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Aug 8, 2019 20 tweets 5 min read Read on X
Durante a ditadura, existiram vários heróis militares, que arriscaram tudo em nome da lei, da ordem e da segurança nacional.

Nenhuma delas era um ser humano desprezível e covarde como Carlos Brilhante Ustra.

Pelo contrário, eram heróis como o oficial Sérgio Macaco (segue)
Sérgio era um dos mais admirados oficiais da Para-Sar, a tropa de elite da Aeronáutica.

Nesta condição, foi convidado para uma conversa com o Brigadeiro João Paulo Burnier.

Lá, ouviu Burnier determinar que ele e outros oficiais da Aeronáutica praticassem um ato terrorista Image
Era 1968 e as críticas ao regime militar estavam numa crescente.

Burnier, então, determinou que os oficiais explodissem às 6 da tarde o gasômetro da Av. Brasil, no Rio de Janeiro.

Não obstante, eles também deveriam explodir a Represa de Ribeirão das Lajes (essa da foto). Image
A intenção de Burnier era causar o maior número de mortos possível.

Na época, se estimavam 100 mil vidas perdidas.

Com o caos instalado, o plano do Brigadeiro era jogar a culpa nos "comunistas" e sequestrar 40 “figuras políticas que deveriam já estar mortas”.
Os sequestrados seriam postos num avião e jogados em direção ao ocenao.

Entre os comunistas a serem sequestrados estava inacreditavelmente o General Olimpio Mourão Filho. Sim, o homem que comandou as tropas golpistas em 1 de Abril de 1964. Image
Não só ele, Carlos Lacerda (uma figura notoriamente conservadora) e Juscelino Kubitschek também estavam na lista.

A caractéristica em comum do trio era terem apoiado o golpe, mas em 68 fazerem oposição ao regime. Na cabeça de Burnier, era o suficiente para merecerem morrer. Image
Aqui, cabe um parênteses para deixar algo, se não ficou até agora, claro: o Burnier era maluco.

Em 59, liderou o sequestro de 4 aviões. Motivo? Jânio Quadros não queria se candidatar à presidência da República - e o comunista Leonel Brizola poderia ganhar. Image
Óbvio, o troço foi um fracasso.

Isolados no Aeroporto de Aragarças (GO), o movimento não ganhou adesão e Burnier foi pedir asilo a... Bolívia.

Em 1961, Jânio Quadros o anisitou e ele não apenas voltou ao Brasil, mas também a Aeronáutica.

Fecha parênteses.
Voltando.

Sob pressão de um oficial de alta patente, Sérgio Ribeiro Miranda, o Sérgio Macaco, foi inquirido se concordava com o plano...
De acordo com o livro "1968: o ano que não acabou", sua resposta foi:

"Eu acho que os senhores não estão falando a sério. O que torna uma missão legal e moral não é a presença de dois oficiais-generais à frente dela, o que a torna legal é a natureza da missão"
Uma pausa porque isso foi bonito!
Por incrível que pareça, isso não fez Burnier desistir do plano. Ele insistiu com Sergio e ordenou para que, dois dias depois, ele arregimentasse os outros oficiais da Para-Sar para uma reunião.

Enfileirados, mais de 30 oficiais ouviram mudos o plano do Brigadeiro.
No final da exposição, perguntou aos 4 oficiais + graduados se eles concordavam com o exposto. Todos concordaram.

Crente de que Sergio cederia a pressão dos seus pares, Burnier refez a pergunta ao capitão e ouviu que sua ordem era: "imoral, inadmissível a um militar de carreira"
Ainda irritado com a situação, Sergio completou. “Enquanto eu estiver vivo, isso não acontecerá”.

Aos gritos, Burnier mandou o oficial calar a boca, e saiu da sala com seus 4 aliados.

Desesperado, Sergio tentou denunciar os planos ao Ministro da Aeronáutica...
No entanto, foi barrado ainda na ante-sala.

Recorreu então ao Brigadeiro Délio Jardim de Matos, de quem havia sido assessor. Diante da gravidade da denúncia, Jardim de Matos apelou ao Brigadeiro Eduardo Gomes, patrono da Aeronáutica - e responsável pelo doce brigadeiro. Image
Como a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, o homem que impediu o Rio de Janeiro de virar uma bola de fogo passou 25 dias preso e respondeu a três inquéritos sigilosos em 1968: na FAB, no Serviço Nacional de Informações (SNI) e no Ministério da Justiça.
Terminou absolvido em todos.

