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CAMISAS NAS FINAIS, A THREAD

Eram os tempos em que se trocavam e se vestiam as camisas do time rival após o duelo. Na foto, as estrelas do Ajax, Cruijff e Rep e os demais com o fardamento da Juventus após o título da Champions numa das épicas @NoitesEuropeias.
Um outro episódio clássico de troca de camisas foi a final da Taça Intercontinental entre São Paulo e Milan em 1993. Os jogadores são-paulinos vestiram as camisas rossonere, alguns até do lado do avesso mesmo, como fez Dinho.
Era uma oportunidade quase única para se conseguir uma camisa de um time de outro continente. Válber, Juninho, André Luiz e Dinho não desperdiçaram a chance.
Uma outra curiosidade, na Intercontinental, por motivos de exclusividade do patrocínio da Toyota, que pagava alto — pra época — pra promover o duelo entre os campeões europeus e sul-americanos no Japão, não era permitido que os clubes expusessem seus patrocinadores na camisa.
Certamente, para evitar que alguma concorrente automotiva se promovesse no evento, os times eram obrigados a entrar com as camisas "limpas" somente com seus fornecedores. Novamente o Milan sem seu clássico MOTTA na peita nem o Vélez com a SAMSUNG.
Em 1995, o Ajax não exibiu seu patrocinador ABN AMRO BANK nem o Grêmio o seu lendário RENNER.
A Juventus sem aquele charmoso SONY e o River Plate sem o exuberante QUILMES, na edição de 1996.
O Dortmund sem aquele CEZÃO enorme [Die Continentale] e o Cruzeiro sem o ENERGIL C [mas com Bebeto!!!]
Assim foi até 1998. No duelo "DE IGUAL PRA IGUAL", no qual o Vasco foi até melhor que o Real Madrid, o Vasco já não tinha nenhum patrocinador na camisa naquele ano, e os Merengues não exibiram o seu saudoso TEKA que ficava tão lindo no abdômen de Fernando Carlos Redondo e cia.
Em 1999, já com alguma relevância comercial global, afinal as TV Pagas eram realidade no mundo todo, o alcance das marcas via transmissões passou a ser um ativo que os patrocinadores não podiam mais prescindir.
Palmeiras com o famoso PARMALAT e o Man Utd com aquele classudo SHARP marcaram o fim da restrição.
Certamente houve alguma pressão por parte dos clubes que ficavam impedidos de exibir seus parceiros comerciais na hora do filé mignon, pelo menos pros sul-americanos, era o jogo mais importante do ano. Mas essa é outra discussão [escrevi outro fio sobre, vou colar aqui no final].
Como o evento era co-organizado pela UEFA e pela Conmebol, fatalmente foram as articulações dos clubes sul-americanos que determinaram a mudança na restrição. Vale uma apuração junto a algum dirigente vivo da época.
Ainda sobre patrocínios, restrições etc, nos anos 1990, havia algo curioso nas competições européias. A UEFA não permitia que o mesmo patrocinador fosse estampado em dois times no mesmo jogo. Talvez pra evitar alguma super-exposição ou MANIPULAÇÃO DE RESULTADO(!).
Quando o PSG visitou o o Bayern na edição 1997/98, o clube parisiense usou uma camisa limpa e o Bayern manteve seu imponente OPEL.
E tem gente que coleciona essas raridades. A loja @classicshirts tem um exemplar dessa camisa e custa só £499.99. Uma pechincha! Corre lá: classicfootballshirts.co.uk/1997-98-paris-…
O Milan era outro grande clube europeu patrocinador pela Opel naquela temporada, mas como foi muito mal na temporada anterior, terminando em último, não pôde enfrentar nem PSG, nem Bayern naquela edição. [Citei o Milan só pra poder mostrar o Maldini, meu crush da época]
Voltando ao PSG e Bayern, no jogo em Paris, o clube da Cidade Luz estampou o OPEL e os bávaros usaram uma inscrizionen im deutsch [mal a piada!].
Depois da péssima piada, hora de falar sério: "Sportler für Organspende" [Atletas pela Doação de órgãos], que é uma campanha da fundação VSO [Verein Sportler für Organspende] que fica em Frankfurt da qual o Bayern é parceiro até hoje.

vso.de
Agora sim, o Milan e a restrição da UEFA com o mesmo patrocinador.

