Bruna Frascolla Profile picture
Autora de Wokismo e anarcocapitalismo: duas faces da mesma moeda disforme (Capax Dei, 2025). Escreve toda semana na Strategic Culture Foundation.

Sep 21, 2020, 10 tweets

VOTO COM OS PÉS
Uma coisa que sempre me deixou meio espantada é a diminuta população do Uruguai. Tem 3,5 milhões de habitantes, contra 11 do Rio Grande do Sul. A densidade populacional do Uruguai é de 20 habitantes por km², e a do Rio Grande do Sul é o dobro.

Se o Uruguai é um país de primeiro mundo, e os vizinhos não são, a lógica mandaria que brasileiros, paraguaios e argentinos se estapeassem para entrar no Uruguai, que teria fronteiras bem guarnecidas e gastaria uma grana tentando impedir o tráfico humano.

Pois bem: um amigo paulista atravessou a fronteira pela primeira vez, e conta que chamou a atenção dele que nas cidades fronteiriças o comércio está do lado brasileiro, por causa de imposto. As casas são simplórias, sem forro. Foi-lhe dito que pra contratar um pedreiro a pessoa

precisa pagar a aposentadoria dele, e os custos sobem 30%. Daí as casas serem pobres e com aspecto de favela. (Atenção: é fronteira, não é Montevidéu.) Ele comparou preços no free shop de Montevidéu ao do supermercado brasileiro, e achou que o último compensa.

Isto é um fio de Twitter, não um artigo sério, para o qual eu pesquisaria. Mas serve de fagulha para atentar às coisas nesse país em que, sabidamente, a maconha liberada é estatal. E aí falta maconha.

Também atiçou minha curiosidade sobre as migrações na América do Sul.

Eu sei que, na questão de impostos, a fronteira Brasil-Paraguai põe o Brasil em desvantagem, e que há brasileiros que ficam zanzando entre os países. Quantos se estabelecem lá, sem zanzar, não sei. E os paraguaios? Se mudam para o Brasil?

Ao menos na Bahia, é comum encontrarmos o argentino que se estabeleceu por aqui ou por gostar de praia (em Búzios-RJ se tropeça em argentino), ou por ter mão de obra qualificada. Dos brasileiros estabelecidos na Argentina, nada sei.

Sei que há uma imensa colônia boliviana em São Paulo, mas não há nenhum grande fluxo contrário de brasileiros rumando à Bolívia. Os bolivianos votam com os pés no Brasil.

Na relação Venezuela-Colômbia, o jogo virou com o chavismo. Antes os colombianos migravam para a Venezuela

fugindo do caos das FARC e dos cartéis, hoje os venezuelanos buscam refúgio na Colômbia. Agora há número significativo de venezuelanos entre nós por causa da crise. Mas esses países da fronteira amazônica têm, historicamente, pouco contato conosco.

À medida que a região norte cresça (e ela já é mais rica que o Nordeste), é de esperar que o fluxo migratório cresça. Restará ver em quem votam os pés.

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