Uma das coisas que sugiro para jovens pesquisadores nas oficinas de escrita acadêmica é escolherem logo um "nome acadêmico", tipo nome artístico, um que vai acompanhá-los durante toda a carreira. E publicar usando o mesmo nome SEMPRE ! +
Sugiro usar apenas um nome e um sobrenome, a menos que o nome ou o sobrenome sejam compostos. E, obviamente, nunca usar sobrenome de cônjuge. A carreira costuma durar mais do que os casamentos. +
Por quê? Nomes grandes atrapalham indexação e citação. É mais difícil localizar autores que tem seus nomes grafados de maneiras diferentes. Quanto maiores os nomes/sobrenomes, maiores as chances de serem escritos de maneiras diferentes pelo próprio autor, ou por quem o cita. +
Vejam um exemplo. Luiz Carlos Bresser Pereira tem livros publicados como Luiz Carlos Bresser Pereira, Luiz Bresser Pereira e L. C. Bresser Pereira. E como colocar seu nome em uma bibliografia?

1) BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos
ou
2) PEREIRA, Luiz Carlos Bresser? +
Intuitivamente eu usaria 1), uma vez que ele é conhecido pelo sobrenome composto. De todo modo, sempre fico na dúvida. Já usei os dois jeitos. Ainda tenho a impressão que a solução "Bresser Pereira" é arbitrária e contraria a norma. +
Mas como faria nesse caso um estrangeiro que não conhecesse o autor? Nomes/sobrenomes múltiplos dificultam a citação em periódicos estrangeiros, principalmente no mundo anglo-saxão, onde predomina o uso de apenas um sobrenome. +
Por isso latino-americanos que tem sobrenomes compostos e fazem carreira nos Estados Unidos ou na Inglaterra costumam acrescentar hífens em seus sobrenomes, para dificultar a confusão. +
É muito comum o 1º livro de um jovem autor ter o nome completo, tal como na tese. Mas livro não é tese. Dá para simplificar sem medo. Com o tempo pesquisadores tendem a perceber o problema e diminuir seus nomes. Mas não é necessário deixar isso para depois. +
Proponho um teste. Comparem o catálogo de autores de uma editora que publica teses com o catálogo de uma editora que só publica autores com longa trajetória. Outro teste: quantos nomes/sobrenomes tem as pessoas que vocês mais citam? +
Por último três pessoas que encurtaram os nomes e fizeram sucesso:

. Karl Heinrich Marx virou Karl Marx

. Maximilian Karl Emil Weber virou Max Weber

. Simone Lucie Ernestine Marie Bertrand de Beauvoir virou Simone de Beauvoir.

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More from @alvarobianchi

11 Jan
Hoje descobri que um artigo meu e de @danixhm foi extensamente lido em video e resenhado por um facínora fugitivo da justiça. O meliante é incapaz interpretar textos muito simples, desprovisto de referencias históricas básicas e ignorante a respeito das ideias que quer criticar. Image
Seu único acerto foi escrever meu nome sem acento. O antigramscismo das direitas radicais brasileiras é um delírio conspirativo. Distingue-se do antigramscismo argentino e chileno dos anos 1980, o qual importou temas e argumentos do debate filosófico italiano.
Estamos pesquisando a circulação das ideias antigramscistas na América Latina e recentemente terminamos um artigo a respeito. Eis que o objeto de pesquisa nos encontra para validar nossa hipótese. Um privilégio!
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17 Dec 20
Hoje respondi a um email de discente sobre questões a métodos de pesquisa quando o objeto são ideias. Aqui minha resposta:

"tuas dúvidas talvez surjam de uma confusão muito comum quando o objeto de pesquisa são ideias, autores, obras, etc.
"A pesquisa é definida pelo seu objeto e por seu método, mas o que determina se uma pesquisa é teórica ou empírica é o método, a maneira como você vai estudar a informação recolhida.
"Se você inclui na pesquisa variáveis como tempo e espaço, muito provavelmente não está fazendo uma pesquisa teórica e sim empírica. Elas podem ser pesquisas sociológicas, nas quais a ênfase geralmente recai na conformação dos grupos intelectuais e nas instituições
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4 Jul 20
Você já teve um artigo rejeitado? Não desista, estas pessoas também passaram por essa:
BUCHANAN, James M.. External and Internal Public Debt. American Economic Review, v. 47, n. 6, p. 995-1000, Dec. 1957.
FRIEDMAN, Milton. Professor Pigou's Method for Measuring Elasticities of Demand from Budgetary Data. Quarterly Journal of Economics, v. 50, n. 1, p. 151-163, Nov. 1935.
KALECKI, Michal. A Theorem on Technical Progress. Review of Economic Studies, v. 7, n. 1, p. 178-184, May 1941.
KRUGMAN, Paul R.. Increasing Returns, Monopolistic Competition, and International Trade. Journal of International Economics, v. 9, n. 4, p. 469-479.
TOBIN, James. Multiple Probit Regression of Dichotomous Variables/ Collected Essays of James Tobin. Chicago: Markham, 1975, v. 2.
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19 Jun 20
Uma dica para quem começou a escrever artigos acadêmicos: não seja criativo(a). Guarde a criatividade para a pesquisa; tire ela do texto. Eficácia é o princípio que organiza a escrita acadêmica. A informação deve ser transmitida de maneira simples, direta e sem distrações. +
Isso, evidentemente, não implica escrever um texto chato e desinteressante. O estilo da escrita é muito importante e você deve desenvolver um estilo próprio. Mas as regras da escrita acadêmica são muito diferentes das regras da escrita literária. +
Uma escrita literária sem criatividade está fada ao fracasso. Mas um texto acadêmico com um argumento linear e até mesmo maçante pode fazer enorme sucesso. Os casos são incontáveis.
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20 May 20
Inglaterra e França anunciaram que o próximo ano letivo será sem aulas presenciais. E aqui? A picaretagem no ensino à distância nas instituições particulares viciou o debate. Mas se as universidades públicas não podem fazer melhor fica difícil justificar sua existência. +
Manter as universidades fechadas por um ano não é alternativa. É suicídio. Não é sequer uma possibilidade. Alguém está propondo que paremos de formar médicxs, enfermeirxs, biólogxs, etc.? Alguém está propondo fechar os laboratórios que estão trabalhando com a COVID-19? +
A hora da universidade pública sair da posição defensiva na qual se encontra é esta. O novo lugar que ela está ocupando no debate público mostra que é possível. Mas não creio que isso seja viável adotando a passividade como estratégia. +
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9 Nov 19
Na madrugada de ontem quebrei meus óculos. Minha prioridade hoje de manhã era conserta-los e desisti de ir ao ABC como havia planejado. Mas assisti duas vezes o discurso de Lula e troquei ideias por aqui com gente interessante. Aqui minha opinião:
Há o discurso e há a coreografia do palanque. As duas coisas são importantes. Gleise e Pimenta representam o poder da bancada. A candidatura de Lula em 2018 era a confluência de seus interesses e da defesa. Com isso governadores foram para segundo plano, os velhos amigos tb.
Haddad se tornou incontornável, mas o desconforto dele no palanque só não era maior do que a distância que Gleise queria ficar dele. Sua candidatura foi reafirmada por Lula e será confirmada, a menos que ele se torne novamente elegível.
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