Eu vejo essas dicas acadêmicas baseadas em preciosismos gramaticais desvinculados dos usos reais da língua, como se um suposto mau uso de "onde" definisse a qualidade de um texto, e penso como aulas de Linguística deveriam compor a grade de outros cursos além da Letras.
Ñ é a 1a vez q vejo alguém q ñ é prof de português, não é da Letras, não é da Linguística dando "dicas" q reforçam uma gramática prescritiva que há décadas tem sido discutida a sério. Além disso, ridicularizar pessoas pelo uso da língua é o que chamam de preconceito linguístico.
Mas é isso aí, a língua portuguesa é terra de ninguém aqui, pois saber escrever "bem" (nesse caso, dominar a norma-PADRÃO da língua) parece que autoriza as pessoas a darem dicas antiquadas e fazerem comentários como se especialistas e/ou professores de português fossem.
A quem se sentiu atingido com o tuíte: essas coisas não definem a qualidade do seu trabalho. É sobre a adequação do nosso texto à norma-padrão. Não define sua competência linguística. Se isso tem sido um problema comum p/ vc, procure um revisor, mas não desista de publicar!
Sou formada em Letras pela USP. Às vezes meus tuítes saem c/ "erros" (o q chamamos de desvios da norma na Linguística) pq eu não fico revisando td aqui. No tuíte anterior devia ter escrito "definem". Mas vcs perceberam? Afetou a compreensão? É um tuíte, ñ um artigo acadêmico
E aproveitando a discussão de ontem: aposto que tem vários artigos de brancos sudestinos com desvios da norma-padrão que terão seus trabalhos aprovados mesmo assim, afinal, essa discussão é tudo menos exclusiva sobre gramática 🙂
Contei um episódio aqui q exemplifica isso:

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20 Jul
Já contei essa história aqui algumas vezes, mas vou contar de novo, aproveitando o ensejo: aos 18 anos, no meu 1º ano no curso de Letras da USP, fui a um médico do convênio em Higienópolis, bairro de classe média alta. A secretária preencheu minha ficha e colocou+
"estudante" no campo profissão. Qdo entrei no consultório, o médico estava c/ a ficha na mão. Dps q sentei, ele perguntou, surpreso: "Então vc é estudante?". Pelo tom, imaginei o q viria pela frente. Ñ queria falar q estudava na USP. Só falei q sim. Ele perguntou: "Onde?"
Aí eu desviei: "aqui em São Paulo mesmo". "Mas o que vc estuda?", respondi "Letras". Ele perguntou: "Mas em qual universidade?". Aí não teve jeito, falei: "USP". Ele ficou ainda mais surpreso. Deu uma risada e disse: "Então vc estuda na USP.... Vc sabe o que é mesóclise?"
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19 Jul
Me toca tanto qdo Saidiya Hartman fala da emoção q sentiu ao encontrar sua tataravó num livro de testemunhos de escravizados. Busco sentir o mesmo diante de qlqr menção a minha avó materna em livros, reportagens, docs, trabalhos acadêmicos sobre a colônia do Juquery.
Infelizmente, um incêndio queimou os prontuários da época em q ela foi internada lá, mas há vários livros de memórias de ex-funcionários do Juquery. Minha tia mais velha lembra de bastante coisa e talvez com a memória dela eu consiga chegar a outros documentos. Tenho esperança.
É difícil às vezes acreditar q eu vou conseguir algo, afinal, foram tantas pessoas presas, torturadas e violentadas lá, mas eu me sinto cada vez mais convocada a empreender essa busca, mesmo q eu não encontre "nada" - esse "nada", como diz Hartman, tem muitos sentidos tb.
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15 Jul
Um técnico negro veio aqui em casa consertar meu fogão. Ele perguntou como tava o home-office e eu disse q não via a hora de ser vacinada. Perguntei se ele já tinha vacinado e ele disse q ñ, apesar de já poder. Eu quis saber pq ñ e ele começou a reproduzir fake news+
q pareciam vir diretamente dos canais bolsonaristas, como vacinas vencidas (bem além do q foi discutido recentemente), baixa eficácia (12%!), lotes de vacinas vindos da China no ano passado, etc. Tentei contestar, mas ele parecia mt certo do q dizia. Eu falei q desconhecia essas+
essas informações todas, que eu não vi nada disso em nenhuma mídia confiável, mas ele disse q tem mt coisa q a gente ñ sabe pq a grande mídia ñ informa. Falou q ñ ia tomar vacina pq ele se cuidava e pq tem uma eficácia mt baixa. Aí eu perguntei: mas qual vacina?
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3 May 20
esse discurso de que o ruy barbosa queimou os arquivos sobre a escravidão mtas vezes dá a entender q ele queimou tudo e não sobrou quase nada, mas uma das coisas q vc + vê no trabalho de historiadores sérios é a refutação disso, dizendo q há MUITA coisa à espera de estudos.
alguns trabalhos fodas q li sobre a escravidão no Brasil:

Das cores do silêncio: os significados da liberdade no Sudeste escravista (Brásil, século XIX) - Hebe Mattos

Sonhos africanos, vivências ladinas: escravos e forros em São Paulo (1850-1880) - Maria Cristina Wissenbach
Da senzala, uma flor: esperanças e recordações na formação da família escrava, século XIX - Roberto W. Slenes

Mulheres negras no Brasil escravista e do pós-emancipação - Giovana Xavier, Juliana Barreto e Flávio Gomes (org.)
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