Ana Flor Profile picture
Travesti. Mestranda em Educação na USP. Pedagoga - UFPE. Falo sobre gênero, política e educação. Colunista: @revistaazmina 📧 contatoanaflor2@gmail.com

Sep 14, 2020, 8 tweets

JK Rowling, mais conhecida como "autora de Harry Potter", é uma transfóbica assumida. Acabou de revelar que, em seu novo livro, terá um "homem que se veste de mulher para matar". Corroborando e reiterando um imaginário social de mulheres trans e travestis como criminosas.

O que essa mulher está fazendo é inadmissível! Usando o lugar de destaque e de grande repercussão que tem para criminalizar vidas trans/travestis. Sabe muito bem como operar com tecnologias e dispositivos que precarizam, mais ainda, identidades trans e travestis. Ela é perversa.

Não existe cancelamento de JK. O que ela está fazendo é criminoso. É um investimento no que Foucault chamaria de "biopolitica". Um processo de regulação do que se compreende enquanto travesti e pessoas trans. Ou melhor: uma projeção desses sujeitos como assassinos.

JK vai escrever o livro utilizando o pseudônimo de um médico psiquiatra conhecido por utilizar técnicas CRIMINOSAS de "conversões" da homossexualidade. Vocês conseguem compreender a gravidade disso? Não existe possibilidade de diálogo com essa mulher.

Judith Butler chama de "enquadramento visual" o processo de produção de uma determinada "realidade". O que JK está fazendo com pessoas trans e travestis é um enquadramento visual transfóbico. Produzindo narrativas que nos colocam em um lugar de perigosas, delinquentes, farçantes.

Não é falta de informação. É projeto de perpetuação de uma sistema transfóbico que ceifa, das diversas e diferentes maneiras, vidas de pessoas trans e travestis em todos os lugares do mundo.

ABSURDO! ABSURDO! ABSURDO!

Mulheres trans e travestis, nem de longe, são "homens que se vestem de mulheres". Contudo, é exatamente esse o lugar que JK vem colocando mulheres trans e travestis: do disfarce. Por isso é tão perverso e cruel, porque ela sabe muito bem o que está fazendo.

Precisamos entender que é necessário um COMPROMISSO coletivo de nos posicionarmos contra violências transfóbicas. É preciso se posicionar ao lado das pessoas trans e travestis. Essa tarefa não pode, de forma alguma, ser APENAS nossa.

É de todo mundo.

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