Marlos Ápyus Profile picture
Jornalista e músico. I'm always home, I'm uncool. Not a killer. Bloqueio dementadores. DMs abertas.

Aug 19, 2019, 10 tweets

Agora deixa eu demonstrar matematicamente que essa discussão só não é de todo irrelevante pois serve para empurrar para o lado de Bolsonaro qualquer um que tenha anulado voto em 2018...

No segundo de 2018, Bolsonaro recebeu 57.797.847 votos. Haddad recebeu 47.040.906 votos.

Diferença: 10.756.941 votos.

Agora vejamos brancos e nulos no segundo turno: 11.094.698 votos.

Se todo mundo que anulou tivesse votado em Haddad, teríamos tido uma eleição mágica com 0% de votos nulos, e o petista teria vencido por uma diferença ínfima de 0,29%.

Mas a realidade é que o Brasil nunca teve uma eleição presidencial com menos de 5,82% de nulos e brancos.

As eleições que foram a segundo turno tiveram, em média, 6,18% de votados anulados assim.

A de 2018 de fato viveu um aumento considerável: foram 9,57% de nulos e brancos.

Foquemos então nesse excedente de 2018. O voto nulo/branco contou com 3.930.144 brasileiros a mais em relação à média histórica.

A diferença de votos entre Bolsonaro e Haddad foi de 10.756.941 votos.

Percebem que não mudaria nada?

Se todo esse excedente de eleitores que votaram nulo tivessem ido de Haddad, o que também seria uma "mágica", o petista teria perdido por uma diferença de 6,8 milhões de votos.

Para efeito de comparação, Aécio perdeu para Dilma por 3,5 milhões de votos de diferença.

Mas essa discussão não é irrelevante. Porque ela há de ter um resultado prático em quem anulou. Que é o de anular com mais firmeza ainda na próxima. Ou, quem sabe, votar em Bolsonaro – afinal, já está pagando por um "crime" que não cometeu.

E me antecipando a questões sobre abstenções.

Não é o cálculo mais seguro a se fazer pois o total de "eleitores aptos" é refém do cadastro dos TREs. Dependendo do estado, fica de tempo em tempos bem defasados.

Mas vamos lá:

Em média, quando somamos nulos, brancos e abstenções, chegamos a 22,88% dos eleitores aptos a votar.

Em 2018, essa fatia foi de 28,83%. Diferença de 5,94%, ou 8.756.041 eleitores aptos.

Se por mágica essas 8.756.041 pessoas saíssem de casa para votar em Haddad no segundo turno de 2018, Bolsonaro continuaria eleito.

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