1) Esta thread resume muita coisas que tenho dito aqui sobre usura. É longa, mas não deixem de ler tudo. É uma citação de Christopher A. Franks sobre economia de São Tomás de Aquino:
2) "A posição de São Tomás sobre a usura não depende de uma forma particular de configuração do dinheiro, mas da própria noção de valor de troca abstrato pressuposta por qualquer compreensão do dinheiro. Tomás argumenta que o valor de troca abstrato como tal não pode ter...
3) ...valor de uso vendável além do valor de troca que ele abstrai. Acreditar que sim indica que os homens podem atribuir uma "utilidade" espúria a algo que foi confundido com o verdadeiro valor de uso. Ademais, ele considera outra possíveis justificativas para os juros...
4) ... num empréstimo, e os acusa não de falsear a natureza do dinheiro, mas de deformá-la, em busca de uma segurança contra o futuro que nega a receptividade respeitosa necessária aos homens como membros de uma ordem natural antecedente que nos sustenta. Portanto, podemos ver..
5)... a adesão de São Tomás à proibição da usura não como evidência de seu obscurantismo em face das "realidades econômicas", mas como sua resistência à presunção inerente às práticas econômicas emergentes... Os ensinamentos econômicas de Tomás refletem um pressuposto de que...
6)... a justiça na troca depende da adequação dos termos de troca à estrutura da providência divina para os homens... Quando Tomás diz que "um homem não pode transbordar em riquezas exteriores sem que outro homem delas careça," somos tentados a ver isso como uma mera asserção...
7)... retórica para envergonhar os ricos. No entanto, ela está firmemente enraizada em seus pressupostos sobre como Deus provê as necessidades humanas por meio da fertilidade da natureza... Buscar um direito à riqueza que supera essa provisão, como faz a usura, gera injustiça."
8)... O principal argumento de Tomás ataca a própria noção de usura, mas ele o sustenta com outros argumentos sobre uma variedade de possíveis direitos aos juros. Em ambos os casos, os argumentos visam preservar a justiça por meio da rejeição de demandas excessivas por riqueza...
9) "O que todas as posições de Tomás sobre os títulos de renda sobre o dinheiro mostram é uma insistência de que todo lucro deve vir dos bens naturais, que sempre exigem a paciência e a vulnerabilidade que esperam para ver o que a natureza tem a oferece. Tomás refuta...
10)... a presunção de que a providência divina buscaria assegurar um direito à riqueza que superasse essa providência... contrair um preço para o uso do dinheiro além do principal é vender um uso que não existe e não pode existir... Os argumentos de Tomás, ao desvelarem...
11)... a razão mais elementar contra a usura (que ela vende uma impossibilidade metafísica), confirmam a racionalidade da proibição da usura mesmo em empréstimos produtivos onde o emprestador não é um necessitado. Tomás não se preocupar apenas com a caridade, mas sim com...
12) a adequação de todas as trocas aos contornos da riqueza real... O argumento do consumo não visa destruir todos os argumentos possíveis para um retorno sobre o dinheiro... O emprestador a juros presume indevidamente ao exigir um direito à riqueza - riqueza futura possível -...
13)... não disciplinado por uma receptividade àquilo que a providência divina pode acabar fornecendo... O investidor nada presume, pois toma o risco de esperar para ver o que acontecerá. Ele não tem o direito de receber todo o seu dinheiro, e se faz vulnerável às contingências..
14)... da providência divina para os esforços de cada mercador, artesão ou empresário que recebeu um investimento... "E se o alvo do investimento for um empresário incompetente, e o emprestador pudesse com alta confiabilidade ter lucrado em outro lugar? Tomás...
15)... rejeita esse argumento, novamente devido à presunção. É a noção de lucrum cessans (custo de oportunidade), segundo a qual o emprestador tem direito a uma compensação além do principal por ter se abstido do ganho que poderia ter com o dinheiro... A razão pela qual Tomás...
16)... considera isso uma presunção é que, diferentemente de um investimento arriscado, um empréstimo envolve um contrato que obriga o tomador de antemão a compensar o emprestador por um ganho potencial cuja realização actual só poderia ser determinada pela espera...
17)... Não importa quão confiável seja o investimento alternativo, pois ele sempre implicaria uma vulnerabilidade à providência divina, uma vulnerabilidade ignorada pelo custo de oportunidade. Estabelecer um direito a semelhante riqueza independente....
18)... das possibilidades reais e as surpresas do futuro, é erguer uma invulnerabilidade artificial... Uma manifestação atual dessa busca da invulnerabilidade é o imperativo de conversão da riqueza em dívida, de forma a derivar uma renda futura permanente dela - de converter...
19) a riqueza perecível numa dívida duradoura, uma dívida que não apodrece, que não tem custo algum de manutenção e que gera juros perenes."

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18 May
1) Nada no Evangelho são floreios de retórica ou "gordura." Quando lemos que não se pode servir a Deus e a Mamóm, podemos estar certos de que é uma sentença fulminante e absoluta: ou Deus ou o dinheiro.
2) A maior dificuldade moderna é entender o que o dinheiro representa nessa passagem. Seria uma condenação de toda economia de troca monetária? O Evangelho nos convidaria a uma economia de puro escambo ou coisa semelhante?
3) É evidente que não, pois algo tão grandioso seria dito de forma clara e aberta. O que não podemos fazer é "servir o dinheiro". E qual é a forma canônica do serviço ao dinheiro? A usura, o empréstimo a juros.
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6 Jul 20
1) A verdadeira mais-valia é a renda que o sistema produtivo deve pagar ao sistema financeiro internacional por lhes ter concedido o privilégio de criar dinheiro a partir do nada, cobrando juros sobre esse privilégio.
2) Essa extração de renda tem vários aspectos. Os mais evidentes são a dívida pública (boa parte dos impostos existem para pagar uma dívida exponencial a juros compostos) e os juros que pesam sobre os empresários
3) Porém, um dos efeitos mais perversos se dá no mercado imobiliário. A maior parte (mais de 50%) da criação de empréstimos é orientada para esse setor. Isso cria a ilusão da casa própria a prestações a perder de vista, mas gera um aumento monstruoso dos preços e do custo de vida
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18 Dec 19
1) A linha que vai do liberalismo clássico ao comunismo clássico é a mesma que leva hoje do neoliberalismo ao comunismo identitário. Ela começa com David Ricardo, um banqueiro, que criou a idéia de que o endividamento público no fundo não importava, pois o povo devia a si mesmo.
2) O nome atual disso é "equivalência ricardiana". Ela parte da premissa de que o governo pode se financiar com impostos ou pela emissão de dívida pública. E oculta a possibilidade da monetização direta da dívida pelo governo.
3) Essa premissa também´oculta o fato de que os maiores financiadores da dívida pública e beneficiários dela eram os mesmos banqueiros que tinham recebido do governo o privilégio de criar moeda.
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13 Dec 19
Vou conta uma historinha: A TV Escola estava em boas mãos, e tinha acabado de transmitir uma série do Brasil Paralelo com participação do prof. Olavo de Carvalho. Teríamos por anos uma canal de TV com abertura ao conservadorismo falando diretamente aos professores.
Mas no meio do caminho estava o Ministro Abraham Weintraub. O ministro que sempre mita contra a esquerda no Twitter, mas que também, segundo fontes, garante que não vê nenhum problema na BNCC. Sim, o currículo globalista imposto pela Fundação Lemann!
O mesmo ministro que colocou uma advogada da Faculdade Anhanguera (um dos grupos monopolistas do emburrecimento obrigatório brasileiro)para cuidar da regulação do ensino superior.
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