1.

Dez "cuidados" na Análise de Balanços

Efeito da Inflação
Valor presente e o efeito dos juros
Descasamento de câmbio
EBITDA
EV/EBITDA
ROE
ROA
WACC e os "pesos"
despesa financeira
Caixa e equivalentes
2. Efeitos da inflação

Analistas consideram os efeitos da inflação na análises macro e micro. Em muitos casos as análises são feitas em termos reais ou em moeda forte ("dolar")

Os Balanços são apresentados em termos nominais.

Ex últimos 5 anos a receita cresceu. E a inflação?
3. Efeito dos juros e ajuste a valor presente

As normas contábeis "não obrigam" o ajuste a valor presente para as transações de curto prazo (- de 12 meses)

Ex. vende por 1000 para receber em 10 meses.

Receita/Contas a receber: 1000.
Mas se antecipar o recebível recebe 1000?
4. Efeito do câmbio

Exportadoras geralmente tomam dívida em dólar - chamado "hedge natural"

Se dolar sobe, dívida sobe mas receita também.

Só que receita é fluxo e dívida é "estoque"

Consequência: EBITDA maior e "perda" financeira. Lucro fica volatil apesar do hedge natural
5. EBITDA aint proxy do Fluxo de Caixa

EBITDA é um subtotal da DRE que é preparada pelo regime de competência

Empresa vende hoje: pode já ter recebido (up front fee, adiantado), pode receber hj ( a vista), pode receber daqui 6 meses (a prazo)

Se quiser fluxo de caixa, veja DFC
6. EV/EBITDA

Pós IFRS 16, as despesas de aluguel (leasing) são reconhecidas como amortização/juros - bellow EBITDA.

Logo, ou se soma a dívida de leasing na dívida líquida para fazer EV/EBITDA pós IFRS 16 ou

Usa-se o EBITDA antigo com a despesa de aluguel "dentro do EBITDA".
7. ROE

Em X0, o lucro foi 100 e PL final era 1.000.

10% de ROE? O lucro do ano está dentro do PL final

Recomendável fazer ROE (e ROA) com PL inicial ou médio.

Ex. investi 500 na empresa, lucro do ano 100 = ROE 20%; PL final 600. Vc não dividiria 100 por 600 certo?
8. ROA

Dividir lucro líquido/PL não faz sentido pois a forma de financiamento da empresa não afeta a rentabilidade do ativo.

Retorno sobre ativos deve considerar lucro operacional (antes do resultado financeiro).

Alavancagem financeira melhora o Retorno do acionista (ROE)
9. WACC

Os "pesos" devem considerar o valor de mercado do debt e equity.

No caso de dívida, da até pra "aceitar" o valor contábil

Mas no equity não; quanto maior a diferença price/book mais distorcido fica o cálculo do WACC

Em post anterior ressaltei outros pontos sobre WACC
10. Despesa financeira e Kd

Formula de livros - Kd = despesa financeira/passivo financeiro.

cuidado, além do juros, na despesa financeira tem: efeito de câmbio, mtm de derivativos e outros IF, atualizações de processos, custo de desconto de recebiveis (que não tem passivo) etc.
11. Caixa e equivalentes

contabilmente tem uma definição "bem rigida" do que é caixa: liquidez imediata e sem risco

Nas análises da pra incluir outras coisas, p.e recebiveis de cartão?

Até dá, mas ai precisaria (i) fazer o ajuste a valor presente e (ii) tirar chargeback/pdd
12.

Por fim, só pra registrar não existe uma "norma", uma "forma única" de analisar Balanços e extrair indicadores.

Na verdade: cada um faz do jeito que quiser.

Por isso, esse post não é um crítica. É mais um alerta.

abs

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fundamento legal
Funções e competências
atuação e matérias
Pareceres e opiniões
Interação com a administração
Pedido de instalação e eleição
2.

A instalação de um conselho fiscal numa companhia fundamenta-se no direito que o acionista tem de fiscalizar os administradores.
Acionista: é o "dono" e tem por direito fiscalizar aquele que "administra" a sua empresa.
Esse direito se dá por meio do conselho fiscal.
3.

O conselho fiscal é um órgão "fiscalizador" independente da diretoria e do conselho de administração
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