Eu não sei quem teve a ideia infeliz de novamente tentar comparar a escassez de vagas p/ concurso na década de 1990 com o atual momento da carreira acadêmica nas humanidades mas eu vou dar uma dica: não sejam essa pessoa. (+)
(+) em 1º lugar pq não tínhamos o contingente de doutores na década de 1990 que temos hoje, em 2º pq até metade da década nem precisava de doutorado pra fazer concurso, em 3º pq ainda ñ tinha tido expansão da pós e das federais; em 4º pq ainda tinha emprego em privadas; (+)k
(+) em 5º porque ainda tinha emprego no terceiro setor; em 6º porque ainda tinha emprego fora do país; em 7º porque não tinham cortado todas as bolsas e todo o financiamento (inclusive da Fapesp). Tá bom ou querem que eu continue?
(não vou nem entrar no comentar que o padrão de exigência e excelência que foi colocado sobre a minha geração é tão alto que não é incomum sermos avaliados por bancas que não atendem a esses critérios... quem teve a sorte de terminar doutorado até 2014/2015 precisou de mto menos)
(estão exigindo da gente, em nível de entrada, aquilo que outras gerações tinham com 5, 10, 15 anos de carreira. não estou exagerando. e ainda assim muitos de nós não conseguem nem mesmo as vagas mais precárias de substituto... )
um problema muito sério no meio desse processo de precarização é a naturalização do concurso como prova irrefutável de uma suposta meritocracia. isso é grave pra caramba.
enfim, é uma cascata de precarização. no Brasil e fora dele. sem precedentes sim.

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22 Jul
Além de passar 10 anos praticamente pagando pra trabalhar (mesmo quem tem bolsa, mesmo Fapesp) com dedicação exclusiva, a brilhante dica de quem não precisou ter 1/10 do currículo que temos pra prestar concurso e q tem seus 15k garantidos no fim do mês é "trabalhe de graça".
A gente sai do doutorado com 30+ anos, tem filho, casa, família pra sustentar e a dica brilhante é "trabalhe de graça"? É isso mesmo? Vamos mandar o print pro vagas arrombadas? e que tal fazer uma autocrítica sobre o que se cobra em concurso? VOCÊS são as bancas, porra!!!!
no +, vou lembrar q a gente já trabalha e MUITO de graça, antes e depois d terminar o doutorado porque senão as contas NÃO fecham! é simples assim. e vou lembrar a vocês que NÃO existe emprego docente em superior na iniciativa privada que seja plausível de conciliar com pesquisa.
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20 Jul
Segundo pitaco acadêmico do dia: se você está na posição de avaliador de um artigo, você não é um professor tentando avaliar um trabalho de um aluno. Já nem poderia ser babaca nesse caso, mas sendo avaliador você é um interlocutor privilegiado. Sua função é abrir diálogo (+)
(+) e discutir com o autor - respeitando o lugar dele de autor - o que foi enviado, para que aquilo melhore antes de ser publicado e para que a qualidade do que é publicado na sua área se mantenha. Cabe a você lembrar que o autor é o autor, e não você. (+)
(+) Ao mesmo tempo, se você é autor, precisa aprender a entender os comentários do revisor/avaliador assim também: é um interlocutor sugerindo coisas e apontando falhas ou limites. Não é um guia cego de como seu trabalho tem que ser. Eu sugiro que vcs leiam sempre cada (+)
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20 Jul
Sobre reprovação de texto por conta de palavras mal escolhidas ou uso excessivo de jargões: se essas coisas não estão atrapalhando o entendimento do texto, e o texto está bom em todos os demais aspectos, é bem besta reprovar só por isso e cabe ao editor pedir +1 avaliador. (+)
(+) Agora, vou ser bem honesta com vocês... Eu nunca vi, de tudo que já dei de parecer nos últimos anos, ser esse o caso. Em geral a escrita fica tão travada com más escolhas de palavras e excesso de jargões que o próprio sentido fica incorreto, impreciso, sem rigor. (+)
(+) Para quem trabalha com humanidades, pelo menos, faz diferença total em muitos casos o uso da palavra x ou da palavra y, porque o embate de ideias se dá a partir do debate tb sobre linguagem. "Sexo" e "gênero" por exemplo, não são intercambiáveis. Mas cabe ao avaliador (+)
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19 Jul
realmente, agora confirmo que passarei a usar Lost como medida para meus flertes 👇🏽
pessoa amou Lost, inclusive e sobretudo o final? = vamo se beijar

- pessoa diz q gostou de Lost mas não gostou do final? = mais uns anos de terapia depois vamo se beijar

- pessoa odiou Lost? = acha q não tem inconsciente, corre que é cilada
Já Clube da Luta tem desempenhado função semelhante há uns anos; a pessoa acha mto genial e nada misógino eu saio correndo na direção oposta pra nunca mais voltar

(eu reassisti analisando as questões da misoginia dele duas vezes antes de concluir que é um filme misógino)
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24 May
pessoas mais qualificadas tipo o @_evso devem ter textos bem melhores sobre o assunto, mas na minha experiência individual (porém sociologicamente informada rs) de pessoa com uma série de doenças crônicas, eu tenho pensado demais sobre a oposição discursiva saúde versus doença
o efeito desse discurso, pessoalmente, para mim, é ter passado a vida sentindo que o meu corpo é errado, que meu corpo é incapaz, um erro, um obstáculo à minha "mente"/intelecto. que violento isso, né? no caso junta o gênero e o fato de um corpo/peso fora do "padrão" e pronto
daí ao mesmo tempo, surgiu nos últimos anos no meio feminista um discurso igualmente normativo porém pretensamente oposto, que levou a ideia de desmedicalizar para um lugar tb bem pesado. e aí até tratamentos e recursos que seriam bons e saudáveis pro meu corpo eu recusei
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24 May
eu tenho esse hábito oldschool de ler feed. os mais xofens precisarão jogar no google pra descobrir o que é essa maravilha tecnológica. bom, daí que um dos meus feeds, tem uns 10 anos quase, é o blog da @LaerteCoutinho1 onde acompanho fielmente suas tiras. é sempre um alento. (+)
(+) junto com o Manual da Minotaura eu tenho ali um feed enorme de quadrinhos/webcomics que acompanho há muito tempo também. pra quem ñ sabe, eu sou super entusiasta de quadrinhos, apaixonada, fangirl de váries cartunistes, tenho MUITOS quadrinhos em casa, enfim né (+)
(+) antes de ter uma filha, minha rotina diária de trabalho era levar o tablet pra mesa do café da manhã e ficar pelo menos uma hora lendo o feed de notícias e o de quadrinhos, enquanto comia e tomava meu cafezinho preto (biógrafos, anotaram? kkkk). agora é raro mas às vezes dá +
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