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29 Nov
Não vou fazer previsões, mas as pesquisas de ontem dão pistas sobre o que deve acontecer nas eleições de hoje em algumas capitais.

Vou falar sobre Rio, SP, Recife e POA.

Em uma dá para cravar resultado, em outra quase... Nas últimas duas é no cara ou coroa.

Um fio.
A vantagem de Bruno Covas é clara, em São Paulo.

O Ibope de sábado dá 48% para ele contra 36% para Guilherme Boulos.

O que faz deste resultado difícil de virar não é só a distância entre os dois. É que não há movimento no eleitorado. No dia 18, Covas tinha 47% e, Boulos, 35%.
Mas há dois pontos que vale ressaltar.

Primeiro começou nos zaps bolsonaristas, nestes últimos dias, um movimento pró-Boulos. O ódio ao governador paulista João Doria é grande.

É bizarro, mas Wilson Witzel está aí para lembrar que coisas esquisitas acontecem na última hora.
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25 Nov
A gente ainda vai colecionar lições deste pleito municipal para composição de chapas com vistas 2022.

Mas uma delas tem de ser aprendida num erro tático do Bruno Covas nesta eleição de São Paulo.

É a escolha do vice.

Fio rápido.
Caso Jair Bolsonaro sobreviva à crise imensa que virá em 2021 — e não é certo que sobreviverá —, o Brasil provavelmente ainda estará num ciclo conservador.

Digamos, pois, que Bolsonaro vá a um hipotético segundo turno em 2022.
Isto quer dizer que o candidato à presidente que for disputar com ele tem de ser atraente para eleitores de centro-esquerda.

Não basta levar os votos de quem não vota em Bolsonaro.

Precisa tirar votos de Bolsonaro.

Mas o que nos diz o vice de Bruno Covas?
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14 Nov
Existe um centro.

Esquerda e direita, muitas vezes, fazem de conta que não existe.

Tudo certo, é estratégia eleitoral: melhor pintar ‘o outro lado’ como uma coisa só.

Vira briga de mocinho e bandido, mais fácil de explicar.

Só que o mundo é complicado.
Existem vários centros, na verdade.

O mais comum é um que mistura uma visão em geral descrita como de esquerda das questões sociais e de costumes com uma em geral descrita como de direita da economia.

O que isso quer dizer?
Ora...

Isso quer dizer que reconhece que o Brasil é um país desigual pacas, que o Estado precisa atuar neste problema. Reconhece a liberdade para fumar um baseado, de casar com quem se ama, da mulher de escolher e de que o Meio Ambiente é causa urgente, imediata.
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23 Oct
‘Todo mundo também dizia que Hillary ia ganhar. Essas pesquisas não são confiáveis.’

Vc já ouviu isso?

Donald Trump tem chances vencer?

Claro que tem.

Mas 2020 é muito diferente de 2016 e é importante compreender o que houve de ‘errado’ com as previsões daquele ano.
Primeiro: as pesquisas nacionais não erraram. Hillary venceu a eleição. Mas não é o voto popular que elege quem preside os EUA. É o Colégio Eleitoral, escolhido de acordo com o resultado dos pleitos de cada estado.

Quase sempre dá na mesma. Em 2000 não foi, em 2016 também não.
As pesquisas estaduais variam em acurácia. Primeiro porque é mais difícil, mesmo, com amostras menores. Depois porque, em alguns casos, prestava-se menos atenção.

Em algumas, no Cinturão da Ferrugem, o erro médio foi ligeiramente superior ao habitual.
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16 Oct
Estou numa posição que não costumo estar.

Sendo criticado ao mesmo tempo por gente que tem argumentos consistentes, gente que respeito como @pablo_ortellado e @ctardaguila, e, ao mesmo tempo, gente que está sempre do mesmo lado não importa o quê. Nomes que não vou citar.
O debate é o seguinte: o @nypost publicou uma reportagem na qual diz ter um email em que um ucraniano corrupto agradece a Hunter Biden, filho do candidato democrata à presidência dos EUA Joe Biden, por ter promovido um encontro com seu pai, quando vice-presidente.
Que evidências que o Post apresenta de que o email é real? Nenhuma.

Que evidências que o Post apresenta de que o encontro ocorreu? Nenhuma.

