É incrível o poder do combo polarização + vínculo emocional/identitário com partidos: uma parte gigantesca do partido republicano acredita piamente que a eleição de Biden foi ilegítima, comprando totalmente uma narrativa que não para em pé.
É sabido que a mera associação a um grupo/rótulo distorce percepção da realidade e cria hostilidade com quem não é do grupo, que é percebido como mais extremo do que de fato é. Isso é natural, somos tribais e quando grupo é homogêneo piora. Mas não deixa de impressionar.
É meio análogo a quando acontece um impeachment de alguém que possua ainda boa base eleitoral, para quem a remoção (e, portanto, o governo substituto) será sempre ilegítima. Essas pessoas se sentem quase como se tivessem sido pessoalmente agredidas.
É uma das coisas que fez prosperar a narrativa de "golpe" vendida pelo PT e uma das coisas que dificulta impeachment de Bolsonaro.
Mas lá a narrativa não é simplesmente de um "golpe". É um troço completamente maluco envolvendo até Hugo Chaves, que morreu muito antes de Trump assumir. E a cada dia que a coisa se estende, sem que republicanos reconheçam que perderam, isso degringola mais.
Líderes republicanos sabem que é tudo lorota e que Biden ganhou, mas quase nenhum tem coragem de admitir publicamente e romper com a tribo (e com os potenciais votos) e colocam isso acima do interesse nacional.
Cada um desses facilitadores provavelmente cria alguma narrativa pessoal para justificar para si o dano que estão causando às instituições--e em particular à transferência pacífica de poder, uma das essências da democracia.
Segundo turno das eleições para o senado na Georgia com certeza pesam, assim como receio deles de Trump ainda controlar boa parte da base nos próximos dois anos, quando muitos vão tentar se reeleger como deputados. Mas vários ali são senadores recém-eleitos, com mandatos longos.
E Trump vai continuar a fazer barulho, mas sem o bully pulpit da presidência, com chances de perder conta no Twitter e talvez até com desembarque da Fox News, que agora compete com o Newsmax, um canal ainda mais alucinado.

Enfim. A ver como se desenrola...

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20 Nov
Resumo do debate POA: Manuela e Melo mais parecidos do que diferentes. Ambos dizem que vão manter muito do feito pelo governo atual, mudando coisas pontualmente aqui e ali. Ambos citam importância de segurança jurídica.
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Manuela com ideias mais ousadas, mas provavelmente inexequíveis. Fazer compras localmente parece pouco escalável. Dogmática sobre não ter nada privado. Mais responsável sobre pandemia. Ideias mais concretas pra cultura, mas não sei se viáveis.Usar prédios abandonados interessante
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