Aquilo que não aconteceu em 1997/98, aconteceria em 2000/01. PSG e Bayern caíram no mesmo grupo e na fase seguinte, Milan e PSG se enfrentaram. Mas fizeram diferente.
PSG de local com OPEL e o Bayern com AGILA e o símbolo da montadora acima. Repare, na camisa do PSG não tem o símbolo. A UEFA não daria esse mole (nem a OPEL!).
A OPEL adotou a mesma estratégia quando PSG e Milan se encontraram. Meteram um CORSA com o símbolo e o time francês com o OPEL.
Em Milão, deixaram o OPEL intacto na camisa do Milan e colocaram o CORSA no PSG.
Duas décadas depois daquele Bayern-PSG aconteceu algo que a UEFA tanto temia acabou acontecendo. Embora esteja proibido no regulamento, que dois times de propriedade da mesma empresa ou pessoa disputem a mesma competição, Os dois Red Bulls se enfrentaram.
A UEFA teve que entubar uma que nenhuma criança acreditaria. Nem quem crê na terra plana iria ser tão ingênuo ao ponto de achar que os times de Leipizig [em português é Lípsia, maneiro né?] e de Salzburg [Salisburgo é meio estranho] são de donos diferentes. Mas a UEFA achou.
Os times caíram no mesmo grupo da Liga Europa em 2018/19 e fizeram o "Clássico Que Te Dá Asas" [by @marcosfelipe77] ou o Derby Energético.
A UEFA acreditou que RB Leipzig é somente um contrato de patrocínio e que o RB do nome quer realmente dizer RasenBallsport [Esporte Bola no Gramado]. Os touros no escudo é bobagem. Certamente já estava tudo planejado pelos proprietários desde o início.
Com um projeto tão ambicioso, a empresa de energético não correria semelhante risco. Mas o Salzburg, esse sim é de propriedade da Red Bull. É só ver no escudo os legítimos touros.
É isso, por agora. Se alguém lembrar de alguma coisa, algum detalhe que não abordei, fique à vontade.
Como bem lembrou o brilhante @Miguel_LPereira, até 1994, na Europa, não permitiam o uso de patrocínio nas camisas nas finais das competições.
No atropelamento do Milan sobre o Dream Team do Barça por 4 a 0, os Rossoneri usaram a camisa branquinha e os Blaugranas não tinham nenhuma marca na camisa até 2006. Essa foi a última final que os times entraram em campo sem patrocínios por restrição da UEFA.
Um ano antes, o mesmo Milan perdeu pro Marseille, ambos sem patrocínio naquela final de 1993. Desailly que iria pro Milan depois, disputa bola aérea com Jean Pierre Papin e [meu crush] Paolo Maldini.
Em 1992, o Barça venceu a Sampdoria por 1 a 0 com gol de falta do holandês Ronald Koeman. Como dito antes, os Culés não usaram nenhuma marca na camisa até 2006 [vou falar sobre isso mais adiante], e a fantástica Samp não usou aquele icônico ERG no peito.
Aliás, havia ainda uma regulamentação bem restrita naquela época inclusive com os fornecedores de material esportivo.
Em 1994, a camisa do Barça que jogava na Champions tinha uma diferença com relação à que vestia no campeonato espanhol. Repare na manga, a UEFA vetava a tarja da Kappa e também as marcas d'água na camisa.
O mesmo poderia ser percebido na temporada 1995/96, quando o romeno George Hagi jogava no clube catalão, a tarja da Kappa na manga do nostálgico uniforme verde-água era vetado pela UEFA.