A campanha de Biden tem fortes indícios de que Biden teria outro compromisso na hora.
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28 Sep
Carol Solberg, jogadora de vôlei, foi denunciada ao STJD por ter gritado Fora Bolsonaro numa entrevista à TV após uma partida.

O direito à livre manifestação do que lhe é caro como pessoa é um dos mais básicos em uma Democracia Liberal.

Um fio.
Pode ser opinião política. Crença religiosa. Manifestação de apoio ou repúdio a pessoas.

Atletas, na história, sempre se manifestaram politicamente.

E, claro, sempre houve quem desejasse lhes tolher a palavra.
Em geral, usa-se para isto um argumento comercial.

‘Uma competição esportiva não é local para isso.’

Por que não é?

Porque envolve interesses, transações, patrocínios, é um jogo de imagem que não quer afastar ninguém de nenhum grupo etc.
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21 Sep
A gente já sabe um bocado sobre como redes sociais, seus algoritmos e política se relacionam.

Os algoritmos gostam de discurso que inflama. Que deixa pessoas exaltadas.

É porque estas emoções as deixam mais atentas, as fazem frequentar mais as redes.

Que vivem de publicidade.
A extrema-direita no Brasil, e em boa parte do mundo, já havia aprendido a manipular esta dinâmica.

A turma da centro-esquerda está ironizando que Stalin esteja voltando ao debate.

A centro-direita também fazia pouco quando a turma da intervenção militar constitucional apareceu
A centro-esquerda acha que o debate é um espantalho construído pela direita.

Não é não.

Stalinismo é a isca lançada pela esquerda radical para ampliar seu alcance e ampliar seu espaço dentro das esferas de influência da própria esquerda.
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20 Sep
Tem imenso valor a decisão do @magazineluiza de propor contratar apenas trainees negros.

A decisão é possivelmente ilegal.

Isto, me parece, é irrelevante.

Ao fio.
Esta é uma posição pessoal minha: eu sou a favor de políticas de ação afirmativa.

De cotas.

Sociedades têm dívidas históricas. No caso da brasileira, 54% de nós nos declaramos negros ou pardos para o censo.

IBGE: 17% dos 1% mais ricos são negros ou pardos.
Estatísticas refletem aquilo que medimos. Neste caso, o corte econômico e étnico de nossa sociedade.

Se os números não são próximos, então isto quer dizer que negros têm menos oportunidades do que brancos nesta sociedade.

Não são tratados como iguais em seus direitos e deveres.
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29 Aug
O surgimento de uma direita radical aqui e no mundo capaz de produzir vitórias eleitorais é um dos temas que me consome nestes últimos anos.

Estes fenômenos nunca podem ser explicados por uma única razão. Não é um evento, um meio de comunicação novo, ou uma mudança social.

+
Mas cada um destes itens entram na conta.

Foi por isso que mergulhei no Integralismo, o fascismo brasileiro dos anos 1930 para escrever meu novo livro.

Eu queria entender o que houve naquele mundo para compreender se há similaridades.

E há.

+
E há.

Naquela época a economia agrária migrava para uma industrial, causando muitas inseguranças. Hoje há a migração da industrial para a digital.

Havia mudanças de valores da sociedade em contraste com quem não queria mudanças.

+
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11 Aug
A única reforma liberal relevante que este governo fez... ele não fez. Foi obra do governo Temer e do Congresso Nacional, Rodrigo Maia à frente.

Aos poucos vai ficando claro que este não é um governo liberal.

Ainda assim, tantos que se consideram liberais o apoiam.

¿Que passa?
Uma das maluquices de Brasil é o ‘liberal na economia, conservador nos costumes’.

Não tem nada de errado em ser conservador. É uma posição política digna que pertence ao espectro da democracia.

Mas liberal é liberal.
A visão econômica do liberalismo, no século 20, vai de Keynes a Friedman, inclui Hayek e Krugman. Porque o liberalismo é vasto, mesmo.

E, ainda assim, um fio une a todos: a crença na liberdade como fio condutor da vida.

Quando se separa a visão econômica da de vida, dá erro.
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10 Aug
A aproximação de Temer e Bolsonaro é mto importante.

Temer conhece a relação Legislativo x Executivo como poucos, no Brasil.

Não coincidência que Bolso começou a ouvir Temer e o clima político se transformou.

Mas esta não é a única dança em curso.

Um fio.
É hora de falarmos sobre a Lava Jato com novos olhos.

