Quando eu leio alguém dizendo que o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo, logo penso: "não entende de macro". Essas comparações entre taxas nominais de juros são permeadas de erros. Primeiro, porque os países adotam regimes monetários distintos entre si.
Ou seja, não se pode comparar a taxa de juros de um país que adota um regime de metas de inflação, com outros países cuja política monetária é orientada por outros objetivos, sem uma clara ponderação sobre os custos e benefícios de cada regime monetário.
Em segundo lugar, mesmo se hipoteticamente todos os países tivessem o mesmo regime monetário, eles adotam regimes fiscais diferentes e possuem taxas neutras de juros distintas entre si. O que importa na prática não é a taxa nominal, mas a real e a sua distância da neutra.
A compreensão de que a taxa de juros reflete aspectos estruturais da economia (fundamentos) já existe a mais de um século, foi formulada por Knut Wicksell no final do século XIX. Portanto, como comparar taxas de juros que expressão diferenças fundamentais entre países?
Finalmente, em terceiro lugar, os países adotam regimes cambiais diferentes em um mundo cuja demanda internacional por moeda e títulos é assimétrica. Logo, a taxa doméstica de juros deve se comportar observando posições relativas de cada país (e sua moeda) em relação aos demais.
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Assisti a entrevista do André Lara Resende hoje ao Canal Livre da Band. Antes de ater sobre algum posicionamento específico do entrevistado, sugiro fortemente que assistam, trata de uma das melhores inserções sobre economia da TV nos últimos tempos. Então vamos ao que ele disse:
1° ALR disse que a curva de Philips (CPh) que relaciona hiato de PIB com desvios da inflação deixou de existir. Portanto, não se justifica juros elevados causando achatamento do PIB se isso não irá reduzir a inflação. Porém, a CPh não deixou de existir, mas mudou de formato.
Hoje a CPh é estruturada sob a hipótese de expectativas racionais, de fato a clássica relação entre entre inflação e PIB cedeu lugar pra uma relação entre inflação presente e inflação futura esperada. Assim, a âncora nominal e credibilidade do BCB são ainda mais indispensáveis.
Esta reforma administrativa é ruim e ideológica. Se for mantido este projeto da forma em que foi divulgado na imprensa, não resolveremos o problema do gasto com pessoal que sobrecarrega principalmente Estados e Municípios, e vamos desestimular muitas carreiras de Estado.
Não dá pra fazer reforma administrativa com olhar puramente fiscalista, é preciso ter um olhar de melhora dos serviços públicos. Até onde eu vi, a reforma proposta visa acabar com a estabilidade de servidores, mas não mexe no problema da remuneração por produtividade distinta.
A União não tem problema com despesas de pessoal, isto é um problema de Estados e Municípios. No Gov Federal apenas 20% do orçamento é gasto com pessoal da ativa e estes servidores já deram uma dura contrapartida na reforma da previdência e estão com salários congelados até 2021.