José Gusmão Profile picture
Economista e eurodeputado do Bloco de Esquerda

May 12, 2020, 9 tweets

Mário Centeno tem razão ao afirmar que a resolução do Novo Banco foi "um sucesso". Só se esqueceu de dizer que o sucesso é da Lone Star. Os contribuintes continuam a pagar a garantia que o Estado pôs nas mãos de um fundo abutre. O descaramento tem limites.
tsf.pt/portugal/polit…

Para além desta afirmação quase provocatória, Centeno, diz que "Houve falha de comunicação, não houve falha financeira" no Novo Banco. Não sei o que quer dizer isto, mas parece-me outra falha de comunicação. Ficamos com a impressão de que este modelo é para repetir...

Ninguém pode falar do Novo Banco sem dizer o que fará para evitar situações análogas no futuro e o que fará se as mesmas se verificarem. Duas sugestões: 1. Impor a capitalização acima dos mínimos regulatórios, que são grosseiramente insuficientes.

2. Pôr na lei que qualquer injeção de capital será refletida na propriedade de qualquer instituição e será permanente. Ou seja, sempre que os contribuintes tiverem de pagar a limpeza de um banco privado (e é demagógico dizer que é só deixá-lo cair), será para ficarem com ele.

Centeno diz q n vê necessidade de nacionalizar a TAP. Ou seja, para o MF, o Novo Banco é o paradigma a seguir. Se a TAP tiver de ser recapitalizada (e terá) e o privados não meterem um cêntimo (e não meterão) vamos pagar para manter uma empresa nas mãos da atual administração.

"Neste momento, estamos a fazer o contrário da austeridade". Uma ideia duplamente preocupante porque: 1. Aparentemente, Mário Centeno pensa que uma reposição muito parcial de rendimento e níveis historicamente baixos de Investimento público são "o contrário da austeridade."

2. "o que aí vier vai depender muito do caráter mais ou menos temporário desta recessão". Aqui estamos no domínio da falha de comunicação. O caráter desta recessão depende em boa medida de se fazer "o contrário da austeridade". Um compromisso claro comunicava melhor...

Quando as falhas de comunicação são tantas, é impossível afastar a sensação de que a verdadeira falha é de política e não de comunicação. O que esta entrevista mostra é que Centeno, ou não tem um plano ou não quer dizer qual é. E ter um plano numa recessão costuma ser importante.

PS: Centeno dá um subtil puxão de orelhas público ao PM dizendo que "o PM entendeu que devia fazer um pedido de desculpas ao bloco de esquerda". Centeno acha que dar informações erradas à AR não é razão para pedidos de desculpa e que as auditorias são coisa para os historiadores.

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