Gaviões definiu os sambas finalistas para cantar o enredo que pede “basta” ao preconceito, à opressão e, vejam só vocês, à intolerância.
Samba 12 (Wander Pires):
Samba 15 (Nego):
Samba 19 (Igor Sorriso):
A Gaviões provavelmente vai acabar tendo um samba melhor do que qualquer um produzido nos últimos 10 anos, uma década na qual não se salva rigorosamente nada na discografia da escola. Mas chama atenção como a identidade musical da escola se perdeu completamente.
Nem dá pra falar mais que “não tem cara de Gaviões” porque a Gaviões não tem mais cara. O samba pé no chão, sincopado, com respiro, foi embora junto com o relógio do Anhembi e não voltou lá nunca mais. Sobraram essas harmonias rebuscadas, cheias de variações, sem apelo nenhum.
É como se o espetáculo da arquibancada - bandeirão, sinalizador - e o samba fossem, ao invés de complementares, antagônicos. Um não só não precisa do outro como parece melhor que não se conectem. A arquibancada não precisa do samba e vice-versa. Isso é uma tristeza.
De modo que são três bons sambas, alguns com uma ou outra sacada de maior inspiração, creio que o suficiente pra se destacar num CD como o de São Paulo, mas meio que tanto faz qual dos três vai ganhar. Os três são descartáveis além desfile, além trilha sonora do enredo.
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