#ManoDraw: Mais do que uma junção esperada, a conversa do Draw com Brown resultou em reflexões importantíssimas sobre música, racismo e Brasil. Separamos aqui alguns dos melhores momentos de Draw e Brown (@manobrown). Segue o fio:
#ManoDraw: RACISMO
"O que mata o Brasil é o racismo. Esses preconceitos velhos, arcaicos."
"Com 13 ou 14 anos, já tava procurando um jeito de ganhar dinheiro. Fazia pacote no mercado. Às vezes, o gerente não deixava, porque tava com roupa velha, ñ ia com a minha cara."
"O cara quando ñ vai com a nossa cara é problema. Nem pra trabalho. Não deixam a gente trabalhar."
"Um policial tá andando na rua e vê um cara branco, ele vai parar? Por que ele pararia?"
"A leitura que o cara tem, antes de qualquer coisa, é que um branco no meio de dois negão, é vítima. Pensa, 'temos que proteger esse branco agora. Depois a gente vê quem tá certo'."
"A minha primeira abordagem policial foi com 12 anos. Eu tava a uns 20 metros da minha casa. Nessa idade a gente já tinha visto tudo. A violência sempre teve por perto, sempre foi assustador."
"Os caras querem me passar como branco. Tá pensando que eles confundem? Eles não confundem. Eles sabem exatamente quem é você. Não adianta você querer se passar por um deles."
"Eu fui com meu filho para Nova York. Guardei um dinheiro e fui lá [...]. Quando a gente entrou no avião de volta, deu um choque, não tinha um preto. Todo mundo olhou para mim e para o meu filho na hora. Tá no silêncio, doutor."
#ManoDraw: BRASIL
"Brasil de hoje é o Brasil feião, sem maquiagem. Do jeito que ele sempre foi, só que era maquiado. Sempre foi isso aí, doutor."
"Nunca foi fácil, não tem facilidade. Tem que deixar bem claro. Sempre teve luta."
"Na real o morador da comunidade não tá assustado com isso aí, doutor. George Floyd, Covid... Deveria estar, mas não tá. Porque a vida é luta constante para esse povão aí. Acabou a Covid? Vai para a próxima luta. Não tem axé."
"O Brasil é corrupto o suficiente para não abraçar ideologia nenhuma, de ninguém. Nem de extrema direita."
"Não vejo o povão engajado nas filosofias extremas. Agora, através do voto, o cara pode ser sanguinário. Às vezes tem problema com baile funk, com rap, com pobre emergente e ñ consegue falar. É isso que ele vai representar no voto."
#ManoDraw: RAP
"O que me levou pro rap foi a fome. No momento em que eu tava desistindo mesmo, o rap entrou na minha vida. Eu renasci, entendeu?"
Drauzio sobre "Sobrevivendo no Inferno": Esse é um dos discos que eu mais ouvi na minha vida.
Mano Brown: "Ô doutor. Essa sobrevivência não falava só de cadeia. Falava da rua mesmo, da vida. São vários infernos, né?"
"Queria fazer uma música onde eu pudesse falar da vida de um outro ponto de vista, falar do nosso pessoal. Um som diferente, que para alguns é mais leve, mas falar de amor não é tão fácil. É pesado também. Tem muita coisa, os sentimentos dos outros, os seus sentimentos."
Rap X Violência: "Eu não queria ver nada daquilo, mas várias pessoas já viviam aquela vida [no crime]. Falam que o cara tem a 'vida fácil', mas vida fácil que se paga com a vida? Então não é tão fácil assim. Não tô advogando para ninguém, mas são situações de vida."
Rap X Choque Social: "Não sei porquê as pessoas ficaram abismadas quando ouviram. Tava na cara de todo mundo, na do rico, do pobre, do branco, do preto... Todo mundo já sabia que o preto sofre, que a polícia pega no pé. O Brasil é isso. Todo mundo bebe na mesma fonte racista."
#ManoDraw: Para assistir à live completa, vem de link:
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