Eu só acredito em intervenção estatal em casos de conflitos de liberdades. Se a liberdade do seu punho encontrar a liberdade do meu rosto, o governo intervém para proibir que você me agrida. Neste cenário, como fica a obrigatoriedade de vacinas?
No caso de crianças, a liberdade dos pais é limitada pela liberdade dos filhos. Neste conflito de liberdades, onde as crianças são vulneráveis, há justificativa para que pais seja obrigados a vacinar seus filhos — uma vez que há argumento racional para que vacinas salvem vidas.
Mas no caso de adultos, outras questões entram na conversa. O Estado deve me obrigar a cuidar da minha saúde? Certamente não deveria, já que um adulto possui auto-responsabilidade, diferente de crianças. A questão é inteira sobre terceiros, se prejudico outros ao não me vacinar.
Certamente existe algum nível de prejuízo aos outros quando não me vacino: vacinas não geram imunidade absoluta, mas diminuem bastante as chances de infecção, além de muitos não poderem se vacinar por motivos de saúde. Em escala nacional, vacinas são mais eficazes se todos tomam.
Mas isso é suficiente para justificar imposição estatal? É um conflito de liberdades claro o bastante, direto o bastante? Este é o campo do debate teórico. Na prática, a conversa fica boba porque estamos discutindo a obrigatoriedade de um bem inquestionável, obrigatório ou não.
Eu sou a favor que o governo imponha vacina? Em crianças, absolutamente. Em adultos? Não tenho certeza, mas realmente gostaria que todos se vacinassem. Enquanto temos uma ótima tradição de prudência e cuidado com nossas vacinas, vou sem medo. Tem que ser doido pra não se vacinar.
Até no caso da vacina do Corona, que me deixou bem desconfiado no começo, percebi que não há motivos: os testes estão sendo tão cuidadosos como podem ser em qualquer vacina, apesar do tempo mais rápido de desenvolvimento. Obrigatória? Não sei. Mas eu quero, e quero logo.

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15 Sep
CONFISSÕES DE SETEMBRO AMARELO

Desde que me conheço por gente, eu lido com um sentimento constante, diário, quase onipresente: ANGÚSTIA. Todos os dias eu a sinto, com ou sem motivo, mais ou menos intensa; e todos os dias, viver depende de negociar com ela.
Não sei o que causa isso, eu não sei de onde ela vem, eu não sei mandar ela embora. Mas ela está aqui, todos os dias, desde que me lembro. Algumas coisas anestesiam e disfarçam: o carinho da esposa, o riso da bebê, a troça com os amigos, a comunhão com a igreja. Mas é temporário.
Às vezes essa angústia me paralisa e me deixa improdutivo; outras vezes, Deus a afoga nos oceanos da graça e consigo me manter alegre apesar do sentimento quase físico que o Espírito me ajuda a ignorar. Com quase 30, já sei que a desgraçada não vai embora e que só resta conviver.
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3 Feb
Nos primeiros anos do meu ministério, eu achava que precisava ser capaz. Não que eu tivesse uma visão romanceada do serviço pastoral, mas eu acreditava que o Senhor me daria as capacidades necessárias para o que ele me comissionava.

[segue o fio]
O que eu não entendia, e demorei pelo menos cinco anos de pastorado para finalmente me deixar ser ensinado por Deus, é que o Senhor me usaria em minhas incapacidades mais vergonhosas.
Parte do sobrenatural é natural. Deus vai sobrenaturalmente te dar as capacidades necessárias ao pastorado. Ele vai te dar conhecimento de grego, vai te ajudar a pronunciar as palavras no sermão, vai te dar repertório o bastante pra aconselhar de modo profundo e inteligente.
Read 10 tweets
1 Feb
Se Jesus é suficiente, por que eu preciso de outras coisas para ser feliz? Segue o fio.
Ainda é difícil pra mim entender bem como eu preciso de descanso, folga, tempo com amigos, jogos, alívios na rotina, risos, filmes e açaí para ficar emocionalmente bem se Jesus deveria ser minha fonte inesgotável de toda alegria.
Eu demorei para perceber que eu acreditava em um tipo emocional de teologia da prosperidade. Cria, com a melhor das intenções e bem abalizado por teólogos de renome, que se eu me apegasse o bastante a Jesus, eu nunca ficaria triste.
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31 Oct 19
João 8.31-32: "Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."

Permitam ao teólogo aqui comentar sobre o uso do presidente deste texto bíblico.
1. Jesus está falando com pessoas que passaram a crer nele, a convertidos à fé;
2. Ele caracteriza ser um discípulo como um ato de permanência em seus ensinos ("na minha palavra"), pois o discípulo é quem crê no que Jesus diz;
3. A "verdade", em paralelo, é a palavra de Jesus;
4. Conhecer a verdade, no caso, significa permanecer nos ensinos de Jesus (na palavra/verdade), isto é, ser um discípulo de Cristo é crer e continuar crendo no que Jesus ensina;
5. Somos libertos (da condenação) através de conhecer a verdade (seguindo o que Jesus ensinou).
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