Em um dos processos, 37 oficiais corroboraram ao brigadeiro Itamar Rocha a versão de Sérgio Macaco.

Itamar Rocha concluiu, em relatório, que era "nítida e insofismável a intenção do brigadeiro Burnier de usar o Para-Sar como executor de atentados"
Vale salientar que este caso só chegou onde chegou porque o patrono da aeronáutica interviu.
A despeito disso, com a vigência do AI-5, Sérgio foi reformado e teve sua patente cassada em 1969.

Passou o resto da vida vivendo com dificuldades, graças a pressão que o governo fazia em cima dos seus empregadores.
Sergio Ribeiro Miranda de Carvalho morreu em 1994 de câncer.

A fibra, coragem e espírito cívico do capitão Sérgio fizeram com que ele se tornasse o brasileiro a mais salvar vidas na história deste país.

Se Bolsonaro quer ser Ustra, eu sou Sérgio Macaco. Image

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Jul 3
Um serial killer que,

— Matou a esposa grávida a pauladas;
— Asfixiou a enteada de 5 anos com uma sacola;
— Estuprou ao menos cinco mulheres;
— E confessou ter matado ao todo 9 mulheres;

Foi solto esta semana pela Justiça do DF.

Mesmo condenado a 54 anos de prisão, Adaylton Neiva — o Maníaco do Novo Gama — deve continuar seu tratamento psiquiátrico no CAPS e não precisará sequer usar tornozeleira.

Este é um caso que encapsula tudo o que há de errado no sistema criminal do Brasil 🧵Image
O primeiro crime atribuído a Adaylton ocorreu em 2000.

Sua ex-companheira estava grávida e havia fugido da violência do Maníaco.

Ele foi atrás dela e a matou com golpes de madeira. A filha da pobre mulher saia do banho, viu sua mãe ser morta, tentou fugir, mas foi asfixiada com uma sacola.

Ambas foram enterradas numa cova rasa.

Adaylton foi preso por esse crime. E solto! No mesmo ano!Image
Preso por sete meses, Adaylton foi solto porque o juiz entendeu que seu julgamento estava demorando demais e a prisão preventiva não tinha justificativa.

Em liberdade, Adaylton não perdeu tempo e estuprou três mulheres.

Preso por esses crimes no DF, ele foi condenado a 9 anos de prisão em 2001. E solto em setembro de 2009 por causa da progressão de pena. E adivinhem só o que Adaylton fez assim que solto?Image
Read 10 tweets
Apr 29
O Senado vota hoje a indicação de Jorge Messias para o STF.

Com um ministro do STF detendo mais poderes do que o Presidente da República, se tornou essencial conhecer quem será o provável mais novo intocável 🧵

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado Image
O Brasil conheceu Messias durante o Petrolão.

Quando a Lava-Jato avançava para prender Lula, a então presidente Dilma Rousseff o nomeou ministro da Casa Civil. A ideia era deslocar o foro de Luís Inácio de Curitiba para o STF, onde ele teria mais chances de escapar.

Não sabiam Lula e Dilma que o celular do ex-presidente estava sendo monitorado e a interceptação revelou que Dilma enviou o "Bessias" com o termo de posse nas mãos para que Lula o apresentasse caso Moro decretasse sua prisão.Image
Com o PT longe do poder, Messias submergiu. Voltou a aparecer como Advogado-Geral da União no governo Lula, posição em que sempre procurou se destacar como o homem que não se importa em torturar a lei até ela dizer o que Lula queria que ela dissesse.

Caminho comum para quem quer cavar uma vaguinha no STF.

Por isso que Messias não se importou em desvirtuar a AGU, um órgão de Estado, responsável por defender a União em processos, numa máquina de censura sem igual.
Read 12 tweets
Jan 4
"Sou contra o Maduro, mas acho errado o que Trump fez."

Essa frase soa razoável, equilibrada, e adulta. O tipo de coisa que uma pessoa séria diria para não parecer radical.

O problema é que essa frase é, moralmente, uma das piores posições possíveis sobre a Venezuela. 🧵Image
Não porque seja moderada. Mas porque é fuga consciente. O "mas" ali não é prudência. É um pedido silencioso de absolvição moral.

