Você provavelmente já viu essa marca de leite no supermercado.
O que você não sabia é que a produção fica no Oeste da Bahia, em uma cidade de 9 mil habitantes, e foi criada por um neozelandês.
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Tudo começou no ano 2000, quando David e Simon Wallace, pai e filho, produtores de leite na Nova Zelândia, vieram ao Brasil em busca de genética adaptada ao clima tropical.
Eles viajaram por todo o país. Rodaram mais de 150 mil quilômetros.
E concluíram que o Brasil tinha condições ideais para produzir leite da forma que imaginaram.
Depois de 2 anos de busca, a escolha foi por terras em Jaborandi, uma cidade com apenas 9 mil habitantes no sudoeste da Bahia, perto da divisa com Goiás.
Ali, fundaram a Fazenda Leite Verde, que depois viria a se chamar Leitíssimo.
A empresa acabou de admitir algo que o mercado temia: existe “incerteza relevante sobre a continuidade operacional”.
E o problema pode ser ainda maior do que parece.
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No 4T25, o GPA teve prejuízo de R$ 523 milhões. Melhor que os R$ 737 milhões de um ano antes.
No ano, a perda caiu mais de 60%.
Mas as ações mesmo assim caem mais de 5%. Por quê?
Porque o problema não está só no resultado operacional. Está no balanço.
A empresa fechou 2025 com:
• Capital circulante líquido negativo de R$ 1,2 bilhão (falta dinheiro/ativos de curto prazo pra cobrir contas do curto prazo)
• Liquidez corrente abaixo de 1 (o curto prazo a pagar é maior do que o curto prazo a receber)
Em 2025, quase todas as empresas brasileiras antecipam dividendos para evitar a tributação prevista para 2026.
Duas não o fizeram: Petrobras e BB — ambas controladas pela União, que se beneficia da tributação futura.
O problema: conselheiros têm dever fiduciário com a companhia, não com o controlador, conforme Lei 6.404/76 — arts. 154 e 155 (dever de lealdade e diligência).
Deixar de pautar um tema material como a antecipação de dividendos pode configurar omissão contrária ao interesse da companhia.
Para empresas com ADRs nos EUA, há risco adicional: violação da Rule 10b-5, do Securities Exchange Act de 1934, que proíbe omissões materiais e decisões que prejudiquem minoritários.
Lei é clara nos dois países: o conselho serve à empresa — não ao governo.
Isso pode gerar problemas, na pessoa física, aos conselheiros da empresa. Na justiça brasileira e na justiça americana.
Art. 154 — Dever de Lealdade
“O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia.”
Art. 155 — Dever de Diligência e Informação
“O administrador deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios.”
“O administrador deve manter sigilo sobre as informações ainda não divulgadas ao mercado (…)”
“O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre seus negócios.”
SEC — Rule 10b-5 (Texto original, literal)
17 CFR § 240.10b-5 — Employment of manipulative and deceptive devices
It shall be unlawful for any person, directly or indirectly, by the use of any means or instrumentality of interstate commerce, or of the mails or of any facility of any national securities exchange,
(a) To employ any device, scheme, or artifice to defraud,
(b) To make any untrue statement of a material fact or to omit to state a material fact necessary in order to make the statements made, in the light of the circumstances under which they were made, not misleading,
(c) To engage in any act, practice, or course of business which operates or would operate as a fraud or deceit upon any person
Securities Exchange Act of 1934 — Section 10(b) (Texto original)
15 U.S.C. § 78j — Manipulative and deceptive devices
It shall be unlawful for any person, directly or indirectly, by the use of any means or instrumentality of interstate commerce or of the mails, or of any facility of any national securities exchange —
(b) To use or employ, in connection with the purchase or sale of any security registered on a national securities exchange or any security not so registered, any manipulative or deceptive device or contrivance in contravention of such rules and regulations as the Commission may prescribe.