Marcel Ribeiro-Dantas, PhD🔎📊🌿 Profile picture
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Aug 13, 2020, 9 tweets

1/9 De modo grosseiro, existem três coisas q são levadas em consideração quando você analisa um novo tratamento em um estudo. (1) É estatisticamente significante o meu achado? Ou seja, quão incomum seria eu encontrar esse resultado ao acaso, sem ter nada a ver com o tratamento?

2/9 (2) Qual o tamanho do efeito? Ter como quase certo que um remédio prolonga a vida do paciente... Mas que aumenta a vida do paciente em 32 segundos é sacanagem, né? Não adianta funcionar, tem que ter um efeito razoável. E (3) Quais os efeitos colaterais? Vale a pena prolongar

3/9 a vida do paciente em 1 semana mas ele em coma? Ou garantir que ele não irá morrer da doença X, mas vai de insuficiência renal em alguns meses? Estou falando aqui para você de forma bem grosseira, mas é mais ou menos nessa linha que os tratamentos costumam ser avaliados.

4/9 Então assim, o estudo mostra q é bastante improvável q os resultados observados ocorreram ao acaso? O tamanho do efeito é razoável p/ aquela doença? Os efeitos colaterais são mínimos? Show. E.g., Hoje temos evidências de que alguns tratamentos p/ câncer aumentam as chances do

5/9 paciente desenvolver um outro tipo de câncer. Quando? Geralmente em várias décadas. Se você têm câncer com 70 anos, você dificilmente vai chegar aos 100 para ter outro câncer. Um paciente que iria morrer mas tem a vida prolongada em 5 anos, é um baita avanço. Compreende?

6/9 Sobre tamanho de efeito placebo, costuma ser mínimo, quase q descartável. Costumamos nos referir a efeito placebo inclusive como "chance". O resultado do tratamento foi superior ao que qlqr coisa iria conseguir ao acaso (o efeito placebo)? Em alguns quadros como de depressão,

7/9 parece que o efeito placebo tem uma contribuição maior, mas não sei dizer. No entanto, infecção por vírus, câncer, doenças que não tem muito relação com o estado mental (todas tem, mas bem menos do que algumas pessoas gostam de acreditar), efeito placebo é descartável.

8/9 O fio está ficando longo, mas queria mencionar mais um detalhe: Existem estudos q apontam que pacientes que fazem o tratamento convencional + medicina alternativa costumam morrer mais do que pacientes que fazem *apenas* o tratamento convencional. Ou seja, fazer a alternativa

9/9 pq "na pior das hipóteses, mal não faz" está incorreto. E ñ só faz mal ao indivíduo, como a terceiros. É algo + sério do q parece, e vai além de meramente ser dinheiro sendo jogado no lixo, dinheiro q poderia estar sendo gasto com o que sabemos que funciona e está em falta😰

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