Ainda sobre "Marxismo e descendência", de Paim:
Li a parte 1, que é um tesouro para entender o marxismo da URSS. Na parte 2, é o marxismo francês. Muito erudito e detalhado. Em filosofia, estudamos o pensamento dos autores sem implicar adesão às suas ideias.
Paim faz isto com os autores caros à intelectualidade brasileira, e é muito útil para gente com uma bagagem como a minha: que estava no meio, mas não se interessava, e não entendia direito esse negócio porque nada fazia lá muito sentido. É útil porque ele se coloca de fora e...
estuda de fora. Em filosofia, quase não se estuda marxismo, mas os professores que ensinaram à minha geração são todos formados nesse caldo cultural do marxismo francês, via USP.
Para o público geral, destaco duas informações pertinentes, que não costumam ser expostas por aí:
1. Marx era admirador confesso de Proudhon, e a relação azedou através de cartas. Proudhon tinha revisado a própria teoria, e desistiu da Revolução. Dizia que era contra uma nova noite de São Bartolomeu, trocando-se protestantes por proprietários.
Marx passou a ofendê-lo com virulência em textos. A carta de Proudhon me fez gostar dele, e ter vontade de ler coisas posteriores. E Marx era bem desaforado; mandava-o romper relações com um fulano lá por causa de teoria.
2. Durkheim acreditava que cabia à sociologia reformar a sociedade, e, assim como Marx, era contra o movimento sindical. O seu ideal era um Estado corporativo em que os sindicatos fossem órgãos públicos e os votos fossem por corporação, em vez de territórios.
Sim, fascistoide, mesmo. Depois, Durkheim seria apropriado pelo marxismo.
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