Marcel Ribeiro-Dantas 👨🏻‍💻 Profile picture
🇧🇷 👨🏻‍💻Researcher @Institut_Curie, PhD candidate @Sorbonne_Univ_, Scientific Comm @PortalDeviante🎙️#SciCast #rstats #causalinference #cancer #AI @isola_ai
23 Sep 20
1/11 Após escrever esse tweet, peguei-me pensando sobre muitas pessoas de fora da academia ñ saberem o q significa crença dentro da ciência. Isso me lembrou inclusive de um episódio do #SciCast (@PortalDeviante) que gravei há alguns meses onde brincávamos q iríamos falar sobre
2/11 crença, e o uso de um teorema matemático q usa crença para validar a hipótese de Jesus ter ressuscitado. Estou falando do Teorema de Bayes. Se quiser saber mais, recomendo ouvir o episódio! Ficou super legal. Se acha q estou brincando sobre a palavra deviante.com.br/podcasts/scica…
3/11 crença, trago aqui um print da página da Wikipédia. E digo mais, vai além disso! Em várias metodologias científicas nós utilizamos de pressupostos. Alguns pressupostos podem ser checados, de modo a identificar violações. Outros, NÃO. Ou seja, vai na base da fé. Por exemplo, Image
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20 Sep 20
1/4 O cidadão liga para a assistência técnica de seu carro e conta a seguinte história pitoresca: Sempre que vou tomar sorvete de creme na sorveteria, meu carro tem dificuldade de ligar quando vou embora. O curioso é que se eu escolho qualquer outro sabor, o carro funciona normal
2/4 Já tentei vários sabores e o carro funciona normal, mas se eu escolho o bendito creme... Tenho dificuldade em fazer o carro ligar. O carro não gosta de sorvete de creme? 🤣 Quem me segue já está cansado da velha máxima, né? "Correlação não implica em causalidade". Após
3/4 investigação, os técnicos descobriram que havia uma peça superaquecendo. O sorvete de creme é o que mais saía, tinha um fluxo diferente. Imediatamente se recebia o sorvete após pagar, e a peça ainda estava quente. Os outros sabores demoravam mais para sair e era o tempo
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14 Sep 20
É possível que tenhamos hoje o anúncio de uma das maiores evidências já obtidas por cientistas sobre vida em outro planeta. O curioso é que, se de fato for comprovado, esteve pertinho de nós o tempo inteiro. É no planeta que passa mais pertinho de nós, inclusive.
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11 Sep 20
Existem várias razões de ser difícil compreender os fenômenos que observamos, muita razões para nem sempre as coisas serem o que parecem. Hoje vou falar de TRÊS coisas relacionadas a essa dificuldade. Pronto para mais um fio 🧶de #DataScience #Statistics #Science? 😃🥳 1/20
2/20 Talvez o mais óbvio sejam variáveis latentes ou ñ observadas/medidas. Em muitos casos, independente da quantidade de dados q vc observar sobre 2 eventos, você seguirá vendo uma correlação q fará você achar que um evento está causando o outro. Em uma determinada região, por
3/20 exemplo, foi observado q quando o consumo de sorvete aumentava, mais pessoas morriam por ataques de tubarão e acidentes em piscinas. Quando o consumo de sorvete caía, menos pessoas morriam por ataques de tubarão e acidentes em piscina. Nenhuma quantidade de dados sobre
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11 Sep 20
1/18 Eu costumo assistir o @sharktankbrasil e, em um episódio que assisti hoje, topei mais uma vez com um termo que tá na boca do povo mais do que nunca, principalmente por causa da #COVID19: Crescimento exponencial.

Vamos lá bater um papo em um fio🧶sobre curva exponencial? 😁
2/18 A primeira informação que talvez surpreenda algumas pessoas é a seguinte: NÃO, a curva de casos de COVID19 *NÃO TEM CRESCIMENTO EXPONENCIAL*. E não tem porque é impossível que tivesse. Isso torna menos assustador? *NÃO, NÃO TORNA*. Com essas duas informações postas, sigamos.
3/18 Vc deve estar se perguntando: “Mas Marcel, por que em todo canto dizia q o crescimento era exponencial se não era?” Bem, existem algumas explicações para isso. A primeira razão é que a palavra exponencial já é um termo popularizado, até por ter significado fora da matemática Image
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7 Sep 20
1/4 Ñ, + quase lá. Imagina o seguinte cenário. Relendo os meus tweets, de fato ñ ficou claro.

