A aventura dos Camisas Negras dá um aulão lindo de história. A Resposta Histórica numa análise de documento séria é outro aulão de fonte primária. A carta, ao citar que os jogadores são "quasi todos brasileiros", por exemplo, expressa a necessidade de se combater o sentimento +
Antilusitano, legado do jacobinismo e hoje melhor compreendido pelo conceito de xenofobia. Mas há muito mais a se falar. O Vasco x Flamengo de 23, pra mim, é o grande momento que explica esse tensionamento do futebol como mecanismo também de identidade nacional. De um lado, o +
Futebol branco e "brasileiro" do rival, que apoiado pelos coirmãos da aristocracia do futebol (Bota, Flu e América) tentava parar a ascensão vascaína, trazendo um futebol preto, pobre e português. Que, como bem disse Mario Filho, apesar de ser "brasileiríssimo" era uma ameaça. +
O que a carta não cita, e isso nós já sabemos, é a questão racial. O mecanismo utilizado pra mascarar o preconceito racial era o vínculo empregatício. E, do alto de 2021, nem precisava citar, convenhamos. Quem hoje não faz o recorte de classe alinhado com o racial tá perdidinho.
MF cita, inclusive, que o Flamengo não aceitou jogar um amistoso contra o Vasco ao final de 24, pois segundo ele os jogadores tinham receio de se sujar ao encostar nos vascaínos.
Como conta a tradição, 7 jogadores titulares tiveram a exclusão solicitada. Não é verdade que +
Todos eram pretos, analfabetos e brancos pobres. Mas cada jogador excluído era alvo por um motivo velado. Dos 4 que não foram, 3 eram de seleção. 2 pretos, Nelson e Torterolli, pq com o futebol que jogavam seria impossível excluí-los. Ainda que Nelson fosse Chaffeur. Mingote, +
De família italiana, acabou escapando mesmo que fosse pintor de paredes. O igualmente branco Paschoal, multicampeão pelo Vasco, completava a lista.
A comparação dos excluídos perante os salvos escancara os limites do abuso de poder: Bolão, preto, encaixotador, e Leitão, branco +
Foram 2 dos 7 excluídos. Ambos eram, antes das aulas de português pagas pelo Vasco, analfabetos. E pobres. Cecy, cozinheiro, era preto e pobre como Bolão. Cada caso carregava uma particularidade mas no fim sempre apontava para o mesmo mecanismo de preconceito racial e social.
O estudo sobre os Camisas Negras, que muito me anima, é algo que precisa de novos olhares e que tem um potencial didático tremendo. Tem que ser feito com paciência e método, obviamente. Não é coisa de 1 ou 2 meses.
Minha pesquisa, sobre a profissionalização do futebol e o Vasco +
De certa forma tem nos Camisas Negras o primeiro grande ato desse processo de profissionalização, que pra mim e muitos outros estudiosos começa com o Vasco em 23. Minha hipótese é que o Vasco é fundamental pro profissionalismo, tanto em 23 quanto em 33, e durante esse processo. +
Um dia, espero poder me debruçar melhor sobre os Camisas Negras. Até lá, ficam essas pequenas contribuições que poderiam se estender por mais tweets e tweets, mas não contemplariam a seriedade que precisa um trabalho dessa importância.
Minha esperança tá com vocês. Estudem 23/24!

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