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Jan 17, 2020, 19 tweets

Vocês conhecem a história de Luiz Fernando Reis? Hoje, é o aniversário dessa grande figura do carnaval e, em homenagem a ele, destrincharemos um pouco da história dessa grande carnavalesco (e professor de matemática) para história do carnaval. Segue o fio... 🧶

1. LFR foi o grande idealizador do jeitão irreverente da agremiação da Zona Norte. Alinhado ao processo de redemocratização da década de 80, o artista criou enredos críticos que iam ao encontro dos clamores populares, abusando do humor e dos elementos cotidianos do período.

2. Dialogando com o cenário social da época, seus carnavais possuíam sintonia ímpar c/ o público. Desta forma, tornando a Caprichosos e o estilo de Luiz dos mais importantes dos capítulos dos desfiles daquela década, sendo o período mais marcante das trajetórias dele e da escola.

3. Em apenas seis desfiles na azul e branca de Pilares, entre 82 e 87, “saudadeou” o que sumira do dia a dia, mostrou Brasil e “Brazis” e também exaltou nobres descoroados e feirantes que maldiziam a inflação.

4. Preocupando-se mais c/ a mensagem final que transmitiria do que com a forma exposta, LFR abusou do retrato de um país em franca transição. Crônicas sociais criticando a política nacional dele apontavam para uma produção c/ temáticas contundentemente corriqueiras e atuais.

5. Tendo como grande inspiração a gigantesca carnavalesca Maria Augusta, LFR deixou de lado a linha mais clássica de enredos históricos/mirabolantes e bebeu da fonte da leveza e do bom gosto cromático característicos da União da Ilha à época. Sempre ligado às críticas!

6. Em 82, faturou o caneco pela escola no grupo de Acesso. A escola cantou as singelas belezas da Feira Livre, pela cozinheira Lili, alçada a protagonista pelo samba-enredo. Nesse ano, coube ainda uma inovação artística: crítica explícita à inflação.

7. O desfile foi marcado pela sinergia entre público e agremiação citada acima. Essa catarse promovida pela atualidade do tema e pelo diálogo direto de Reis c/ a massa popular seria o que faria a Caprichosos ter a força popular que ocupa até hoje em nosso imaginário de foliões.

8. Se nos respiros finais da ditadura, algumas escolas começavam a ter de maneira velada alguma crítica ao governo vigente, LFR foi um dos primeiros a criticar o sistema abertamente c/ o inesquecível carro de 84, que trazia um muro grafitado (...)

9. clamando pelas “Diretas” em meio a caricaturas de políticos da época. O desfile desse ano é um dos mais importantes da história de ambos, pois foi o que consagraria a ascensão do carnavalesco e de escola no imaginário coletivo carnavalesco.

10. Destacando-se por ideais claras e objetivas, muitas vezes o carnavalesco optava pela linguagem escrita. Dessa forma, podia reforçar a mensagem proposta e criar tipos de legendas p/ facilitar a compreensão do proposto. Surgiam os “estandartes alegóricos”.

11. Esses cartazes funcionavam como verdadeiros cartazes de passeatas e manifestações, presentes nas maioria dos desfiles de LFR. Essas pequenas alegorias marcariam ainda outra característica do carnavalesco: a estética do precário e esculhambado.

12. Ao contrário do luxo comum, Luiz Fernando Reis se interessaria em construir um estilo oposto ao praticado e hegemônico. Essa ideia corroborava com a importância da mensagem em seus desfile e não, de fato, o visual.

13. Na mídia da época, reforçava-se a ideia do caráter coletivo e de massa que o carnavalesco dava à agremiação, comparando-nos inclusive a “blocos de rua”. Essa característica foi fundamental no cortejo de 1985, o qual deu ao desfile o Estandarte de Outro de melhor escola.

14. No primeiro carnaval após o fim do regime, muitas escolas apresentaram temáticas sociais e que dialogassem com o atual. Ratificando, portanto, a importância de LFR num cenário geral por já ter antecipado todo aquele discurso pioneiramente.

15. Mesmo com boa repercussão e aceitação de suas apresentações na escola, a trajetória de Luiz na Caprichosos não foi necessariamente marcada por bons resultados nas classificações gerais. O sucesso popular e midiático da agremiação faria crescer um desejo (...)

16. por melhores colocações. De certa forma, essa pressão à produção do carnavalesco, intimou-o a realizar carnavais “sérios”, já que suas temáticas eram vistas como algo menor e “engraçadinho”, não uma proposição artística como as dos grandes carnavalescos da época.

17. Após sua saída de Pilares, o carnavalesco passou ainda por escolas como Salgueiro, Imperatriz, Tijuca e União da Ilha. Em nenhuma delas conseguiu replicar o sucesso obtido na Caprichosos, mas suficiente p/ marcar seu nome na história da grandes figuras do carnaval.

Desejamos vida longa a essa figura essencial na construção identitária do carnaval enquanto oposição política e divã social nacional. Luiz Fernando Reis é gigante e merece todas as honras possíveis, parabéns! #carnavalize

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