Vc quer testar se o medicamento X tem um efeito Y em pacientes recém transplantados, pq você é levado a crer que talvez não. Daí vc está lá no hospital q vc trabalha e manda um e-mail
2/4 p/ PARTE dos recém transplantados naquele mês. Daí um mês depois, eles vem, e você dá o tratamento. Após um certo período, você considera a diferença de Y entre quem recebeu o tratamento e quem ñ recebeu. O problema aqui é q os pacientes q n receberam tratamento e morreram
3/4 desde o início estão sendo contabilizados. Enquanto que o grupo dos tratados é composto apenas de quem ainda estava vivo 1 mês após o transplante. É como se você tivesse começado a analisar os dois grupos no primeiro dia, mas existissem indivíduos IMORTAIS no grupo dos
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4 Sep 20
Acho q nunca falei p/ vocês por aqui sobre um conceito fruto de algumas reflexões: ideias órfãos. Pega um café q teremos um🧶 😄

Imaginem q cada conclusão é uma bolinha no grafo abaixo, e essas bolinhas juntas formam nossa rede de conhecimento. As retas, arestas, q conectam
1/20
2/20 as ideias indicam relacionamento entre elas. Peguemos a figura abaixo, por exemplo. Nós concluímos q João é atleta pq sabemos que (a) todo jogador de futebol é atleta e que (b) João joga futebol. Mas como sabemos que João joga futebol? Por causa de outros nós, as bolinhas, Image
3/20 que estão acima de “João joga futebol”, topologicamente falando, e assim por diante. Assim como em termos computacionais, em termos biológicos também seria um desperdício de “espaço”, ou energia, ter tudo isso armazenado dessa forma. É fácil lembrar de um trauma, mas difícil
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30 Aug 20
1/15 Que tal um 🧶 fio sobre #COVID19, etnia e Paradoxo de Simpson para enaltecer nosso final de semana? Vamos? 😄

Temos sido todos bombardeados com dados, gráficos e conclusões durante essa pandemia. É possível que você tenha visto notícias de que negros tem morrido mais q
2/15 brancos, o contrário, gráficos mostrando um dos dois casos, e é + q natural q tudo isso só tenha complicado nossas cabeças. Afinal, se tem um gráfico mostrando q morrem mais brancos, é porque pessoas brancas tem maior risco de morte por COVID19, né? Não? É? An?
3/15 Observe a figura abaixo. Ela diz q 35.3% dos casos de #COVID19 foram em brancos não hispânicos (em vermelho), enquanto que 49.5% dos óbitos foram neste grupo (em azul). Em outras palavras, essas imagens nos levam a crer que brancos ñ hispânicos acometidos por COVID19 tem Image
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22 Aug 20
1/4 Quem já leu sobre design de estudos científicos deve saber que randomizar (aleatorizar) quem vai receber a intervenção é bastante importante. Com base nisso, João colocou uma venda e pegou 5 ratos para dar o tratamento e deixou os outros 5 na gaiola. Aleatório, certo? Não!
2/4 É possível que os ratos mais fáceis de pegar, por alguém que está vendado, sejam justamente ratos mais velhos, ou mais fracos, ou doentes ou qualquer coisa desse tipo. No final das contas, a intervenção poderia passar a impressão de estar fazendo mal ou ñ ter efeito, quando
3/4 na verdade se tratou de viés de seleção. Um outro problema é permitir que as pessoas escolham se irão participar ou não do tratamento. Pode ocorrer de apenas pessoas em estado de vida ou morte queiram se arriscar com o tratamento novo, pessoas que já iriam morrer. No entanto,
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18 Aug 20
1/3 Eu sempre gostei de discutir ciências econômicas, e tive a oportunidade de ter colegas da área para discutir e aprender com eles. Por alguma razão meu Twitter é lotado de pessoas que discutem economia diariamente e, só para vocês terem uma noção, esse é o primeiro tweet que
2/3 menciono a palavra economia sem relação com saúde. Desde.. SEMPRE. A comunidade de inferência causal tem uma participação massiva de economistas e epidemiologistas, e imagino que por isso meu feed tem tantas pessoas desses dois grupos. Sempre preferi limitar essa conta a
3/3 falar de ciência, análise de dados, causalidade, oncologia e saúde/tecnologia em geral. Daí, gostaria de perguntar para quem me acompanha por aqui: Vocês acham que seria positivo se eu retweetasse conteúdo de economistas que eu acho coerente e aqui e ali comentasse algo?
