#Gentrificação e #filtragem são dois temas que despertam reações intensas. Acreditamos que boa parte da polêmica vem da falta de uma definição precisa desses termos.
Apresentamos a seguir 7 perguntas que mostram nossa visão sobre o assunto.
Segue o fio 👇
1. O que é gentrificação?
Dizemos que um bairro está gentrificando quando uma população de menor renda é substituída por outra com maior poder aquisitivo. Isso acontece quando há um aumento do interesse por aquela região, fazendo com as pessoas disputem os melhores imóveis.
Faz pouco sentido falar em gentrificação de zonas comerciais e industriais, pois nesse caso não há uma população indo embora por não conseguir arcar com o custo de moradia.
Da mesma forma, é inapropriado aplicar o termo a áreas com uma grande quantidade de imóveis vazios ou abandonados. Também não consideramos aqui remoções forçadas por políticas de estado.
2. Como a gentrificação afeta os moradores mais antigos do bairro?
Os moradores que possuem casa própria têm a opção de continuar morando no bairro ou vender o imóvel por um preço bastante lucrativo. Não é raro que esses proprietários vejam a gentrificação como uma boa notícia.
A gentrificação afeta negativamente os inquilinos, que passam a comprometer uma parcela cada vez maior de sua renda com o aluguel de suas casas, ao ponto de não conseguirem mais se manter naquele bairro.
3. O que é filtragem?
A filtragem é o processo inverso, quando imóveis se tornam mais baratos, permitindo seu acesso à famílias com menor renda.
Isso ocorre principalmente pela disponibilização de novas alternativas de moradia mais desejadas (seja por estilos arquitetônicos, qualidade, localização etc.), liberando unidades anteriormente ocupadas pelos moradores de rendas mais altas.
4. A filtragem só ocorre em imóveis degradados?
Não necessariamente. Em bairros onde edifícios novos são construídos frequentemente, os imóveis mais antigos podem baixar de preço simplesmente porque há um prédio com alguma característica marginalmente melhor como alternativa.
Nesse caso, é possível que pessoas com faixas de renda diferentes residam no mesmo bairro.
5. A gentrificação é nociva para a cidade?
Depende. Faz parte da dinâmica urbana que alguns bairros fiquem mais caros, enquanto outros se tornam mais acessíveis. O problema é quando os preços sobem "gentrificando" a cidade inteira.
É comum que este aumento generalizado de preços seja fruto de uma política habitacional equivocada.
6. A filtragem é a solução definitiva para o problema da moradia?
Não. É impossível prever quais imóveis serão filtrados e quanto tempo isso irá levar.
A filtragem não substitui uma boa política habitacional, que deve estar baseada em ações como o aumento da oferta habitacional e em políticas direcionadas para a população mais vulnerável, como a qualificação de bairros com infraestrutura precária.
7. O que fazer diante disso?
A variação de preços dos imóveis, seja para cima ou para baixo, de determinadas regiões da cidade está além do papel de um gestor público.
O objetivo não é controlar esses preços, mas sim buscar a acessibilidade à moradia na cidade como um todo, que é um dos nossos principais valores.
• • •
Missing some Tweet in this thread? You can try to
force a refresh
Aprimorar os contratos de concessão do transporte coletivo no Brasil é urgente. O transporte coletivo precisa sobreviver e se renovar para prosperar, e transformar os contratos é parte desse processo. Apresentamos algumas sugestões para os gestores municipais:
Dissociar provisão e operação da frota pode trazer resiliência.
A concessão da operação atrelada à posse de veículos deixa o poder público em posição difícil no caso de disputas, pois não há frota disponível que possa ser utilizada por outra empresa operadora para evitar interrupção do serviço.
Os quatro cavaleiros do apocalipse urbanístico: verticalização, especulação, gentrificação e financeirização. Será? O que cada um deles significa? Segue o fio 👇
Verticalização é a construção de edifícios em altura. Mas sabia que nem sempre bairros mais verticais são mais densos? E que verticalização pode ser uma solução para as cidades? O problema é a verticalização brasileira, uma das piores do mundo: caosplanejado.com/cidades-brasil…
Especulação imobiliária, diferente do senso comum, não é o ato de construir, mas oposto: o de deixar um terreno sem uso, esperando sua valorização. O problema seria então construir ou não construir? caosplanejado.com/voce-sabe-o-qu…
5 ícones arquitetônicos de São Paulo que não poderiam ser construídos hoje. Segue o fio 🧵
1. O Edifício Martinelli está localizado no centro de São Paulo, possui 30 andares, 105 m de altura e uma área construída de 58.190 m².
Foi projetado pelo arquiteto húngaro Vilmos (William) Fillinger, iniciado em 1924, finalizado em 1934 e considerado marco do processo de transmutação de uma cidade para uma metrópole.
Esse tweet revela alguns dos piores problemas da cobertura jornalística brasileira sobre urbanismo e cidades, que raramente se baseia em evidências nas suas análises. Segue o fio 👇
Ao evitar que + unidades habitacionais sejam construídas em uma região central, as pessoas que lá morariam não deixam de existir, mas vão morar um pouco mais longe. Este efeito, em cascata, leva ao "espraiamento" da mancha urbana e à inversão da curva de densidade. Como assim? 🤔
Baixas densidades demográficas fazem com que a cidade ocupe uma área muito mais extensa, destruindo o território natural, aumentando distâncias de deslocamento, a dependência no automóvel, o custo da infraestrutura e o consumo de energia e emissão de poluentes.
A diferença entre o padrão de mobilidade feminino e o masculino é complexa e não abrange apenas as viagens encadeadas que as mulheres fazem durante o dia.
Para visualizá-lo e entender as idiossincrasias, é preciso conceber que existe uma profunda e enraizada diferença social baseada no gênero e, consequentemente, nas construções históricas e culturais em torno dessa relação.
Com a divisão sexual do trabalho, a herança herdada pelas mulheres foi arbitrariamente estipulada.
Mesma praia, duas realidades: no litoral norte gaúcho, chama atenção na paisagem o limite entre os municípios de Capão da Canoa (à esquerda, na primeira foto) e Xangri-lá (à direita). A segunda foto mostra essa discrepância do ponto de vista da praia.
Para um leigo, a pergunta "por que de um lado da rua tem prédios e do outro não" parece não fazer sentido.
A legislação urbanística de Capão permite prédios de até 14 pavimentos, com 50 metros de altura e um Índice de Aproveitamento dos terrenos de até 3.5, maior do que em Porto Alegre, capital do estado.