O que vem a seguir são apenas fatos. Não ataquem o mensageiro.
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6/1/2023 - 19h40
ABIN envia relatório ao Gen. G Dias, chefe do Gabinete de Seg. Institucional, afirmando que caravanas estavam se deslocando até ao DF com intenção manifesta de invadir o Congresso.
7/1/2023 - Manhã
ABIN informa ao G. Dias que 18 ônibus estavam chegando a Brasília.
Agentes de inteligência ainda dizem que convocações para ações violentas e invasão de prédios públicos se mantém.
7/1/2023 - Final da Tarde
Mesmo com todos os alertas da ABIN, Gabinete de Segurança Institucional dispensa o reforço no Batalhão da Guarda Presidencial.
A atitude fará com que o Palácio do Planalto esteja desguarnecido no dia seguinte.
7/1/2023 - 19h08
Flávio Dino assina portaria convocando a Força Nacional para guarnecer a Praça dos 3 Poderes.
8/1/2023 - 8h53
ABIN novamente envia mensagem a G. Dias, e dessa vez apenas a ele, informando que 100 ônibus estavam em DF para participar dos atos na Esplanada.
8/1/2023 - 9h00
ABIN informa a G. Dias, Ministério da Justiça, e Governo do DF do aumento do nº de barracas no QG.
8/1/2023 - 10h00
ABIN alerta, à todas as autoridades, que ainda existem "convocações e incitações para deslocamento até a Esplanada dos Ministérios, ocupações de prédios públicos e ações violentas".
8/1/2023 - 13h00
Multidão sai do QG do Exército em direção à Esplanada.
8/1/2023 - 13h00
Mais cedo, Ministro da Defesa José Múcio foi até o acampamento e disse que estava tudo normal.
Reparem que às 14h27 (guardem o horário), Múcio ainda tranquiliza.
Enquanto isso, a PM-DF escolta os manifestantes até a Esplanada dos Ministérios.
8/1/2023 - 15h00
Após duas horas de caminhada, manifestantes que estavam no QG do Exército, rompem as parcas barreiras da Força Nacional e PM.
Notem a emoção na voz da futura presa. Nem ela acredita que foi tão fácil. Romperam simplesmente andando.
vídeo do @Poder360
8/1/2023 - 15h00
Gen. Henrique Dutra, Chefe do Comando Militar do Planalto, resolve ignorar GSI e envia 133 homens para o Planalto.
Foi apenas após o fato consumado que G. Dias formalizou o pedido de reforço.
8/1/2023 - 15h30
A PM-DF tenta conter os manifestantes, mas se vê encurralada.
A quantidade de homens enviada para proteger a Esplanada é claramente inferior ao número de manifestantes.
8/1/2023 - Entre 15h30 e 16h00
Manifestantes invadem Palácio do Planalto e Supremo ao mesmo tempo.
8/1/2023 - Por volta das 16h30
G. Dias aparece no Planalto abrindo a porta para os manifestantes saírem.
Reforços da Força Nacional chegam quando os 3 Poderes estão destruídos.
8/1/2023 - Por volta das 17h30
PM-DF começa a retomar o controle da situação.
Militares do GSI tentam dar fuga aos manifestantes, que só são presos após intervenção da Polícia Militar.
Mais tarde, manifestantes presos disseram que, ao invadir do Planalto, foram atacados pela PM, mas militares dentro do Palácio os convidaram a se abrigar lá dentro.
A instrução para a fuga também foi confirmada.
Agora, a cereja no bolo.
Sabe todos aqueles alertas enviados ao G. Dias?
Pois bem, eles não constavam no relatório enviado pelo GSI ao Congresso. De fato, como apurou a @malugaspar, o relatório foi flagrantemente adulterado.
"Sou contra o Maduro, mas acho errado o que Trump fez."
Essa frase soa razoável, equilibrada, e adulta. O tipo de coisa que uma pessoa séria diria para não parecer radical.
O problema é que essa frase é, moralmente, uma das piores posições possíveis sobre a Venezuela. 🧵
Não porque seja moderada. Mas porque é fuga consciente. O "mas" ali não é prudência. É um pedido silencioso de absolvição moral.
A tentativa de parecer sofisticado enquanto se evita a única coisa que a moral exige: hierarquizar o mal. Dizer o que é pior. Escolher.
Repare na inversão. Primeiro condena-se quem age. Depois relativiza-se quem oprime.
O tirano recebe o benefício da complexidade, do contexto histórico, das circunstâncias atenuantes. A reação contra ele precisa se justificar infinitamente, responder a mil objeções, pedir licença para existir.
A violação sistemática da liberdade vira um problema menor. O incômodo causado pela resposta para dar fim as violações da liberdade vira o problema real.