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14 Aug 20
1/10 🧶Olá, pessoal! Meu nome é Marcel Ribeiro-Dantas e analiso dados moleculares, clínicos e sociais de pacientes c/ câncer. Hoje faço doutorado (@Sorbonne_Univ_) e sou pesquisador (@institut_curie) na França, mas como hoje é o dia do #ExistePesquisanoBR, falarei para vocês
2/10 rapidamente de pesquisas que desenvolvi no Brasil ao longo da minha carreira e colaborações científicas que ainda hoje participo ativamente no Brasil. Se alguém tiver alguma dúvida específica, só comentar o tweet com a dúvida que respondo :-) Prontos? Vamos lá! Desenvolvi um
3/10 sistema de telemonitoramento para pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica, aumentando o bem estar e segurança do paciente, o que está associado com um melhor prognóstico. Foi o meu trabalho de conclusão de curso de Engenharia de Computação e Automação (UFRN) Image
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13 Aug 20
1/9 De modo grosseiro, existem três coisas q são levadas em consideração quando você analisa um novo tratamento em um estudo. (1) É estatisticamente significante o meu achado? Ou seja, quão incomum seria eu encontrar esse resultado ao acaso, sem ter nada a ver com o tratamento?
2/9 (2) Qual o tamanho do efeito? Ter como quase certo que um remédio prolonga a vida do paciente... Mas que aumenta a vida do paciente em 32 segundos é sacanagem, né? Não adianta funcionar, tem que ter um efeito razoável. E (3) Quais os efeitos colaterais? Vale a pena prolongar
3/9 a vida do paciente em 1 semana mas ele em coma? Ou garantir que ele não irá morrer da doença X, mas vai de insuficiência renal em alguns meses? Estou falando aqui para você de forma bem grosseira, mas é mais ou menos nessa linha que os tratamentos costumam ser avaliados.
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6 Aug 20
1/5 Máscaras com válvula servem para proteção contra #COVID19? CUIDADO! Segue o fio 🧶 e depois divulga! Importante! Image
2/5 Algumas pessoas preferem utilizar as máscaras de proteção com válvula pois é mais fácil respirar, dentre outras coisas. No entanto, ainda que essa máscara proteja você de se contaminar, não protege os outros no ambiente caso você esteja contaminado!!!
3/5 O LA Times publicou um texto em inglês explicando a situação. No caso de apenas ter máscaras assim para utilizar, cubra a saída da válvula com fita. latimes.com/california/sto…
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4 Aug 20
1/10 Vou fazer um fio em cima desse fio maravilhoso da @luizacaires3. Por que a taxa de ocorrência de câncer deveria ser maior em elefantes? Por que não é? Por que não vemos câncer em insetos mas vemos em alguns animais de estimação como cachorros? Segue o fio! 🧶👇
2/10 O câncer é uma doença causada por erros no maquinário de nossas células (as causas que você costuma ouvir, como tabagismo, costumam afetar esse maquinário). Em termos de mutações, por exemplo, elas são COMUNS e ocorrem frequentemente. O pulo do gato é que nosso corpo
3/10 maravilhoso tá sempre corrigindo esses errinhos q acontecem. Eventualmente um passa batido sem ser corrigido, mas dificilmente um errinho vai gerar a cascata de pré-requisitos p/ se ter um câncer. C/ base nisso, chegamos na pergunta: P q câncer é + comum em animais grandes?
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31 Jul 20
1/8 Diariamente nos deparamos com evidências disso, mas a pandemia nos bombardeou de um modo que não vejo como negar: É profundamente ingênuo achar que educação irá resolver ignorância contextual. Quando digo ignorância contextual, me refiro a ignorância que surge em determinados
2/8 contextos. Isso não é novidade, Ronald Fischer, um dos mais famosos bioestatísticos da história, defendeu que cigarro não causava câncer *sem usar o largo conhecimento estatístico que ele tinha*. Se procurar direitinho, exemplos como esse não faltam. academic.oup.com/aje/article-ab…
3/8Embora achemos q o homo sapiens seja uma espécie super inteligente pelas coisas q fazemos, blablabla, experimenta pegar um bebê e soltar na floresta para ver se ele desenvolve a teoria da relatividade geral. Aliás, vc desenvolve? Provavelmente tbm não :-). A escrita e outros
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30 Jul 20
Dentro de algumas horas!!

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Falaremos sobre vários aspectos do trabalho, incluindo uma ferramenta que temos utilizado em vários dos nossos estudos.. O @DVCorg !! ☺️
E antes dessa live, terá outra! O meetup do DVC!