PORÉM, reparem nas mangas da camisa do Bayern, as intocáveis três listras da Adidas.
Afinal, a Adidas era patrocinadora da UEFA e lógico que haveria essa proteção comercial.
Por falar em FC Barcelona, tanto Barça quanto o Athletic Bilbao conservaram seus uniformes "virgens" por mais de cem anos.
Não dava mais pra pagar as contas dos altos salários de Ronaldinho e dos astros que viriam à altura das ambições de um clube como o Barcelona só com bilheteria e direitos de TV, já estávamos no século XXI e as cifras pagas por patrocínios de camisa atingiam valores impensáveis.
Muito fiel aos seus "valores", o Barça resolve inovar e aumentar sua reputação de MÉS QUE UN CLUB. Em vez de vender seu valioso espaço na camisa, o clube resolve DOAR para a UNICEF. Logo após a conquista da Champions de 2006, o clube passou a usar a logo da instituição.
Lindo, não é mesmo? Pois é, mas, na verdade, o clube queria encontrar uma maneira de quebrar um tabu. Não haveria cifra que convencesse os mais de cem mil sócios do clube a romper com uma tradição mais do que centenária. E essa estratégia da diretoria foi verdadeiro DIBRE.
A logo da UNICEF ficou estampada na camisa do clube até 2011, quando o Barça anunciou um "patrocínio" que corroborava com os princípios puristas não-comerciais.

QATAR FOUNDATION, uma fundação humanitária de um país cujo governo é uma ditatura nada humanitária.
Era um projeto de "Soft Power" do país que queria se mostrar pro mundo como um lugar legal, tão legal que patrocinava um time com valores diferentes, era MÉS QUE UN CLUB, ora bolas. Mas o golpe veio dois anos mais tarde. Por contrato, em 2013, a marca "poderia" mudar. E mudou.
Fim do purismo blaugrana. As contratações de Neymar, Suárez, Griezmann e outros tinham que ser financiadas. Era uma escolha clara de se jogar a MAJOR LEAGUE ou ficar de fora. Mas hoje, não deve haver nenhum sócio triste. Jogada de mestre, olha a Rakuten aí.
Até o Athletic Bilbao, que assim como Barcelona, Real Madrid e Osasuna, que tanto se orgulha se não ter se tornado uma SAD (Sociedad Anónima Deportiva) e permanecer como um clube social que pertence aos sócios, teve de abrir as pernas.
Somente Athletic, Barça e Real nunca jogaram a segunda divisão na Espanha. Era aceitar vender o espaço sagrado no uniforme ou correr o sério risco de jogar a Série B do Espanholão. A tacada não foi tão genial, mas o argumento foi super nacionalista, o que justificou tudo.
Já que o Barça colocou uma marca na camisa em 2006, o Athletic aceitou fazer o mesmo em 2007. A desculpa era de que a PETRONOR era uma empresa basca. Pronto, suficiente pra convencer os sócios do clube que adoram esse contorcionismo sectarista.
O clube foi fundado por ingleses mas não aceita jogadores que não sejam bascos. Porém, a idéia de País Basco pra eles é bem diferente do que a geografia determina. Eles consideram todas a "COMUNIDADE BASCA" que contempla as regiões de Navarra e a parte francesa do território.
Filhos de bascos, ou quem nasceu nessa região acaba sendo aceito como Basco.
Por isso, o francês Bixente Lizarazu (nascido em Saint-Jean-de-Luz na França, considerado um território Basco), Fernando Amorebieta (venezuelano de nascimento mas filho de bascos) e Iñaki Williams (filhos de pais ganeses mas nascido em Bilbau) puderam jogar no clube.
Fim.

(Por agora, mas se lembrarem de algum caso, podem falar e a gente cai dentro!)
Ao relembrar a treta entre Edmundo e Romário que ficou marcada com a frase do Baixinho de que a corte estava completa com o rei, o príncipe e o bobo, reparei um detalhe. A camisa do Vasco não tinha as insignas da Kappa no ombro/manga da camisa no Mundial de Clubes de 2000.
Essa era a camisa do Vasco naquela temporada:
A FIFA já permitia patrocínios nas camisas como disse acima, mas não permitia ainda que outras marcas que não fosse a Adidas usasse suas marcas nas mangas. O próprio Man United naquele Mundial entrou com uma camisa diferente (a mesma que usava na Champions pelos mesmos motivos):
Aqui a camisa com a qual o clube disputou a Premier League 1999/00, com o badge de campeão da temporada anterior.
Na Intercontinental de 1999, os Red Devils também usaram a camisa sem a barra da Umbro nas mangas.
Mas o Real Madrid, no Mundial de Clubes de 2000, usava as três listras da Adidas nas suas mangas, afinal, a Adidas era (e é ainda) patrocinadora FIFA.
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