Um bom naco da direita gostaria muito de transformar Moro num herói destemido contra a corrupção.

Só que juízes não podem combinar o jogo com produradores. E Moro obviamente tinha um viés político contra o PT.

Mas...
Mas a corrupção existe e está entranhada na maneira como Executivo e Legislativo se relacionam.

O dinheiro desviado é o menor dos problemas.

O tipo de gente colocada em cargos chave de gestão com o objetivo de fazer dinheiro afeta a qualidade da governança.
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9 Aug
A leitura mais importante do fim de semana é a entrevista que o André Singer deu ao Globo.

Dependendo das condições, se conseguir mantê-lo de alguma forma, o Auxílio Emergencial é o caminho para Bolsonaro acabar com o lulismo.

Um fio.

oglobo.globo.com/brasil/andre-s…
Se o movimento bolsonarista der certo, ele evidentemente terá de mudar o caráter ultraliberal de seu governo.

Em troca, ganha um bolsão de votos no Nordeste.

Como bem diz Singer, não é um movimento fácil. Mas, em havendo dinheiro, também não é um movimento tão difícil.
Com chapéu de cangaceiro, Bolsonaro evidentemente está jogando este jogo.

Mas, paradoxalmente, jogar este jogo pode custar caro a Bolsonaro.

Porque, ao roubar eleitorado petista, ele leva algo precioso.

Mas, ao tirar força eleitoral do PT, ele também tira o PT do 2º turno.
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25 Jul
Não tenho opinião formada a respeito da decisão, pelo ministro Alexandre, sobre a suspensão das contas de Twitter e Fb dos capos bolsonaristas.

Mas me parece que a conversa está pela metade. Ela tem a ver com o debate sobre cancelamentos. E a sobre a Lei das Fake News.

Um fio.
Quem vê o debate jurídico vê um pedaço, não o todo.

O debate sobre direitos individuais, idem.

A questão política é uma parte, também.

Todas são importantes. E é fundamental compreendermos que estamos perante um dilema raro.

Aliás... Estão faltando filósofos nessa conversa.
Um dos motes no Twitter a respeito dos cancelamentos, esta semana, foi ‘crítica não é cancelamento’.

O ponto é justo

É manifestado por pessoas que provavelmente jamais foram canceladas.

Já fui algumas vezes. Tenho amigos... Aliás, principalmente amigas, que foram de forma pior
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21 Jul
Daquelas constatações óbvias que deixam a gente no chão.

Fui entrar num debate que envolve marxismo — sobre o qual entendo bem pouco, diga-se — no Twitter.

Pra quê?

A quantidade de clichês vindos da direita, de incompreensões as mais básicas, de bobagens.
A frase ‘marxismo é incompatível com democracia’ faz tanto sentido quanto ‘fascismo liberal’.

Nenhum.

É só bobagem conceitual que as pessoas se acostumaram a repetir e vão repetindo porque lacra entre os seus.

Mas demonstra a distância que estamos da capacidade de conversar.
No fim, a esquerda olha a direita com imensos preconceitos.

A direita olha a esquerda com imensos preconceitos.

O antidemocrático é sempre o outro.

Como se fosse possível democracia sem esquerda e direita.

E centro.
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20 Jul
Cada vez mais preguiça de ficar ouvindo os mesmos clichês por aqui.

Servem só como atalhos de lacração e autoengano de quem os emite.
‘Vc esqueceu que a corrupção do PT era pior.’

Nada. Dinheiro pro bolso, pra se manter no poder, e comprar base no Congresso.

Envolveu foi mais dinheiro, mas isso tb pq estava entrando dinheiro como nunca no Brasil.

A diferença é que foi punida. Se legalmente é outro debate.
‘O lavajatismo é antipolítica.’

Coisa nenhuma. O lavajatismo é política pura, Sérgio Moro é político e quem segue se enganando periga terminar com a surpesa de vê-lo presidente.

Vai acontecer? Muito cedo. Mas claro que ele quer.
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20 Jul
Duas reportagens de hoje, uma do @estadao, outra do @uol, ajudam a iluminar uma transformação em curso na coalizão política que sustenta o governo Jair Bolsonaro.

O Lavajatismo sai, o Centrão se consolida e o Olavismo é realocado.

