Eu tenho evitado a todo custo falar sobre a área de relações étnico-raciais aqui, porque sempre vira um "faz id da minha raça?" na minha DM e comentários
Mas vou tentar resumidamente explicar algumas problemáticas que envolvem os testes de ancestralidade e a questão sociológica +
voltados especificamente para a perspectiva indígena, com o recorte aqui em Pindorama (Brasil ok). Então, não se aplica a perspectiva de não-indígenas.

Vamos começar pelo básico:
1. Conceito de raça é um conceito sociológico, não biológico
A criação da noção de raça veio com +
a invasão de Abya Yala (este continente aqui chamado de América). Naquele momento, os "índios" foram categorizados como tal a partir do que era visivelmente perceptível, porque no final do século XV não existiam as ferramentas tecnológicas da biologia como existem hoje, então +
A noção da raça foi inicialmente pautada pela diferenciação:
>de traços físicos (fenótipo...)
e também
>de manifestações culturais [língua, espiritualidade, costumes]
>de organizações sociais [Estado x sem Estado, aldeia ou "nomadismo" x cidades, etc.]
+
Ela foi criada com o intuito de subjugar e explorar os povos indígenas, tanto que naquela época não existia "raça branca", eram as nações (espanhóis, portugueses), essa foi uma invenção posterior pelos ingleses e adotada nos contextos da colonização espanhola, portuguesa, +
francesa, etc. Ou seja, "raça" foi criada para hierarquizar, mas como as madames europeias fizeram isso?
Olharam o genótipo dos "índios" pra definir se eles eram "puros" pra serem considerados "índios"? Não. Foi pelo "olhômetro" e supondo que eles foram os primeiros a pisarem +
nesse continente durante milênios de nossas existências por aqui. Então, entra o processo de "como colonizar?" para além do poder bélico e guerras biológicas, ou seja, para além do puro genocídio.
Nesse contexto entram as ideias da miscigenação/mestiçagem e etnocídio +
Então apesar de "raça" naquela época (e ao longo de três séculos, até o surgimento dos estudos eugenistas) trazer uma ideia biologizante, o contexto social estava fortemente marcado.
O que vem como marco de "raça como conceito biológico" é pelo eugenismo no século XIX. +
Eugenia... aquela teoria que discursivamente é combatida, mas ela vem naturalizada e diluída no mesmo discurso (depois eu falo disso).
E com a chegada da Sociologia no Brasil, o tema que bombava era: relações étnico-raciais. Travando embates com o discurso eugenista. +
Não dava pra analisar a "formação social do Brasil" a partir de uma teoria do século XIX que tratava raça como biológica, porque existiam mais três séculos antes disso pra se pensar essa formação do Brasil.
Então, é nesse contexto que a área das relações étnico-raciais na +
Sociologia brasileira vai se construindo. Com muitas problemáticas? Obviamente, nós indígenas fomos basicamente deixados de lado durante todo esse tempo, o indianismo (da literatura mesmo) ajudou a fixar o "índio" como uma alegoria do passado...
Mas então o que é a "raça" +
enquanto único conceito válido na área científica, que é a sociológica?
Definição simples e básica do Antônio Sérgio Guimarães:
"discursos sobre as origens de um grupo, que usam termos que remetem à transmissão de traços fisionômicos, qualidades morais, intelectuais, +
psicológicas, etc., pelo sangue".
Ainda um conceito em debate, inclusive, mas o importante é que a noção de raça perpassa exclusivamente sobre a questão dos discursos, que estão presentes no âmbito social
Então, apesar de estar conectada com uma ideia biológica, >são discursos +
Não se faz análise de relações étnico-raciais pensando em genes. Se algum sociólogo faz isso, Florestan Fernandes (que nem eu sou chegada, mas é referência) se revolta...
Daí, pronto, temos aqui o básico resumido sobre raça não ser um conceito biológico, mas sociológico.
+
2. Raça é diferente de etnia
Existem raças e existem etnias... são conceitos distintos.
Inclusive, o conceito de etnia na Sociologia não dá conta do que é etnia para nós, indígenas, então, vou aqui colocar duas conceituações de etnia (1 sociológica e 1 antropológica)
+
Etnia na Sociologia pelo Antônio Sérgio Guimarães: "discursos sobre lugares geográficos de origem"
Por que não dá conta do que é etnia pra gente indígena?
Porque nossas etnias não são apenas sobre lugares geográficos de origem, isso seria reducionismo e extremamente simplista +
Então, vem conceitos de etnia da Antropologia, que eu articulo o Oliveira e o Brandão, respectivamente:
"cujos portadores pertenceriam a grupos minoritários atuais ou históricos" articulada com a noção de "padrões culturais”.
E também tem a definição do IBGE: "afinidades +
linguísticas, culturais e sociais"... é por essa definição que "indígena" é a única categoria racial que comporta categoria étnica no recenseamento
Vou chutar o pau da barraca e colocar em termos mais simples:
Raça: uma categoria genérica
Etnia: uma categoria específica
+
Não reproduzam essa explicação simplista que eu coloquei, é só pra facilitar a continuidade do que eu vou falar mais pra frente.