Em 2018, a Receita Federal criou uma lista de 133 agentes públicos com patrimônio incompatível, movimentações suspeitas e inconsistências graves nas declarações.
Entre os 133 nomes: as esposas de Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
O que aconteceu depois é uma aula de como o STF protege os seus. Alexandre de Moraes paralisou a investigação, afastou os auditores responsáveis e transformou os investigadores em investigados. 🧵
Tudo começou em maio de 2018, quando Iágaro Jung Martins, subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, anunciou a criação de uma "tropa de elite" de 150 auditores para investigar agentes públicos suspeitos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Na época, ele afirmou com confiança: "Não existe foro privilegiado na Receita Federal." Ele estava errado.
Os auditores testaram o novíssimo software ContÁgil, que conseguia cruzar os diferentes bancos de dados da Receita Federal.
A partir de 800 mil nomes iniciais, o sistema elaborou uma lista de 134 que mereciam maior escrutínio por apresentarem inconsistências patrimoniais graves.
Dois nomes chamaram atenção: Guiomar Mendes e Roberta Rangel.
Meu radar diz que quando começam a dar nome para projeto de lei é porque querem te vender uma narrativa.
E com a quantidade de gente fingindo demência sobre fatos notórios dá para ter certeza disso. 🧵
Primeiro, porque essa história de dizer que agora os políticos serão "blindados" de investigações é simplesmente absurda.
Quem te fala isso com a cara limpa não quer ser levado a sério. "Agora", eles serão?
A única vez que políticos foram investigados e conheceram a cadeia nesse país foi quando o Japonês da Lava-Jato era o terror dessa turma. Toda sexta-feira era a alegria do povo brasileiro: bilionário e político corrupto indo para a carceragem de Curitiba.
Desde que mataram a operação o que vemos é o mesmo de sempre.
Vejam o caso do senador Chico Rodrigues. Hoje no PSB, no governo passado estava no DEM. A única coisa que não mudou é o fato de sempre apoiar quem está governando.
No distante ano de 2020, a PF fez uma operação de busca e apreensão na casa do nosso herói. A Operação Desvid-19 investigou desviou de R$ 20 milhões em emendas para combater a pandemia em Roraima.
O que leva um estudante universitário a abandonar os confortos da vida urbana e se embrenhar no meio da mata com a vã esperança de derrotar o exército brasileiro?
O depoimento do ex-guerrilheiro Dagoberto mostra que a verdade é mais simples — e mais trágica — do que parece. 🧵
Dagoberto cresceu num Brasil que já não existe mais. Um país onde as diferenças econômicas eram grandes, mas as sociais eram borradas.
Os doutores apadrinhavam filhos dos pobres, abriam suas casas. Na pelada, filho de comerciante ou lavrador, todo mundo era criança.
Nos anos 60, ele sai do Maranhão rumo ao Rio. Vira testemunha da agitação política. Na família havia lacerdistas e trabalhistas. Ele se identificava com Jango e Brizola. Gostava da retórica nacionalista. Achava que o Brasil podia mais e era sacaneado pelos outros países.
O golpe de 64 foi um choque. Como janguista, ele acreditava que estava tudo no papo. O General Assis Brasil havia prometido que bateria na cabeça da reação. Nada adiantou. Os militares não toleravam quebra de hierarquia — especialmente a revolta dos marinheiros.
“Daí vai vir um cara em cada avião para defender que EU tenho que andar de bike nesse Sol?”
Por culpa da Azul, tive uma conexão de quase 12 horas em Belém, sede da COP-30.
Aproveitei o tempo para encontrar um amigo que mora desde o início da adolescência na capital do Pará e perguntar o que ele acha disso tudo. As respostas dele me deixaram reflexivo 🧵
Fomos almoçar e eu tive a oportunidade de experimentar um bife de búfalo. Para quem acha exótico, o gosto não é diferente do bife de boi.
De entrada, pedimos um pouco de cada uma das iguarias regionais.
E de sobremesa fui num creme de cajá.
Tudo isso acompanhado de um drink feito com, dentre outras coisas, a famosa cachaça de jambu, um xarope de cupuaçu e cajá.
Tudo muito bom.
Meu amigo me contou que não acredita que o evento será um fracasso, mas algo mais próximo do que foi a Copa do Mundo: as coisas vão acontecer, mas muitas das obras prometidas devem ser entregues com atraso — ou nunca. Especialmente aquelas que não são essenciais ao funcionamento do evento e que seriam os grandes legados para a cidade.
E não prometeram pouca coisa. São obras que somam incríveis R$ 7 bilhões — valor que supera o orçamento da própria prefeitura.