Ida a tribunal. Juíza assim que me vê grita: fique aí e mantenha-se em pé. Nem um sff nem um bom dia nem o raio. Disse delicadamente q esperava ouvir um sff. “Está implícito”.
- não, sr juíza, a boa educação nunca está implícita. É assim continuamos. E foi piorando
Nome e tal e a dada altura pergunta: morada. La disse. “Não é morada que consta nos autos.
- pois não deve ser porque eu não fui notificada. Foi a advogada da defesa que me ligou porque eu estava atrasada
- aliás, a senhora poderá observar com certeza que a notificado não me foi entregue porque eu não recebi nenhum aviso de recepção nem assinei coisa nenhuma
E por que está a morada errada?
- não faço ideia. É a morada que consta nos meus documentos. Portanto imagino que tenha sido incúria do tribunal
Sente-se. La me sentei. A dada altura, a imbecil diz (e isto é verdade) “descruze as pernas”. Ao que eu respondi: no dia em que a senhora mandar no meu corpo algo está muito errado. Portanto lamento mas não descruzo. Estou confortável assim e isso é importante.
Mas continua: a dada altura diz que eu não posso responder assim. Eu digo que se ela me diz como eu devo responder então que é escusado fazem-me perguntas. Ela responde que quem manda ali é ela e eu digo-lhe que não duvido mas que isso pouco me importa porque eu sou testemunha
E se me apetecer passar o depoimento à dizer “não ma lembro” posso fazê-lo. E era mais fácil e rápido para mim que tenho de ir tratar da minha filha. Portanto diga já o que quer ouvir - eu não direi, claro - que é para apressar isto.
Advogada da defesa é igualmente enxovalhada pela juíza. Que passa a vida a interromper: “já perguntou, já disse, cinja-se aos factos e bla bla”
Quando entra o advogado da IURD a imbecil desfaz-se em sorrisos. Aí o advogado pode perguntar o que quer como quer e já agora pode fazer apartes quando eu termino de responder.
Até que o procurador - o MP tinha arquivado o caso mas a IURD decidiu avançar com uma ação privada - diz à juíza que talvez fosse melhor explicar ao advogado da acusação que a testemunha é testemunha e não arguida e que está em tribunal para ser julgada
Juíza mete viola ao saco. Advogado da IURD tb. E eu pergunto se me posso ausentar que estou a precisar de comer. “Isso pode esperar”, diz a gaja. - não não pode. Não pode. Quem sabe se pode ou não sou eu. Portanto ou isto é rápido ou então eu vou embora.
Enfim, Estado/justiça/nação - 0, IURD - 1. Ainda assim o advogado que tentou batalhar me com datas levou com uma citação de Mark Twain “se contares a verdade nunca terás de te lembrar de nada”. A não ser datas, claro.
Ah, mas a senhora gorda não cantou ainda porque a juíza adiou o resto das audições. E prepara-se para não ouvir mais ninguém. Porque se eu chata, a Borges é muito pior. Temo pela juíza e pelo advogado da IURD
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