3. Identidade indígena - raça ou etnia?
A pergunta que vale um 🌽, há debates entre nós indígenas sobre isso...
Eu analiso pela perspectiva +
de que "indígena" é uma raça, categoria racial... por conta de uma análise sócio-histórica que evidencia a constituição do "índio" como uma categoria racial. Ela é genérica e bate de frente com nossas formas de pertencimento ancestrais, que são colocadas nos termos da etnia +
Nossa etnia é nosso povo... e nossa etnia está englobada hoje dentro da categoria racial, então indígena é uma categoria étnico-racial, porque não há somente "ser indígena", nós somos indígenas porque temos nossos povos. Não temos nossos povos porque somos indígenas.
+
A ordem dos fatores altera o produto aqui, percebe?

Então, como tudo isso tá relacionado aos testes de mapeamento genético, também chamados de testes de ancestralidade?
+
Começamos pelo uso de "ancestralidade" para falar sobre ancestralidade indígena, porque o que se mapeia é a "ascendência". Ancestralidade pra nós é justamente quem somos, nosso povo é nossa ancestralidade... isso independe de qualquer "mistura" com outros povos ou outras raças +
Outro fator problemático é justamente o primeiro item sobre "raça não ser biológica", porque quando se usa o teste para tentar "definir sua raça" [não estou falando do uso do teste para mapear predisposições a doenças, ok?], você está colocando que "raça" é algo que está +
definido por termos genéticos... não é eugenia por si só (porque não estamos falando de superioridade genética), mas é uma readaptação da teoria, de novamente colocar raça em termos biológicos.
Isso é contraprodutivo na área científica da Sociologia das relações étnico-raciais +
Continuando...
Reforço que estou falando em específico sobre nós, indígenas

A identidade indígena tem muitas peculiaridades, como o fato de termos sido a única categoria racial que foi tratada como "categoria social transitória"... isso vigorou até a Constituição Federal de 88 +
Porque foi nela que reconheceram nosso direito de sermos quem somos por sermos, não por "estarmos em transição". Daí, entra uma longa explicação sobre, então vou deixar aqui um texto bem legal pra dar uma ideia do que é isso da "categoria social transitória", do "desindianizar" +
A metáfora do Quati César:
taquiprati.com.br/cronica/1457-o…
Ele dá uma pincelada na complexidade do projeto etnocida do Estado que se reproduz na mentalidade da sociedade, que sempre nos coloca como uma "alegoria do passado"...
E aí entra outro ponto: da "pureza racial" pra ser indígena +
Uma forma de estruturar a colonização e suas bases coloniais, era de reduzir o número de indígenas... mas diferentemente do que se pensa, não foi um "extermínio", não, houve massacre.
Uma forma de reduzir esse número foi de aplicar um projeto de etnocídio, que é de apagamento +
de nossas identidades étnicas, tudo o que nos constitui. Assim, deixaríamos de ser "índios" e passaríamos a ser "brasileiros" (não é figurativamente falando; historicamente "índio" foi identidade antagônica ao "brasileiro" mesmo), assim seríamos classificados dentro das +
categorias raciais "brasileiras", que foram ao longo dos séculos basicamente: branco, pardo, preto
Mas também havia o processo de nos "desindianizar" através da imposição de relacionamentos interraciais... criando a ideia de miscigenação/mestiçagem e, consequentemente, criando +
novas identidades sociais e regionais que teriam que dar conta dessas gerações que nasciam no Brasil e frutos de relações interraciais (muito comum por: estupro): "pardo", "mameluco", "cafuzo", "mulato", "caboclo", "caiçara", "caipira", "sertanejo", "gaúcho", etc.
Uma grande +
confusão, porque basicamente as únicas dessas adotadas pelo recenseamento no Brasil foram: pardo e caboclo.
E caboclo foi só durante os dois primeiros recenseamentos do Brasil (1872 e 1890), pra designar os "filhos de brancos com indígenas", MAS existem diversas problemáticas +
na metodologia dos dois primeiros recenseamentos, que não cabe falar aqui agora, porque o foco é outro, mas enfim... resumidamente, elas não contemplavam a população indígena no país inteiro por 1. não ser uma categoria "nacional" (presente em todas as regiões); 2. excluir +
as pessoas que eram frutos dos relacionamentos entre indígenas e africanos e negros brasileiros; 3. basicamente colocar em termos de que "o índio" era só história naquela altura, "hoje" (naquela época") já eram "miscigenados", integrados à sociedade brasileira...
+
É importante colocar que o contexto de criar novas identidades pra essas gerações de indígenas + não-indígenas ou mesmo de indígenas com indígenas mas aqueles em processo de "integração social e assimilação cultural", promovida pela catequização principalmente, é uma violência +
às formas ancestrais de organização e pertencimento dos povos, porque cada povo tem a sua forma de definir quem é pertencente ao povo... e isso poderia independer da "miscigenação". Quando os europeus e os brancos brasileiros fazem esse processo de impôr uma nova identidade +
eles tão exercendo essa dominação por violentar nossas formas ancestrais de nos definirmos e organizarmos. É como se alguém chegasse na tua casa e falasse "a partir de agora, eu digo quem você é de acordo com os meus parâmetros"...
Então, eles criam essa massa de população que +
está alocada em categorias sem definições que conectem essas coletividades, somente se pautam numa definição de "miscigenação/mestiçagem" de forma vazia.

