1. Arthur Lira é um aluno aplicado. Aprendeu com Eduardo Cunha a sufocar a oposição e esmagar o governo até arrancar o que deseja. O chefão da Câmara encurralou Bolsonaro, transformando-se num arremedo de primeiro-ministro. Nesta semana, apresentou a Lula seu cartão de visita
2. Lula precisa abrir espaço no Orçamento para manter o Bolsa Família em R$ 600 e reajustar o salário mínimo acima da inflação. Para cumprir as duas promessas, depende da PEC da Transição. A proposta foi aprovada com folga no Senado. Ao chegar à Câmara, parou na barreira de Lira
3. O deputado apresentou uma farta lista de pedidos. Depois de fazer campanha por Bolsonaro, quer abocanhar cargos de peso no governo Lula. Como ainda não houve acordo, a votação da PEC foi adiada. O impasse travou a definição dos futuros ocupantes da Esplanada
4. Lira já deixou claro que não vai se contentar com migalhas. Seu sonho de consumo é o Ministério da Saúde. A pasta estava reservada para Nísia Trindade, a respeitada presidente da Fiocruz. Como noticiou o UOL, a pressão do presidente da Câmara fez Lula a suspender o anúncio
5. Um eventual recuo seria desmoralizante para o presidente eleito. Ele passou a campanha criticando a má gestão da Saúde na pandemia. Eleito, abriria mão de uma indicação técnica para acomodar um apadrinhado do Centrão
6. Lula tem sido criticado, com justiça, pela demora a indicar mulheres para cargos relevantes. A nomeação de Izolda Cela para a Educação parece já ter subido no telhado. Preterir Nisia Trindade na Saúde equivaleria a dizer que a representatividade vai continuar em segundo plano
7. Além de encostar a faca no pescoço de Lula, Lira quer forçar o STF a liberar o orçamento secreto. O deputado Elmar Nascimento já ameaçou cortar verbas do Judiciário se o chefe for derrotado. Não por acaso, Lira o escolheu para relatar a PEC da Transição oglobo.globo.com/blogs/bernardo…
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1. O Rio teve cinco governadores presos e pode ter um sexto cassado por crime eleitoral. Se a ameaça se confirmar, não será por falta de aviso. O MP pediu a revogação do diploma de Cláudio Castro. Ele é acusado de abuso de poder político e econômico no caso dos cargos secretos
2. O esquema foi revelado pelo UOL, que noticiou a contratação de 18 mil pessoas sem registro no Diário Oficial e com pagamentos feitos na boca do caixa. Mais tarde, funcionários contaram à TV Globo que eram obrigados a devolver parte dos salários a quem os nomeou
3. Em sabatina, Castro reclamou da imprensa e se irritou ao ser questionado sobre as irregularidades. “Não falemos de cargos secretos, porque não é verdade. Está informando a população de forma errada”, disse. A ação da Procuradoria conta outra história
1. Às 15h09 de segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes decretou a vitória da democracia sobre o autoritarismo e afirmou que os extremistas serão “integralmente responsabilizados” pelos ataques ao processo eleitoral
2. Às 20h30, bolsonaristas interromperam o trânsito na W3, uma das principais avenidas de Brasília. Em ação coordenada, apedrejaram um ônibus com passageiros, incendiaram carros de passeio e tentaram invadir a sede da Polícia Federal
3. Pouco mais de cinco horas separaram o discurso do presidente do TSE e a versão candanga do ataque ao Capitólio. O quebra-quebra sugere que o ministro se precipitou na comemoração. O golpismo ainda está vivo — e conta com a leniência de autoridades federais e distritais
1. Se o governo Bolsonaro fosse um avião, seu voo terminaria em pane seca, sem combustível para pousar. O sumiço do piloto, que largou o manche e abandonou os passageiros, seria apenas o epílogo do desastre
2. Depois de quatro anos, o capitão deixa um cenário de terra arrasada. A máquina federal vive um colapso administrativo e financeiro. Já faltou dinheiro para comprar remédios, encomendar livros didáticos, emitir passaportes, levar água potável ao semiárido
3. Depois de furar cinco vezes o teto de gastos, o presidente raspou o que sobrava no cofre para tentar se reeleger. Não conseguiu e deixará o governo em estado de calamidade
1. O bolsonarismo guardou um factoide para a reta final do governo. Quer extinguir a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada em 1995 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso
2. A ex-ministra Damares Alves entregou o órgão ao advogado Marco Vinicius Pereira de Carvalho, admirador do golpe e da ditadura militar. Ele convocou uma reunião para a próxima semana com o objetivo de decretar o fim do colegiado
3. Na prática, a canetada terá efeito limitado. Se for extinta, a comissão será recriada pelo novo governo em janeiro. A intenção do bolsonarismo é chocar e provocar indignação na esquerda. O capitão vive disso desde 1991, quando debutou em Brasília como deputado do baixo clero
1. Lula ainda não vestiu a faixa, mas o Centrão já pode comemorar a primeira vitória no novo governo. O PT desistiu de desafiar o reinado de Arthur Lira. Vai apoiar sua reeleição à presidência da Câmara
2. Lira é um bolsonarista com fins lucrativos. Ao barrar os pedidos de impeachment, ganhou a chave do cofre e passou a manejar bilhões de reais do governo. Virou dono do orçamento secreto, que Lula definiu na campanha como “a maior bandidagem feita em 200 anos”
3. Depois que as urnas se fecharam, Lula suavizou sua opinião sobre Lira. Há três semanas, os dois se abraçaram e sorriram para fotos. Ontem a bancada do PT oficializou o apoio à reeleição do deputado
1. As instituições começaram a funcionar para Silvinei Vasques. O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal virou réu por improbidade administrativa. É acusado de usar a estrutura e a imagem do órgão para favorecer a candidatura derrotada de Bolsonaro 🧶
2. Vasques chegou ao cargo graças à proximidade com o primeiro-filho Flávio Bolsonaro. Nos últimos anos, encarnou como ninguém o aparelhamento do Estado a serviço do clã presidencial. O MPF enumerou oito momentos em que ele fez campanha pelo capitão — sempre de farda e distintivo
3. A Constituição estabelece que os agentes públicos devem seguir os princípios da da impessoalidade e da moralidade. A Lei de Improbidade os proíbe de enaltecer políticos e personalizar obras ou serviços. Vasques jogou tudo para o ar ao virar dublê de policial e cabo eleitoral