Leandro Cardoso Profile picture
Endlessly curious about almost everything and a lover of Science, Philosophy, History and some little silly things.

Sep 23, 2020, 18 tweets

Durante os anos 30 e até no início dos anos 40, houve defensores do Nazismo nas democracias liberais. Houve também quem não defendesse, mas relativizasse, principalmente com "e o X?", onde X eram os maus feitos por alguma potência Ocidental não germânica.

Como o racialismo estava na moda desde o fim do século XIX, promovido pelos autoproclamados PROGRESSISTAS (sim, as leis segregacionistas americanas foram promovidas pelos progressistas), racialistas pan-africanistas do Brasil e dos EUA viam no NSDAP um exemplo.

Todo mundo sabia que a visão de mundo nazista era fortemente racista. Que era belicista. Revanchista. Entretanto ela não se vendia como o "lado negro da Força".

A maioria das pessoas não sabe que os nazistas tinham fazendas experimentais na África, América Latina e Sudeste Asiático. Nelas ocorria pesquisa e desenvolvimento de agricultura tropical. A ideia era fornecer gratuitamente esta tecnologia aos agricultores locais.

Por quê? Porque os nazistas queriam desestimular imigração pra Europa. E um modo prático de conseguir isso é mitigando a fome nas nações tropicais.

Ademais, levavam a sério o papo escroto de raça superior. Viam como seu dever melhorar o mundo.

Então o furor nacionalista grandiloquente, o entusiasmo de um império de mil anos a conduzir a humanidade e meia dúzia de boas ações serviam pra seduzir alguns observadores internacionais.

Ademais, hoje sabemos detalhes sórdidos dos crimes nazistas. À época o público internacional desconhecia isso.

A brutalidade da ocupação no leste europeu era conhecida. Campos de trabalho forçado e de extermínio? Não.

Podia-se suspeitar deles. Podia-se intuir que extermínio étnico era afim à ideologia nazista. Mas SABER sobre eles, não.

Então um nacionalista paranoico nas bobeiras anti-semitas poderia conceber (e concordar com) as deportações em massa: a URSS mesmo fez algo similar. Saber dos campos de extermínio, não.

O genocídio foi tão horrendo e em escala tão grande que desperta ceticismo até hoje. Se você parar pra pensar como, só de judeus, deram cabo de 6M sem computador, sem Internet, sem GPS... Toda a organização, logística, os custos envolvidos.

Auschwitz tinha uma linha férrea particular e dupla! Hoje o estado de São Paulo não tem a estrutura férrea que os nazistas montaram só pra exterminar civis na Polônia ocupada.

Foi um esforço enorme, uma alocação de recursos tremenda e irracional para esta tarefa horrenda. O Corona está sendo a principal causa mortis em vários cantos do mundo e mal chegamos a 1M de mortos.

Pense, só de judeus, 6M. É uma escala abominável. Não espanta que fosse difícil conceber Treblinka ou Birkenau.

Mas não se sabia da existência destas fábricas da morte. Os judeus eram embarcados pro leste, é o que se sabia. Ainda que fossem abandonados nas estepes gélidas e minguassem de fome e frio, poderiam supor alguns, fábricas da morte era algo inimaginável.

Então aos simpatizantes Ocidentais do Nazismo naquela época somos obrigados a conceder que não sabiam da escala abjeta do horror "no leste". Nem poderiam imaginar isso.

HOJE, agorinha, há vários MILHÕES de Uyghur aprisionados em Campos de Concentração na China. Há imagens deles. No mínimo 2M de pessoas aprisionadas. E ao menos 0,5M de tibetanos e 0,5M de mongóis.

Qual a desculpa de quem apoia a China hoje? Certamente os chineses não são menos criativos do que os alemães nestes assuntos funestos, então aquilo que ainda não sabemos é possível suspeitar.

Como é que tinha gente que apoiava o Nazismo, fora da Alemanha, naquela época?

Veja quem apoia hoje a China e saberá a resposta.

Share this Scrolly Tale with your friends.

A Scrolly Tale is a new way to read Twitter threads with a more visually immersive experience.
Discover more beautiful Scrolly Tales like this.

Keep scrolling