A tentativa de parecer sofisticado enquanto se evita a única coisa que a moral exige: hierarquizar o mal. Dizer o que é pior. Escolher.Image
Repare na inversão. Primeiro condena-se quem age. Depois relativiza-se quem oprime.

O tirano recebe o benefício da complexidade, do contexto histórico, das circunstâncias atenuantes. A reação contra ele precisa se justificar infinitamente, responder a mil objeções, pedir licença para existir.

A violação sistemática da liberdade vira um problema menor. O incômodo causado pela resposta para dar fim as violações da liberdade vira o problema real.Image
Read 8 tweets
Dec 23, 2025
Em 2018, a Receita Federal criou uma lista de 133 agentes públicos com patrimônio incompatível, movimentações suspeitas e inconsistências graves nas declarações.

Entre os 133 nomes: as esposas de Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

O que aconteceu depois é uma aula de como o STF protege os seus. Alexandre de Moraes paralisou a investigação, afastou os auditores responsáveis e transformou os investigadores em investigados. 🧵Image
Tudo começou em maio de 2018, quando Iágaro Jung Martins, subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, anunciou a criação de uma "tropa de elite" de 150 auditores para investigar agentes públicos suspeitos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Na época, ele afirmou com confiança: "Não existe foro privilegiado na Receita Federal." Ele estava errado.Image
Os auditores testaram o novíssimo software ContÁgil, que conseguia cruzar os diferentes bancos de dados da Receita Federal.

A partir de 800 mil nomes iniciais, o sistema elaborou uma lista de 134 que mereciam maior escrutínio por apresentarem inconsistências patrimoniais graves.

Dois nomes chamaram atenção: Guiomar Mendes e Roberta Rangel.Image
Read 13 tweets
Sep 19, 2025
— "PEC da Blindagem"
— "PEC das Prerrogativas"

Meu radar diz que quando começam a dar nome para projeto de lei é porque querem te vender uma narrativa.

E com a quantidade de gente fingindo demência sobre fatos notórios dá para ter certeza disso. 🧵 Image
Primeiro, porque essa história de dizer que agora os políticos serão "blindados" de investigações é simplesmente absurda.

Quem te fala isso com a cara limpa não quer ser levado a sério. "Agora", eles serão?

A única vez que políticos foram investigados e conheceram a cadeia nesse país foi quando o Japonês da Lava-Jato era o terror dessa turma. Toda sexta-feira era a alegria do povo brasileiro: bilionário e político corrupto indo para a carceragem de Curitiba.Image
Desde que mataram a operação o que vemos é o mesmo de sempre.

Vejam o caso do senador Chico Rodrigues. Hoje no PSB, no governo passado estava no DEM. A única coisa que não mudou é o fato de sempre apoiar quem está governando.

No distante ano de 2020, a PF fez uma operação de busca e apreensão na casa do nosso herói. A Operação Desvid-19 investigou desviou de R$ 20 milhões em emendas para combater a pandemia em Roraima.Image
Read 16 tweets
Sep 4, 2025
O que leva um estudante universitário a abandonar os confortos da vida urbana e se embrenhar no meio da mata com a vã esperança de derrotar o exército brasileiro?

O depoimento do ex-guerrilheiro Dagoberto mostra que a verdade é mais simples — e mais trágica — do que parece. 🧵 Image
Dagoberto cresceu num Brasil que já não existe mais. Um país onde as diferenças econômicas eram grandes, mas as sociais eram borradas.

Os doutores apadrinhavam filhos dos pobres, abriam suas casas. Na pelada, filho de comerciante ou lavrador, todo mundo era criança.
Nos anos 60, ele sai do Maranhão rumo ao Rio. Vira testemunha da agitação política. Na família havia lacerdistas e trabalhistas. Ele se identificava com Jango e Brizola. Gostava da retórica nacionalista. Achava que o Brasil podia mais e era sacaneado pelos outros países.

O golpe de 64 foi um choque. Como janguista, ele acreditava que estava tudo no papo. O General Assis Brasil havia prometido que bateria na cabeça da reação. Nada adiantou. Os militares não toleravam quebra de hierarquia — especialmente a revolta dos marinheiros.Image
Read 14 tweets

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