Não podemos generalizar, porém, devemos admitir que existem muitas "bobagens nutricionais" por aí. Algumas ainda se afirmam como científicas, para piorar.
Vejamos as dicas no mínimo estranhas do tipo: "Uma taça de vinho ou um fio de azeite por dia irá lhe prevenir de um infarto".
Dicas assim pipocam em revistas, jornais nos programas de variedade e hoje, nas redes sociais. Quase sempre vem acompanhadas de algo como "pesquisadores da universidade x fizeram um estudo", e ficam por aí mesmo. Nada de verificar ease estudo ou fazer um levantamento amplo.
Pessoas assim ostentam receitas quase milagrosas de bons hábitos: "use azeite, beba uma taça de vinho, coma queijos 3 vezes na semana, use sal do himalaia pois tal estudo disse isso ou aquilo". Como confiar nessas pessoas que na maioria das vezes sequer são cientistas?
Que estudos foram esses? Como eles foram conduzidos? Estudos assim costumam estar repletos de variáveis intermediárias que ou não podem ser, ou não são avaliadas. Um exemplo hipotético: quem usa azeite todos os dias tem menos chances de desenvolver doenças cardíacas...
Será mesmo que é o o AZEITE que provoca o efeito da diminuição de doenças cardíacas? Ou quem usa azeite são pessoas mais ricas que além do azeite podem pagar por cardiologistas, psicólogos, tem tempo para exercícios regulares, tem uma dieta balanceada e fazem viagens de férias?
Essas receitas simples e milagrosas dos influenciadores e dos programas matinais de variedade são muitas vezes pseudocientíficas e até cruéis. Usam estudos mal feitos ou interpretam mal estudos bem feitos para oferecer soluções simples e ignorar problemas complexos.
Problemas de saúde também são causados por problemas de dieta, mas problemas de dietas também são causados por problemas sociais. Quando vamos nos cansar das soluções fáceis para problemas complexos?
Sal o himalaia, açúcar mascavo, sucos Detox são muitas vezes embustes.
Especialistas auto nomeados que pipocam na net, nas revistas e nos programas matinais estão muitas vezes, mais preocupados com seus consultórios cheios do que com uma saúde coletiva justa ou com o conhecimento científico de qualidade. Ou pior, sequer sabem o que estão fazendo.

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13 Oct
Qual a importância das políticas educacionais para a divulgação científica (na internet)?: O FIO
Muitas vezes nos esquecemos da profunda crise educacional brasileira, fruto de um projeto de país que olha para o ensino de ciências ainda de maneira muito técnica e reducionista.
Para que tenhamos uma divulgação científica mais sólida no Brasil dependemos de uma educação básica que demostre o que é a ciência em sua diversidade e história. Que leve nossos jovens até um ceticismo bem embasado para refletir e agir sobre a sua realidade.
E o que temos hoje?
Um projeto de educação voltado para o mundo do trabalho, que sequer disso dá conta. Um projeto em que nossas crianças e jovens não são confrontados de maneira cuidadosa com as contradições da nossa realidade sob a perspectiva do conhecimento científico.
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