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22 Jul 20
1/5 P/ quem se incomoda profundamente com isso, tenho uma dica: Quer aumentar as suas chances de ter um orientador presente, q raramente esquece o que vocês conversaram e que sempre tem um tempinho para conversar contigo? Busque alguém no início da carreira e/ou com poucos
2/5 projetos e/ou poucos alunos em orientação e/ou poucas iniciativas e a lista segue. Quanto menos ocupado ele for, quanto menos coisas p/ trabalhar ele tiver, maiores as chances dele ser super presente e antenado no q vc faz. Ainda assim, prestou atenção no maiores chances, né?
3/5 Pode ser que você receba uma orientação de alguém com *todas* as características citadas e ainda assim ele não dê a mínima para você, seja um péssimo orientador, seja irresponsável, etc. Assim como vc pode pegar alguém super ocupado que dê um jeito de ser diferente do vídeo.
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20 Jul 20
1/4 Comecei a programar em R no mestrado, após + de dez anos programando em outra dúzia de linguagens e ñ foi nada natural, até pelas particularidades do R (talvez seja + fácil p/ quem nunca programou? Não sei). A questão é: vale a pena aprender R para somar números em um vetor?
2/4 Não vejo sentido em aprender ou utilizar R para coisas que você já consegue fazer perfeitamente (e facilmente) em outras linguagens ou até na mão. No entanto, quando a coisa começa a ficar mais interessante.. aí não tem para onde correr. Parte considerável da metodologia que
3/4 utilizei no mestrado estava implementado [apenas] em R. Análises estatísticas (e o workflow de análise de dados, na minha opinião) são muito mais naturais e confortáveis de se fazer no R. Quem não programa em outra linguagem vai implorar para usar R nessas situações. Já quem
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13 Jul 20
Sempre bom lembrar a diferença entre correlação e #causalidade :-). Se a diferença não está clara para você, segue o fio 🧶 #stats #ia 1/19
2/19 Por que o sol nasce de manhã? Por que o céu é azul? Por que ficamos com fome? Por que nos arrepiamos? Por que choramos? Por que a criminalidade aumentou? Por que os preços caíram? Por que esse remédio não funciona?
3/19 O porquê é aquele amiguinho que nos acompanha dos primeiros momentos de nossas vidas até o final, para quem fazemos perguntas sobre a causa dos fenômenos que observamos. Vamos escolher uma pergunta e trabalhar em torno dela, ok? Vamos imaginar que você é o prefeito de uma
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1 Jul 20
1/6 Você já deve ter ouvido falar da necessidade de achatarmos a curva do número de casos, certo? Existe uma outra curva que também precisa ser achatada, caso contrário tem chances de contribuir justamente para um aumento do número de casos de #COVID19. Segue o fio 🧶
2/6 O saque do auxílio emergencial atrai uma grande quantidade de pessoas p/ as instituições onde esse saque pode ocorrer. De modo a evitar multidões, os beneficiários tiveram suas datas de saque organizadas de acordo com informações pessoais. interior.ne10.uol.com.br/noticias/2020/…
3/6 Se parar p/ ver, assim como a tentativa de achatamento da curva de casos de COVID19, diluindo o número ao longo do tempo p/ ñ colapsar a infraestrutura de saúde, o mesmo é feito aqui: Diluir o número de pessoas ao mesmo tempo tentando sacar p/ evitar o colapso das agências.
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30 Jun 20
1/4 Minha preocupação é justamente essa: Mesmo as pessoas que são contra a cloroquina, quantas delas entenderam O PORQUÊ de não ser recomendado utilizar cloroquina (ou hidroxicloroquina) no tratamento da COVID19? Se não entenderam o porquê, basta chegar uma droga nova para termos
2/4 o mesmo problema, tudo de novo. Ser a favor de algo, ou contra algo, só pq ñ gosta de João ou gosta de João, é alinhado c/ Maria, ou ñ é alinhado com Maria, ñ resolve. No episódio abaixo eu falo sobre a importância de ensaios clínicos randomizados. deviante.com.br/podcasts/spin/…
3/4 Essa é uma das razões que eu acho a divulgação científica tão importante. Ñ é só repassar q "alguém c/ [coloque título bonito aqui] disse faça isso ou ñ faça isso", dizer que "não faça isso" ou fazer resumo de resultado de artigo. É principalmente, na minha opinião, ensinar o
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