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Trabalho com dados no @Flamengo teofb7@gmail.com

Aug 18, 2019, 23 tweets

Imposição e goleada. O Flamengo venceu o Vasco porque tem um elenco muito melhor e hoje é um time muito melhor.

A gente vem falando muito das variações táticas de JJ, mas ontem essas variações atingiram um novo nível, mostrando que o Fla pode muito mais.

O fio do Clássico.

Quero falar aqui sobre três tipos de variação: de ESTRUTURA, de CONJUNTURA e de SITUAÇÃO.

As três afetam a forma como o time joga em diferentes escalas e vêm sendo cada vez mais comuns por aqui.

Primeiro, a variação de ESTRUTURA. Contra o Grêmio vimos o time mudando do 4-4-2 para o 4-3-3 e dominando. Contra o Vasco, o contrário: início no 4-3-3 e mudança para o 4-4-2.

Aqui, o comportamento de TODOS os jogadores muda e a ocupação de espaços passa a ser diferente.

Em segundo plano, a variação de CONJUNTURA. Os jogadores começam a ter liberdade para decidir entre eles uma inversão de posição ou uma movimentação um pouco diferente. Tudo dentro das possibilidades combinadas previamente, mas levando em consideração o que pede o jogo.

A variação de SITUAÇÃO ocorre qnd alguém sai da sua posição para disputar uma bola ou criar uma jogada e outro acaba indo fazer a cobertura. É pura compensação. O posicionamento se mantém invertido até o fim da jogada, principalmente se o Fla não tiver a bola. Depois volta.

Contra o Vasco, o time entrou num formato que não tínhamos visto até aqui: 4-3-3 com BH pela direita, Arrasca pela esquerda e Gabriel como centroavante.

A ideia era forçar muito o jogo pelo lado direito explorando a velocidade e o drible de BH por ali.

Mas o 4-3-3 de Jorge Jesus é diferente do que estamos acostumados. Ele gosta de acumular muitos jogadores perto da bola, então o ponta do lado oposto não fica aberto lá longe. Ele fecha pelo meio.

Como o Fla insistia muito pela direita, Arrascaeta virava quase um meia.

Depois de mais ou menos 28 minutos, a primeira mudança estrutural: o time passou ao 4-4-2 com Gerson pela direita, mas diferente do imaginado quando saiu a escalação, BH foi para a esquerda e Arrascaeta foi jogar por dentro, perto de Gabigol.

Contra o Grêmio, JJ já tinha usado BH aberto e Arrasca no comando do ataque mas, sem Gabriel, o uruguaio era o único atacante central, o famoso Falso 9 ()

Agora, com outro atacante, o 4-4-2 ficava com uma carinha de 4-2-3-1.

O primeiro gol é um ótimo exemplo dessa movimentação. Acabou saindo uma tabela pelo meio da defesa, mas repare como a movimentação de Arrascaeta abre um espaço que Gabriel imediatamente explora. O passe poderia ter sido ali.

Dentro desse esquema, pudemos ver uma variação importante de conjuntura. BH e Arrascaeta tinham liberdade para trocar de posição, decidindo a cada lance, dependendo do que sentissem ser necessário. Essa variação mudava completamente as características do time.

No meio de tudo isso, diversas variações por situações. Um bom exemplo é o lance em que Arão pressiona dentro da área e Gerson faz embaixadinhas antes de dar um passe de costas para Gabriel quase marcar.

Repare como no início da jogada o drible de Filipe Luís pega Gerson entrando em facão na área. Gabigol não alcança o cruzamento e o time do Vasco começa a sair. BH reage rápido e acompanha o volante, indo ocupar a posição que seria de Gerson.
(36 seg: globoesporte.globo.com/rj/futebol/bra…)

São essas variações que tornam o time cada vez mais interessante.

O futebol de Jesus é direto, é intenso, mas tb é muito fluido. Quanto mais fluidez o Fla atingir nessas trocas, mais imprevisível será. Um time que pode confundir os adversários e gerar perigo de muitas formas.

Dá pra ver, inclusive, um leque de variações sendo montado nas jogadas ofensivas. O time gosta de sair jogando curto, mas quando necessário também pode sair na bola longa. Um passe de 40 metros de Pablo Marí para Gerson dividiu o time do Vasco e gerou o terceiro gol.

Também dá pra ver essas variações pelo fato de os três primeiros gols terem nascido com BH partindo da esquerda, mas de formas completamente diferentes: uma tabela por dentro fatiando a defesa, uma infiltração em profundidade com tabela e um facão no segundo pau.

O time que busca tanta variação também oscila. Erra e acaba sofrendo riscos.

O chute de Pikachu, por exemplo, vem de um claro erro de posicionamento. O Flamengo tinha cinco marcando três na área e ninguém fechando o espaço entre o zagueiro e o lateral. Cuellar deveria estar ali.

Pra terminar, vamos falar mais uma vez da bola parada. O Flamengo continua sofrendo. O Vasco levou perigo em 3 escanteios e essa é uma mini-história muito interessante e relevante para o jogo.

O Vasco bate “de pé aberto”. Ou seja, um destro bate o escanteio na direita e um canhoto na esquerda. Assim, a bola vai abrindo e evita a saída do goleiro.

O Flamengo marca por zona e dá espaço para os adversários entrarem correndo antes de saltar, ganhando mais impulsão.

No primeiro escanteio, Arrascaeta está na sobra e Castán corre sozinho. Sobe mais que Thuler (que dá um passo à frente e erra o tempo de bola) e faz o gol.

No segundo, Arrascaeta passa a fazer uma função de bloqueio, mas Henriquez escapa e quase faz o gol junto com Castán.

No terceiro, o uruguaio é mais contundente no bloqueio e Vuaden marca pênalti. Eu não marcaria de jeito nenhum e já dei a minha opinião sobre o uso do VAR nesses casos, mas a gente precisa entender que nada no futebol é por acaso. Esse não foi um lance isolado.

O Flamengo mereceu a vitória! Diego Alves, muito contestado, saiu como herói!

O time segue evoluindo pouco a pouco, construindo opções e variações, escolhendo ser uma metamorfose ambulante.

Há futuro no Flamengo de Jorge Jesus.

Pra quem prefere ler direto em formato de artigo no site do @MRN_CRF

mundorubronegro.com/flamengo/anali…

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