Um fio.
O que hoje chamamos de Lavajatismo é uma das forças políticas mais tradicionais da democracia brasileira.

A corrupção ostensiva de políticos apareceu no mapa na década de 1940, ainda na ditadura do Estado Novo, com Adhemar de Barros. Era o novo populismo ‘rouba mas faz’.
Se Adhemar mirava os mais pobres, a resposta veio com Carlos Lacerda. Igualmente populista, o lacerdismo acenava para a classe média urbana conservadora.

No início dos anos 1950, ele acusava a existência de um ‘mar de lama’ no governo Getúlio.
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14 Jul
Olha… Talvez minha interpretação seja minoritária.

Mas acho que @gilmarmendes acertou em cheio ao fazer o elo entre os militares e o que ele classificou como ‘genocídio’ por parte do governo Bolsonaro.

Me permitam deixar a polêmica do ‘genocídio’ por último.

No fio.
Gilmar é político.

Devia um ministro do STF ser político? Esse é outro debate.

Ele é político. Vive em Brasília indo de casa em casa, conversando, costurando, debatendo, negociando.

Mais: ele sabe fazer política particularmente bem.

Ou seja: Gilmar não faz nada sem querer.
O ministro mandou uma mensagem pras Forças Armadas.

Disse o seguinte: pós-pandemia, vai ficar muito feio pro Governo Bolsonaro. As chances não são poucas de o Tribunal Penal Internacional abrir uma investigação por genocídio.
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8 Jul
Discordo do Hélio Schwartsman.

Não desejo que Bolsonaro morra. E não é por moralismo. Mortes doem demais em quem está próximo. Não consigo, e também não quero conseguir, desejar isso a ninguém.

Mas discordo ainda mais do ministro André Mendonça.

O ministro quer investigar, com base numa lei da Ditadura, um jornalista que disse desejar a morte do presidente por Covid-19.

Vejam: o jornalista não ameaçou de morte o presidente. Apenas relatou que acha esta morte, por doença, desejável.

O ministro está errado.
Primeiro porque ministro de governo Bolsonaro, muito cá entre nós, não tem qualquer autoridade para falar em democracia.

Mas principalmente por outra razão. André Mendonça finge não entender por que liberdades de expressão e de imprensa são desejáveis.
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1 Jul
E o Lula, hein?

Vamos comparar Bolsonaro com Lula?

(Este fio é uma provocação.)
Sim, existem falsas simetrias.

Então me permitam deixar clara minha opinião.

Lula é um democrata. Um democrata, na minha opinião, com imensos defeitos.

Mas Jair Bolsonaro não acredita em democracia e essa é a nota de corte.

O propósito deste fio não é comparar um e outro.
O propósito deste fio é defender comparações entre um e outro.

A República brasileira tem uma história. Padrões se repetem. Coisas que ocorreram um dia trazem lições para quem interpreta e para quem governa.
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29 Jun
Há um fenômeno importante nos fascismos dos anos 1930.

Em 1º de julho de 1934, Ernst Röhm, que comandava a SA nazista, foi executado por ordens de Adolf Hitler. Todo o comando da SA foi condenado por tentativa de golpe que nunca existiu.
Naquele mesmo mês, o Exército Alemão, cujo comando tinha origem aristocrática e prussiana, se alinhou com Hitler.

O episódio é chamado de Noite das Facas Longas.

As SA eram as milícias nazistas que tocavam o terror nas ruas durante a ascensão nazista. Os camisas cáqui.
Uma vez no poder, Hitler se manteve instável porque parte da elite alemã tinha repulsa a seus métodos. Foi preciso um pacto e este pacto exigia o expurgo dos radicais.

Os mesmos radicais que permitiram a ascensão nazista.
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15 Jun
Supremo atacado? Sara Winter presa?

O que está acontecendo? Estamos assistindo a um jogo.

E ele tem por alvo político o Exército Brasileiro.
O Exército não é político.

Quer dizer que ele é opaco. De fora, é muito difícil ler quem é realmente importante na estrutura hierárquica, quem tem influência — e, principalmente, o que pensam os generais.

Partidos políticos são transparentes. Brigam em público.
Transparência é fundamental para a democracia.

Este é um dos problemas do envolvimento de militares na política. Por falta de transparência, têm comportamento antidemocrático.

Muitos não percebem que sua cultura é adequada para proteção nacional mas inadequada para política.
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