Chegamos a praticamente 25% do Campeonato Saudita (8 rodadas de 34).
Como a liga passou a ter uma maior visibilidade, gerando mais repercussão, vamos a um fio (para malucos e curiosos) com uma análise do que pude observar até aqui.
Top-6 bem definido e embolado por enquanto.
Tende a ser uma liga de pouca margem para pontos perdidos, considerando a disparidade de investimento dos 4 bilionários pros demais. Ainda assim, as 8 rodadas já tiveram trocas na liderança.
Al Hilal tropeçou em Al Feiha e Damac, por exemplo, mas ganhou o clássico do Al Ittihad.
Falando em desempenho, Al Nassr é, hoje, o time de melhor futebol. Começou com 2 derrotas (vulnerável nas transições defensivas), mas cresceu com chegadas de Laporte e Otávio. C.Ronaldo tem jogado muito bem (participando e liderando, além dos gols) e Talisca voltou bem de lesão.
São 6 vitórias seguidas (9 somando competições) e o time de Luis Castro é o mais confortável com posse (Brozovic, Laporte e Al Khaibari dominantes nesse sentido). Tem produzido bastante ofensivamente, mesmo que oscile (no pós-perda) dentro dos jogos (inevitável pelo clima).
Esse é um ponto chave, considerando o calor (jogos com 33-37ºC mesmo 22h de lá). Natural que o ritmo não seja alto o tempo todo. Em tese, temperaturas no país ficarão mais amenas a partir de novembro (até março).
Curioso para ver o impacto (qualidade técnica vai se impor mais?).
Al Hilal de Jorge Jesus lidera, mas ainda não atingiu bom nível coletivo. É o melhor elenco (tem referências da seleção e melhor banco), mas longe de agradar ou convencer. Por vezes lento (Michael tem sido importante alternativa) e forçando muitos cruzamentos (Mitrovic na área).
Geralmente enfrenta blocos mais baixos e, além de ser pouco criativo (mas com brilho individual que eventualmente decide maioria dos jogos), acaba cedendo contra-ataques perigosos todo jogo. Milinkovic-Savic ainda bem abaixo. Salem Al Dawsari é o mais regular em bom nível.
Neymar pode mudar completamente o cenário, mas ainda não rendeu o esperado (embora tenha produzido uns 5 gols vs Al Riyadh e Al Shabab). Como 10 do 4-2-3-1, tem liberdade para alternar entre 2º atacante ou baixar para armar de frente (tabelando com Al Dawsari ou lançando Malcom).
Al Ittiihad é o atual campeão, liderou parte do torneio e talvez seja o trabalho mais consolidado (Nuno Espírito Santo), mas tem sofrido com desfalques. Coronado, Benzema e Hamdallah perderam jogos (afetando resultados recentes). Próprio sistema tem alternado (4-2-3-1 e 3-5-2).
Em geral, os laterais/alas dão largura (perfil de Nuno no Wolverhampton, por ex), enquanto Fabinho e Kanté sustentam o meio. Liberdade para trocas de posições entre Coronado (destaque em passes), Romarinho (gera aceleração), Hamdallah (goleador da liga nos últimos anos) e Benzema
Ainda assim, o único tropeço (fora dos confrontos diretos) foi o 0x0 com o Al Feiha, que merece um destaque.
Numa liga de muitos gols (e alguns jogos de muita disparidade técnica), o Al Feiha é responsável por 3 dos 4 empates em 0x0 até aqui. E já segurou Al Hilal e Al Ittihad.
Aliás, aí entramos num ponto importante: as prateleiras do Sauditão. Existia a curiosidade pelo nível de competitividade que o campeonato poderia apresentar.
Ainda é cedo, mas podemos dizer que há níveis bem definidos:
- Os 4 bilionários
- Uns 6-8 competitivos
- Os bem inferiores
Entre os ricos, faltou falar do Al Ahli, que anda devendo. Bem vulnerável defensivamente e pouco produtivo com bola. Muitos erros individuais na defesa (Ibáñez e Demiral formam a zaga), problemas na LE (já foram 4) desde saída de Alioski e com estrelas estrangeiras ainda abaixo.
Gabri Veiga ainda não jogou bem (Al Nabit tem entrado melhor na posição), Mendy inseguro e Firmino subaproveitado (aparece mais para finalizar de cabeça do que participando). Saint-Maximin é quem mais produz, mas apagado nos últimos 2 jogos. Kessié tem sido o mais regular no meio
Contra o Al Ettifaq, Jaissle pressionou em 4-3-1-2 e foi o melhor trabalho sem bola da equipe até aqui, com Firmino limitando a distribuição de Henderson. Pela 1ª vez, a marcação encaixou e a defesa ficou menos exposta em campo aberto (melhor partida de Ibáñez). Mas criou pouco.
No grupo dos competitivos, se destaca o Al Taawoun de Péricles Chamusca. Não só acompanha os líderes, mas joga bem contra eles, mesmo com um elenco claramente inferior (Mateus, Andrei Girotto, Álvaro Medrán, Flávio e Mailson entre os estrangeiros que são titulares importantes).
O Al Ettifaq de Gerrard talvez seja o 5º em expectativa e é candidato a ficar entre os 6. Começou mal, mas evoluiu com Henderson jogando como um 1º volante lançador, explorando Demarai Gray, Quaison e Dembelé na frente. Meio ainda tem Wijnaldum. Mas nada muito empolgante ainda.
Bloco intermediário ainda tem times como Al Fateh (Batna, Tello e Zelarayan) e Al Shabab (começou mal, mas tem melhorado - com Banega, tem posse agradável - falta finalizar melhor).
Damac também me parece equipe pra mais, mas o resto é sofrível (posso ter deixado de citar 1 ou 2)
Então a liga acaba se dividindo em estilos diferentes de enfrentamento: os abertos confrontos diretos, os válidos duelos intermediários e aqueles em que qualquer coisa diferente de goleada vira decepção ou sinal de atuação abaixo. Talvez o nº ideal fosse 14 ou 16 clubes.
Fim do🧶
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Entre tantos aspectos táticos e estratégicos para o São Paulo x Independiente Del Valle de logo mais, o ponto que mais me gera interesse na final da Copa Sul-Americana será o duelo entre a saída de bola equatoriana e a provável pressão agressiva do time brasileiro. Explico🧶
As melhores atuações coletivas do São Paulo na temporada passam muito pelos encaixes agressivos em marcações que dificultam a saída do adversário. Talvez os duelos com o Palmeiras sejam os mais expressivos, taticamente falando.
E a base do jogo do Del Valle é atrair para acelerar
O Independiente Del Valle raramente abre mão da saída elaborada. Usa muito Moisés Ramírez (goleiro) e baixa quantos jogadores precisar para ter vantagem numérica e/ou abrir campo. Contra o Melgar, na semi, o duelo foi bem interessante, como tuitei no dia.