O Sporting é um case study, desde a demissão do anterior presidente.
Uma Comissão de Gestão, em clara sintonia com quem veio a ganhar as eleições, contrata jogadores, como o Nani, renegoceia contratos rescindidos, garante a sócios e adeptos que os que voltam, voltam nas mesmas...
condições. Despede um treinador antes de fazer um jogo e contrata outro. Garante que o clube está estabilizado financeiramente. O Presidente da Comissão sai em ombros e prometem-lhe uma estátua.
A nova direcção entra em funções. Despede o treinador e contrata outro. Declara a
crise. Os salários, alguns deles aumentados já nesta época são incomportáveis. O Clube está em risco de não pagar salários. Isto é declarado, publicamente, dias antes de faerem um empréstimo obrigacionista. No fundo é como eu pedir um empréstimo e avisar primeiro que não vou
conseguir pagar. Entretanto, por causa disso, percebe-se que o Clube mentiu aos sócios e adeptos sobre as condições de regresso. E, curiosamente, a operação corre mal, comparada com outras. E aparece um fundo abutre com óptimas soluções para o Clube.
A seguir, alguns dos jogadores mais credenciados do clube, entre eles o capitão de equipa são cedidos gratuitamente, para não pagar salários. Mas paradoxalmente são contratados jogadores.
A época termina. Começa uma sangria nas modalidades amadoras, com processos verdadeiramente kafkianos e absurdos, sempre com o tónico de que é preciso baixar custos. No F11 o plano A é vender o melhor jogador, o plano B é vender o segundo melhor jogador.
Mas ainda assim, contrata-se um jogador que tem estado sem jogar nos últimos 4 anos por 7,5M€. A pré-época é inédita, pelas piores razões. O Sporting continua a espalhar publicamente que está pré-falido e que está tudo controlado, consoante o dia da semana.
Como é óbvio, anunciar que se quer vender os jogadores resulta em ofertas baixas. No caso de Dost, contratámos um jogador nem sempre titular por 10 Milhões, ele marca 83 em 90 jogos ou algo do género. E desvaloriza.
O capitão de equipa, nos dias pares quer ficar no Sporting até ser campeão e nos ímpares quer jogar em Inglaterra. A equipa, após uma pré-época em que não ganha, é goleada pelo seu rival principal. O presidente afirma-se chateado mas não preocupado.
Isto após uma "reportagem" ou "propaganda" ter mostrado um paraíso na terra com coisas de franco mau gosto, como sucedeu com o Paulinho. O treinador dá dois dias de folga antes do primeiro jogo do campeonato, porque, suponho, os rapazes estão em estado de choque. A originalidade
é elogiada pela generalidade dos comentadores. Mas não é o mais bizarro da actuação de Keizer, que diz saber de contratações, dispensas e alvos via imprensa.
Refeita pscologicamente, não só da goleada, mas também da não venda do seu capitão e melhor jogador para haver dinheiro para os seus salários, a equipa empata com o Marítimo, fora.
O Sporting, sempre a anunciar em público que não tem dinheiro, vende então o melhor marcador da equipa e o negócio é explicado brilhantemente: vendemos barato para não ter de pagar aos credores (o que aconteceria se fosse acima de 10 milhões) e somando como dinheiro ganho o que
não gasta em salários. Porque na nossa Liga há um tecto salarial. Só que não. O Sportiing ganha ao Braga, com Bas Dost de fora e o treinador publicamente a dizer que não sabe porquê. Os jogadores caem no chão, exaustos, talvez por ainda não estarem adaptados aos rigores do novo
departamento de performance, inovador em todo o mundo. Entretanto, Bas Dost, apresentado quer pela comissão de gestão, quer pela direcção como um exemplo de profissionalismo, amor ao clube, etc. acorda segunda feira, um bandido do pior que está a sabotar a sua própria saída do
clube. A direcção acusa-o de exigências de última hora, ele responde que são da última hora desde julho, quando lhe disseram que o queriam dispensar. Acreditem no que, ou em quem quiserem. Bas Dost é suspenso dos treinos, sempre uma boa maneira de elevar o seu preço.
O Presidente do Sporting, que afirmou que gerir o futebol era o mais simples, e garantiu que o circo tinha terminado no clube, faz saber que nem ele nem o seu director desportivo conseguem chegar à fala com o seu vice-capitão.
Podemos achar que isto é fruto de grossa incompetência, de inabilidade para lidar com o mundo do futebol, de inexperiência e o diabo a 4. Ou há uma explicação mais simples. É de propósito. Ninguém percebia como é que um gestor impecável como o sr. Bava meteu todo o fundo de
pensões da PT no Titanic do BES. 18 milhões de € ajudaram a explicar, como os 14 milhões de prenda ao Ricardo Salgado, explicou o empréstimo de 50 milhões sem garantia a esse grande amigo. Um dia, será claro o que aconteceu no Sporting. Tarde demais, suspeito.
Há entidades financeiras cujo único interesse na compra de uma empresa, instituição, é desfazê-la e vender as suas partes. É com um desses fundos que o Sporting trabalha hoje. Com um super-agente cujos melhores clientes pagaram uma fortuna para não serem presos.
Se eu estiver enganado, maravilha. Mas não estou. Prefiro acreditar que por detrás de uma marioneta como o Sr. Varandas, há quem saiba o que está a fazer e a deixar acontecer. Se não for assim é só mais uma grande originalidade do Sporting.
Share this Scrolly Tale with your friends.
A Scrolly Tale is a new way to read Twitter threads with a more visually immersive experience.
Discover more beautiful Scrolly Tales like this.