Daí linkamos tudo isso com esses mapeamentos genéticos e trazemos mais problemáticas:
- uma ferramenta para deslegitimar +
as identidades indígenas de pessoas indígenas ou povos inteiros por não serem "geneticamente puros", com somente "marcadores genéticos indígenas"; e isso se torna em ferramenta para negar os direitos indígenas, principalmente às terras indígenas
- violentar novamente nossas +
formas ancestrais de organização e pertencimento, que definitivamente nunca checamos o genótipo de ninguém pra dizer se a pessoa era do povo X ou Y, ou mesmo se era indígena ou não; e isso se torna em outros problemas como retirar nossa autonomia e possibilitar a falsificação +
de pessoas não-indígenas requerendo direitos indígenas utilizando o argumento de "tenho o teste que comprova que tenho DNA indígena" e "veja, eles também têm DNA de não-indígena, mas se dizem indígenas, por que eu não posso ser?"
- nossos pertencimentos étnicos não são +
"descobertos" por mapeamento genético, é nossa relação com nossa ancestralidade, através dos costumes que nos são passados através de gerações, de nossa educação, língua, espiritualidade, hábitos; não existe um teste de DNA que faça esse processo
- os bancos de dados sobre +
indígenas é pequeno... e é pequeno porque nós estamos sendo apagados? Não, porque nós não precisamos mapear nosso genótipo pra saber quem somos, não é o genótipo que vai dizer quem somos; são nossas formas de organização e pertencimento ancestrais, é nosso povo
Então, +
eu particularmente não lembro de nenhum parente que acha esse teste "ok". Então, basicamente, a gente não faz. E por isso o banco de dados é pequeno.
Inclusive, sei de várias aldeias que se recusaram a fazer justamente por saber de todas as problemáticas envolvidas e como não +
é empresa nenhuma que vai dizer quem são eles.
Não poderia deixar de comentar do perigo de vender todos os seus dados genéticos pra uma empresa capitalista...

Enfim, a questão é: identidade indígena não é definida pelo que um teste de mapeamento genético diz; por isso não +
sigam pelo caminho de imaginar problemáticas em torno da baixa no banco de dados sobre indígenas. Talvez seja proposital... da nossa parte.

Já passamos por muitos perrengues ao longo de 520 anos pra conquistarmos nossos direitos e sermos reconhecidos por quem somos, da forma +
como somos.
Se por acaso um mapeamento genético disse qual a suposta etnia você "faz parte" (isso é extremamente falho, vocês sabem né... existiam mais de 1400 povos só no que é chamado de Brasil, e atualmente somos 375 povos [sim, diferente dos dados da Unesco, Gersem Baniwa +
traz outro número]), não ache que isso te faz necessariamente pertencer a ela.

Então, suspeitem também de mapeamentos genéticos que indicam etnia, porque essa variabilidade e/ou diversidade genética por cada etnia indígena não me parece sequer biologicamente possível de análise.
Divirtam-se e critiquem-se pesquisando referências de sociologia de relações étnico-raciais:
Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
Branco e Negros em São Paulo - Roger Bastide e Florestan Fernandes
Como trabalhar com "raça" em sociologia - Antônio Sérgio Guimarães
+
Racismo e Antirracismo no Brasil - A. S. Guimarães
Raça, cor, cor da pele e etnia - A. S. Guimarães
Discriminação e desigualdades raciais no Brasil - Carlos Hasenbalg
Formação do Brasil Contemporâneo - Caio Prado Jr.
A Construção Sociológica da raça no Brasil - Sérgio Costa
+

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