Contei no @JornalOGlobo a situação terrível do coronavírus nas aldeias do Mato Grosso. Indígenas estão apelando para doações de R$ 1 para erguer hospital de campanha. A Covid-19 já deixou 7 óbitos e 77 casos confirmados no Parque Indígena do Xingu.
oglobo.globo.com/brasil/coronav…
Um dos motivos pela construção de um hospital próprio é o preconceito que indígenas sofrem nos hospitais urbanos: "Eles não cuidam bem da gente. Quando a gente fica internado lá, não dão comida nem água para a gente beber", me disse Yanama Kuikuro.
A pandemia demorou a chegar no Xingu, mas agora avança rapidamente. O primeiro óbito foi de um bebê de 45 dias, Salu Kalapalo, em 13 de junho. De lá para cá, são 7 mortes — a última ocorreu na manhã desta sexta-feira. As etnias kalapalo e yawalapiti são as mais afetadas.
O contágio entre os indígenas é mais alto que a taxa da população brasileira: 1.479 de cada 100 mil indígenas foram infectados, ante um índice de 907 na população brasileira. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa.
A situação só não é pior porque tem projetos e pesquisadores REALOCANDO verba de pesquisa para ajudar os indígenas no combate ao coronavírus. Arqueólogos, antropólogos, médicos e outros pesquisadores não precisavam estar fazendo isso, mas fazem.
O pesquisador Bruno Moraes resume: "É uma pena (ter que realocar verba), pq não é a nossa função. Mas não tem problema. Não existe cientista descompromissado com o meio com o qual ele trabalha. A gente tem que advogar pelos povos indígenas. Precisamos fazer o que for possível".
Foi um tuíte da @patriciapillar, quando ela divulgou uma campanha de financiamento coletivo da Associação Yawalapiti Awará, que me motivou a fazer a matéria. Obrigado, Patrícia.
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