrante da categoria de base da Câmara.
Vélez só se manteve no cargo naquele dia porque o governo não queria legitimar a posição de Tabata Amaral. Também pesou o furo da jornalista Eliane Catanhede. O governo Bolsonaro preferiu desacreditar a Rede Globo do que se livrar de um ministro incômodo.
A esta altura Vélez já não contava com prestígio algum. Praticamente rompido com seu padrinho Olavo de Carvalho, o ministro que tentou costurar uma aliança com o Coronel Ricardo Roquetti no MEC se viu sem autoridade até para nomear secretários e assessores.
Aliás, toda a gestão de Vélez se resumiu em uma aventura ideológica esquizofrênica que só produziu vexames e cabeçadas em série. Um dos episódios mais constrangedores foi quando o ministro anunciou que os livros de história seriam editados para falar a verdade sobre 1964.
Aquilo demonstro qual era a compreensão que Vélez tem da realidade: no momento em que os militares tentam vender a corporação como democrática e institucional o ministro tentou resgatar uma página da história que os fardados querem esquecer.
Ou seja: o ministro não consultou generais e nem avaliou se teria apoio na medida. Apenas tentou surfar na onda do debate para tentar colher apoio ideológico. Só conseguiu mesmo passar vergonha.
Vélez sai de cena muito menor do que entrou. Conseguiu sair desacreditado até em sua área de atuação profissional, a academia. Segundo levantamento do Nexo Jornal, a produção acadêmica do ministro foi "inflada" na plataforma Lattes.
Suas posições ideológicas também saem arranhadas depois que se descobriram declarações favoráveis ao PSDB e a então candidata a presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton.
Também pesou o fato de que Olavo de Carvalho o abandonou assim que notou que o ministro estava em desvantagem na guerra dos tronos que se instalou no MEC. O fato de não ter se colocado como bastião do olavismo na pasta o tornou persona non grata na República da Virgínia.
O G traçou uma linha cronológica das lambanças no MEC, o que prova que a demissão de Vélez Rodriguez não era apenas a saída necessária - mas a única solução para um ministério anárquico e inoperante.
Em seu lugar vem o economista Abraham Weintraub, até então número 2 da Casa Civil. Supostamente sua nomeação é um acordo entre os núcleos militar e olavete. O que se espera é que o novo ministro se dedique mais a gestão e articulação política do que a combater moinhos de ventos.
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