Pedro Doria 🇧🇷😷💉 Profile picture
🗞 Editor do @canalmeio 📚 Escrevo livros 🎙 Política, tec e história 👨‍🎓@ufrj @stanford @JSKstanford 🚨RTs ≠ concordar ⏳Tuítes apagados em 60 dias

Sep 21, 2020, 12 tweets

A gente já sabe um bocado sobre como redes sociais, seus algoritmos e política se relacionam.

Os algoritmos gostam de discurso que inflama. Que deixa pessoas exaltadas.

É porque estas emoções as deixam mais atentas, as fazem frequentar mais as redes.

Que vivem de publicidade.

A extrema-direita no Brasil, e em boa parte do mundo, já havia aprendido a manipular esta dinâmica.

A turma da centro-esquerda está ironizando que Stalin esteja voltando ao debate.

A centro-direita também fazia pouco quando a turma da intervenção militar constitucional apareceu

A centro-esquerda acha que o debate é um espantalho construído pela direita.

Não é não.

Stalinismo é a isca lançada pela esquerda radical para ampliar seu alcance e ampliar seu espaço dentro das esferas de influência da própria esquerda.

Como o discurso é radical e mobiliza, o algoritmo cuida do resto.

Aí do Twitter amplia o YouTube, que ajuda a financiar uma nova onda de crescimento, e os espaços vão sendo ocupados.

Isto quer dizer que poderemos ter um presidente stalinista?

Não. É pior.

Isto quer dizer que cada vez o espaço de debate dentro das bolhas de esquerda vai sendo ocupado por gente disposta a questionar a democracia.

Gente dizendo que de fato muita gente morreu sob Stalin, mas que ele também tinha qualidades.

Dez anos atrás seria impensável.

A memória da nossa ditadura, a memória das ditaduras dos outros, vai se perdendo nos livros e nas imagens com pouca definição da TV pré-HD.

Fica abstrata.

Como a centro-direita que achava exagero da esquerda a inquietação com quem pedia intervenção militar, hoje é a centro-esquerda que considera exagero a constatação de que falar ‘das coisas boas do Stálin’ esteja ganhando espaço.

Daqui a pouco vem Pol Pot. Ou os Kim. Ou Mao.

Os problemas são dois.

O primeiro é que os Centros vão sendo esmagados.

Todos eles.

Social-democratas. Liberais. Conservadores.

Os centros são sufocados.

E democracia funciona no diálogo dos Centros, que são os que dialogam.

O segundo problema é da esquerda.

A população brasileira tem valores conservadores.

Quando mais gente na esquerda começa a questionar se democracia é uma boa ideia, a democracia sofre mais.

Na ausência de democracia, o autoritarismo que teremos aqui é conservador.

O Brasil não teve uma única ditadura de esquerda.

Não.

Nem a de Getúlio Vargas.

A Constituição foi escrita por um fascista dedicado — Francisco Campos — e as leis trabalhistas são copia e cola de Mussolini.

O velho Prestes passou a vida tentando organizar essa ditadura de esquerda.

O ponto mais próximo que conseguiu foi na Intentona de 1935.

O levante não completou 48 horas e sua mulher terminou num Campo de Concentração nazista.

Isto aqui, este debate público cujo norte é ditado por algoritmos que incentivam o radicalismo, é a democracia se dissolvendo.

Passei a última semana lendo na tuitosfera que a democracia é uma forma disfarçada de opressão.

Vem de gente que não conhece história.

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