Leandro Cardoso Profile picture
Endlessly curious about almost everything and a lover of Science, Philosophy, History and some little silly things.

Sep 15, 2020, 10 tweets

Falácia da "semelhança = representação" — thread

Em uma democracia representativa, cada eleitor escolhe o seu devido representante: mas no fim o que ele tem é um conjunto de candidatos eleitos, o que pode ou não incluir o seu preferido (aquele no qual votou).

Então a frase "eleito X representa as pessoas do tipo Y" é uma simplificação por vezes bastante deturpada. Um político eleito representa um determinado indivíduo se:
a) o tal indivíduo votou naquele candidato, agora eleito;
b) aquele político promove os interesses daquele eleitor

c) aquele cargo eletivo tem o compromisso de promover boa gestão e representar TODOS os cidadãos sob a administração, inclusive as pessoas que não votaram naquele político.

Isso quer dizer que um político ateu no Legislativo, talvez um político ateu que também seja um ativista ateu, NÃO me representa só porque EU sou ateu: se eu não votei nele, não me representa; se ele, apesar de ateu, não promove meus interesses, não me representa.

Menos ainda um político qualquer, homem branco, me representa por ser vagamente semelhante a mim em aspecto físico. Semelhança física, ter o mesmo sotaque, a mesma genitália ou o que for não é representatividade política.

Daí já há infográficos de "o quanto cada partido representa a população", comparando a FREQUÊNCIA de cada tipo tipo de pessoa numa população e a mesma frequência de candidatos (ou apenas de candidatos eleitos, tanto faz) de cada partido.

A idéia aqui é simplista e falaciosa: se os candidatos (ou candidatos eleitos) de um partido tem uma distribuição de frequência próxima à da população, então o partido representa bem aquela população.

Isso é ABSURDO !!!

E já não é de hoje que tentam vender a idéia, sobretudo nos EUA (mas também aqui), de que "semelhante vota em semelhante" — o que é, obviamente, uma idéia absurda, errada, obviamente errada.

Boa parte deste papinho identitário é tentativa de criar curral eleitoral.

Identitarismo é ridículo, falacioso, divisivo e dificulta a consecução de consensos, exatamente porque tenta promover uma fragmentação artificial de grupos e interesses com base em características individuais inalteráveis e acidentais.

E certos segmentos da mídia já tem o identitarismo como cânone sagrado de maneira tão arraigada que pensa ser óbvio, correto e indiscutível que se um político se parece com alguém, então é um representante político deste alguém com quem se parece !!!

Share this Scrolly Tale with your friends.

A Scrolly Tale is a new way to read Twitter threads with a more visually immersive experience.
Discover more beautiful Scrolly Tales like this.

Keep scrolling